Luís Miguel Saraiva: “disciplina, empenho, e persistência são os valores que melhor me caracterizam”


O atleta aguiarense Luís Miguel Saraiva, recente vice-campeão nacional de estrada e vice-campeão da Europa, abriu as páginas da “receita” para o sucesso, em entrevista ao Notícias de Aguiar.

Abraçaste o mundo do desporto com uma bola nos pés, mas rapidamente percebeste que o caminho a seguir era outro. Como é que deste o salto do futsal para o atletismo?

Não foi rapidamente, uma vez que já quando andava na escola fiz um ou dois Corta-Mato escolares, tendo inclusive, ganho um a nível regional. Nessa altura, já me tinham alertado, para me iniciar no atletismo, uma vez que tinha boas características. Mas sempre, fui mais ligado ao futsal, e verdade seja dita, correr era algo que não me agradava muito. Até que em 2016, comecei a fazer algumas provas, por lazer, com amigos, e a verdade é que fazia bons resultados, tendo em conta que não treinava para aquilo. Apenas corria 1 ou 2 vezes por semana. Esses resultados foram ficando na minha cabeça, e acreditava que com um pouco mais de dedicação ao atletismo poderia alcançar coisas “bonitas”. E foi então que decidi arriscar, no atletismo, como já disse outras vezes, às cegas, e ver no que poderia dar.

Entraste na modalidade em 2016 e, em menos de quatro anos, já alcançaste grandes títulos. Qual é a tua receita para o sucesso em tão pouco tempo?

Esta “receita”, como em todas as outras, requer vários “ingredientes”. E só a dose certa de cada um deles, nos pode levar ao sucesso. Disciplina, rigor, empenho, dedicação, persistência, são alguns dos valores que melhor me caracterizam, e que para mim acabam por ser mais importantes. Claro que depois, existe mais (muito mais) para além do trabalho que se faz no terreno, como a nível de nutrição, a nível de reforço muscular, no que toca ao repouso/descanso, e muito importante a nível psicológico. A minha receita, passa muito por encontrar a minha rotina, dentro destes parâmetros, de forma a levar-me ao sucesso.

Sentes que transportas contigo a garra e a força de vontade que caracteriza os transmontanos?

Sim, também me revejo nessa característica, das gentes da nossa região.

Qual foi a prova que te marcou mais até aos dias de hoje? E porquê?

Felizmente ao longo destas temporadas, fui tendo sempre motivos para sorrir, mas diria que aquela que mais me marcou pela positiva foi, sem dúvida, o Campeonato da Europa de Corrida em Montanha, onde me sagrei vice-campeão da Europa. Para já, ser vice-campeão da Europa, é logo um motivo de grande felicidade. No meu caso, tornou-se ainda mais especial, uma vez que foi na minha primeira temporada. Teve um impacto tremendo na minha forma de ver o atletismo e aquilo que poderia fazer nos anos seguintes. Foi sem dúvida um feito sensacional.

Consegues descrever qual é a sensação de atravessar a meta nos primeiros lugares?

É sensação de dever cumprido. É verdade que já tive provas em que venci e mesmo assim não terminei satisfeito comigo mesmo, mas isso já depende dos objetivos que tenha traçados para cada prova. Em suma, é sensação de alegria por vermos o nosso esforço diário, ser recompensado naquela prova.

E nos últimos meses, devido à pandemia da covid-19 e ao confinamento obrigatório, como é que treinavas e como é que vão ser os próximos tempos?

A pandemia, acabou por nos abalar a todos de uma forma ou de outra. No que toca aos treinos acabei por não parar. Primeiro porque treino sempre sozinho e depois porque na nossa zona temos sempre alternativas para treinar e fugir a possíveis ajuntamentos. Como disse, não parei de treinar, mas numa fase inicial acabei por reduzir em termos de volume de treino ou intensidade, dos mesmos. Em relação a provas apenas há cerca de 3 semanas se começou a fazer algo aqui em Portugal, mas na minha especialidade (meio-fundo), apenas no sistema de contrarrelógio.

(…)

Entrevista de Daniela Parente, publicada originalmente no jornal Notícias de Aguiar, de 14 de julho.

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