Motores: à conversa com Eduardo Ferreira

Hoje o nosso convidado não é piloto. Eduardo Ferreira, um dos responsáveis pela segurança nas provas organizadas pelo Clube Automóvel de Vila Real, esteve à conversa com Telmo Augusto (responsável pela secção “Motores” do Desportivo Transmontano).

Eduardo, faz-nos um resumo da tua carreira no desporto automóvel

Praticamente nasci e cresci, nas e com as corridas. Com dois irmãos mais velhos que já eram fiscais de pista e sendo sobrinho/afilhado de um dos do “Grupo do 50” sendo curiosamente hoje, o sócio nº1 do CAVR, foi muito naturalmente que aos 11 anos já andava a espalhar fardos de palha pelo circuito. Não tendo idade para trabalhar na pista, ia colaborando dessa forma mais longe do perigo. Quando atingi a idade exigível fui então para a pista, para o posto 14 “Chicane da Estação”, ficando sob a orientação do professor Carlos Varela, meu chefe de posto, função que mantive até ao ano fatídico de 1991. Com os tempos e exigências a mudarem, fui então desafiado pelo presidente do Clube e também diretor de prova da altura Sr. Jorge Fonseca, a assumir o cargo de responsável da segurança, função que desempenhei por mais de 20 anos. Uma vez mais fui preciso noutras funções e foi então que novamente por indicação do Sr. Jó assumi a direção de prova, como diretor de prova. Sendo hoje detentor de licença desportiva de diretor de prova internacional.

O que estava pensado para 2020, o que concretizaram e o que ficou por fazer?

2020 é um ano para esquecer pelos motivos que toda a gente conhece. Salvo um ou dois eventos, todos os calendários tanto da federação como naturalmente do clube foram cancelados.

O que te falta organizar?

Falta-me organizar a próxima prova do CAVR. (Risos)

E uma participação ao volante? 

Só mesmo num convívio, aliás como já fizemos. Tenho muito respeito pela velocidade. (Risos)

O melhor momento da tua carreira?

O termos conseguido trazer para Portugal a primeira prova do primeiro campeonato do mundo de Rallycross de sempre. Isto ninguém nos tira.

Como foi aquela longa travessia do deserto do CAVR, quando não houve corridas em Vila Real?

Nada fácil. Como devem perceber, um clube que vive das e para as corridas e não as conseguir realizar, é um momento muito difícil. No entanto não baixamos os braços e novas oportunidades surgiram. As realizações fossem em Vila Nova de Foz Côa, Murça, Montalegre, Braga, Baltar, Cabo do Mundo, Estoril, etc permitiram a continuidade da atividade do CAVR, sempre com o sonho de regressar a casa.

Há circuito em Vila Real pelo grande numero de pilotos e de fãs da corridas na nossa cidade, ou há esses fãs pelas corridas e tanto piloto em Vila Real por causa do circuito?

Julgo o circuito ser em si próprio, um elemento motivador e aglutinador de sonhos e vontades dos Vilarrealenses, seja para “puxar” pelos pilotos da “Bila” ou pelos aficionados. Neste sentido penso que há tantos pilotos e fans por causa do circuito.

Rallycross ou Circuito, qual o teu preferido?

Duas paixões completamente distintas. Estão as duas na “Pole”. (Risos)

Maior responsabilidade e trabalho no WRX ou no WTCC?

A responsabilidade é e tem de ser exatamente a mesma nas duas modalidades. Quanto ao trabalho, claramente a realização do Nosso circuito por todas as vicissitudes inerentes de um circuito citadino onde vamos muito mais além que o plano desportivo. Há toda uma cidade que fica “refém” deste evento, para o melhor e para o pior. Aqui, uma palavra de gratidão aos moradores de todo o perímetro do circuito, também estes estão connosco.

Como reagir aquele “tirar do tapete” quando saíram do calendário do WRX?

Foi um murro no estômago. Quando tudo dás para que nada falhe e consegues. Quando o teu evento é classificado por quem o tutela, como um dos melhores. Quando tens um contrato válido assinado por mais anos e nesse mesmo ano, sem razão ou explicação plausível, te dizem que foste preterido por outra pista/organização que nunca organizou nada e nem tradição tem na modalidade, dói muito. Sentimo-nos traídos. A reação tem de ser continuar a acreditar e lutar com a persistência que nos caracteriza.

Como se consegue mobilizar mais de uma centena de voluntários?

O conseguir incutir um espírito de companheirismo entre todos nas mais variadas funções. Não pode haver diferenças além das funções que cada um naturalmente desempenha. Seja o fiscal de pista, seja o diretor de prova. Seja um colaborador, seja um membro da direção. Todos têm que ser englobados neste sentimento de pertença. TODOS são de extrema importância.  

A tua prova preferida?

Campeonato do Mundo de Rallycross.

Como é organizar corridas no nosso circuito?

Um trabalho desmedido e titânico.

Planos para 2021?

Ultrapassar esta pandemia. Ultrapassando esta situação, o calendário desportivo lá se fará. Mas a prioridade para 2021 tem de ser a saúde de todos.

Quem é o teu ídolo?

Nunca fui muito de idolatrar fosse quem fosse, no entanto se tiver que destacar alguém, seria a um nível muito pessoal. O “Nosso” Manel pelo que me marcou na minha adolescência e a família Hansen, uma amizade improvável mas que cresceu precisamente com as corridas.

Queres deixar aqui os teus agradecimentos a alguém?

A todos os que me permitiram alcançar os objetivos tanto pessoais como do CAVR. Naturalmente a família pelo apoio incondicional, os amigos que sempre deram uma palavra de incentivo e claro a TODOS os companheiros do CAVR que comigo se batem a dar o seu melhor.

Obrigado Eduardo Ferreira, por ter aceitado o convite para esta entrevista ao Desportivo Transmontano. Desejamos a melhor das sortes para a tua vida pessoal, profissional e desportiva.

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