Motores: à conversa com António Rodrigues

Motores

António Rodrigues, piloto de Santa Marta de Penaguião, esteve à conversa com o Telmo Augusto (responsável pela secção “Motores” do Desportivo Transmontano).

António Rodrigues, faz-nos um resumo da tua ainda curta carreira desportiva?

António Rodrigues (AR): A minha carreira desportiva, como piloto profissional, começou a convite da equipa da NJracing para participar no Mega Sprint em Vila Real (junção de perícia e de velocidade), ao volante do Peugeot do João Guimarães tendo sido nesta prova o meu primeiro contacto com um carro de competição. Depois disso surgiu a oportunidade de fazer a Rampa de Santa Marta 2019 ( prova esta, que já ia mais ao encontro do meu gosto, velocidade), ao volante de um Mitsubishi EVO 6. Um carro com 300cv e tração às 4 rodas. Foi a primeira vez que conduzi um carro com tantos cavalos. Fiquei muito satisfeito, mesmo tendo algumas limitações…  Na altura, pensei que tinha terminado por aí, e que tinha sido uma boa experiência. até ganhei um prémio dos Portugal Hill Climb Fans…

Um dia recebo uma mensagem, de um GRANDE AMIGO (que infelizmente partiu cedo de mais…), com uma fotografia de um BRC CM 05 EVO, que se alugava. E pensei que também poderia experimentar. Foi então que fiz a Rampa de Boticas em 2019. É um carro totalmente diferente do Mitsubishi. É um carro muito mais rápido na aceleração, nas travagens, uma sensação de velocidade muito maior, um som que só de ouvir apetece acelerar ainda mais. Mesmo sendo a 1ª vez com o carro, não conhecendo a rampa, ainda consegui um 7º lugar na classificação geral absoluta. Gostei tanto da experiência, que decidi aceitar a proposta da NJ racing, e integrar na equipa e tentar fazer o CPM 2020. Foi um projeto que envolveu família e amigos.

Campeonato Portugal de Montanha 2020…

Rampa de Murça. Foi um reapresentar-me ao carro. Tive alguns problemas com a caixa no sábado, que não me deixou fazer as provas de treinos. no domingo com a chuva, voltei a ter que conhecer o comportamento do carro, e por isso não consegui tirar o proveito que queria.

Rampa da Covilhã. Rampa que vem depois da paragem do campeonato. a vontade era tanta, que quando me sentei no carro, pensei…aproveita, que este ano pode não haver mais…tirei partido disso conseguindo o 1º pódio á geral, foi um 3º lugar que no CPM corresponde a um 2ª lugar na geral, visto o João Fonseca, não estar inscrito no CPM. Nesta rampa, que também era nova para mim, rapidamente fui baixando os tempos. consegui sentir o limite do carro.

Rampa da Arrábida. Nova rampa, mas com mais confiança no comportamento do carro. 1º dia piso seco voltei a rodar rápido, já no 2º dia ,dia chuvoso, tive que voltar a sentir o seu comportamento. Mas mesmo com o piso molhado foi conseguindo bons tempos. O que me levou ao pódio: 2º lugar do pódio absoluto da geral, 2º lugar protótipos, 1º lugar protótipos B. Posso dar um balanço, muito positivo. Foi um campeonato em cheio.

O porquê de optares pelo Campeonato Portugal de Montanha?

AR: É uma prova contra o cronómetro, não correndo risco provocados por outros, sendo somente da minha responsabilidade, concentração do início ao fim , para não haver falhas e poder alcançar o melhor tempo possível. É uma prova que por ser curta, tem que se andar sempre no limite, o que me agrada bastante…

O que estava pensado para 2020, o que concretizaste e o que ficou por fazer?

AR: Para 2020 estava programado fazer o Campeonato de Montanha todo. Ficaram por conhecer algumas rampas, pois foram canceladas, devido ao covid. Em relação às que fiz, sinto-me Muito Satisfeito com os resultados.

A pandemia deu-te a volta aos planos?

AR: Aos planos não, porque o plano era o CPM, tendo realizado todas as provas. 

Está previsto para o futuro participações em outras modalidades? Velocidade, Rally ou outras?

AR: Para já quero focar-me no Campeonato de Montanha. Quanto ás outras modalidades, só o futuro o dirá, até porque, já participei numa prova do troféu C1, no Estoril e já dei uma perninha no ambiente de rally, participando como carro 000, no rally de Meão Frio.

Onde gostavas de chegar, no desporto automóvel?

AR: Neste momento, claro Campeão da Montanha, mas também gostava de conduzir um F1… Irei até onde a sorte, o conhecimento, o apoio, a amizade me deixar ir. Uma coisa é certa, gostava de me tornar cada vez mais rápido e por mérito me tornar campeão.

DT: Como nasceu o gosto pelo desporto automóvel?

Desde pequeno, que sempre gostei de velocidade, só que nunca tinha tido oportunidade de experimentar um carro de competição. Quando surgiu essa oportunidade, não exitei… E aqui estou!

Fazes parte da NJ Racing, mas és assistido pela FR Power. O porquê desta escolha?

AR: A NJ racing é uma equipa neste momento de 4 pilotos, no qual 3, já tinham uma empresa no qual prestava assistência aos seus carros. No meu caso, o BRC pertence á FR Power e por isso , nada melhor do que eles para tratarem do carro. Em Portugal a FR Power á a assistência com mais conhecimentos em protótipos CM. Algo que comprovei por mim, como pela opinião de vários pilotos.

Quem é o teu ídolo?

AR: Será sempre o ícone Ayrton Senna!

O Mitsubishi Lancer EVO ou o BRC?

AR: Para mim o BRC. Tem mais aceleração, mais rápido nas travagens, maior sensação de velocidade, o som do motor, Rápida mudança de velocidades….sentir que deixei de estar sentado no sofá, para ser eu a conduzir as máquinas que via na tv.

Estava nos teus planos ou no teu pensamento chegares ao vice-campeonato absoluto?

AR: Nos meus planos estava fazer e acabar todas as provas do Campeonato de Montanha, estando sempre consciente dos meus limites. No meu pensamento, estava algum dia alcançar o pódio. Sinto-me Feliz, pois consegui chegar ao Pódio Absoluto da Geral, neste caso terminando como, Vice-Campeão Absoluto da Geral.

A tua rampa favorita?

AR: A Rampa de Santa Marta, é a Rampa da casa, pena este ano não a ter feito com o BRC. É uma rampa técnica, com muros de xisto como limitadores, que nos impõem respeito, tem um início rápido seguindo-se uma sucessão de curvas e contra- curvas até ao final. Mas dentro do BRC, gosto de todas.

Gostavas de correr em Vila Real ?

AR: Gostava muito de correr em Vila Real.  Sempre que penso no circuito de Vila Real, penso que é algo que me falta fazer. Talvez pela história que este circuito tem, pelo facto de ir ver as corridas quando era criança e que pensava que também gostava de lá andar. Quem sabe… Pode ser que algum dia apareça essa oportunidade.

Qual foi, até agora, o teu adversário mais difícil?

AR: O meu maior adversário até agora foi a adaptação ao carro e o conhecimento das pistas.

Planos para 2021?

AR: Fazer o Campeonato de Montanha 2021, tentando classificar-me o melhor possível. É claro, que o pódio será sempre o meu objetivo final. Vamos tentar…

Queres deixar aqui os teus agradecimentos a alguém?

AR: Quero agradecer em especial à minha família. À Sandra ( minha cara metade), por estar sempre presente, por todo o seu apoio, motivação antes e durante as rampas, por toda a logística extra corrida . À Beatriz e Carolina ( minhas filhas), por todo o carinho que me dão antes de cada subida. Aos meus amigos e companheiros da NJ racing, pela oportunidade e confiança em mim. Por estarem presentes, mesmo quando estiveram ausentes. Agradecer ao Professor Dr.  Joaquim Amândio dos Santos por todo o seu profissionalismo. Um Obrigado Especial, ao nosso amigo, Bruno Pereira!

Agradeço ainda aos meus patrocinadores, pois sem eles não era possível:

Câmara Municipal da Régua, Câmara Municipal Santa Marta de Penaguião, Okpneus, Vila Real, The River, Restaurante Peso da Régua, Maria Rapaz, Publiserv, Habipenaguião, Nicole Martins,100HECTARES, DouroCharme, Boutique da Rua, i9auto, Cyber Shot, Restaurante Santo António, OÁSIS HOTEL, Sapataria CAROCHA GOLD, Gongas EVENTOS, Susana Pinto Seguros, AlfaiDouro, Parcial Decimal, Restaurante Santa Marta, Régua Frio, MultiOpticas Oliveiras, Farturas Pinto, OPTICALIA Amarante, VMOTORES e Loja do incrível.

Obrigado António Rodrigues, por teres aceitado o convite para esta entrevista ao Desportivo Transmontano. Desejamos a melhor das sortes para a tua vida pessoal, profissional e desportiva.

Fotos: KiNSE

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