Juventude de Pedras Salgadas prepara 8ª época consecutiva nos nacionais


No panorama futebolístico nacional, foi dado por concluído, de forma inesperada, o Campeonato de Portugal (CP), tal como todas as restantes provas, exceto a Primeira Liga. Jorge Barroso, presidente da direção do Juventude de Pedras Salgadas, recordou o período de indefinição após o início da pandemia e fez o balanço da época.

A 15 de marco, o Pedras Salgadas ia jogar, pela segunda vez na época, na Madeira, depois do empate a uma bola, em fevereiro passado, com o União. “Viajei quinta-feira anterior para o Funchal, já com a perspetiva de o jogo se realizar à porta fechada. Já no aeroporto recebi um comunicado da FPF sobre a suspensão do campeonato. De imediato anulei toda a logística (hotel, restaurante, autocarro, etc.) da comitiva que seguiria sábado de madrugada, bem como a reserva para o jogo com o Marítimo B, a terceira deslocação à Madeira por altura da Páscoa. Regressei domingo à noite depois de ter receado que os voos para o continente fossem suspensos”, recordou o dirigente.

A 9 jornadas do fim, o CP foi dado como concluído, numa altura em que o Pedras lutava pela manutenção. Jorge Barroso estava confiante que a equipa ia conseguir o objetivo. “Acredito que logo nas duas jornadas seguintes estávamos fora dos lugares de descida. Estávamos em crescendo na segunda volta. Tínhamos empatado com Fafe em Guimarães e Bragança. Vencemos o Cerveira e o Oliveirense. Tínhamos um bom calendário pela frente e estava absolutamente confiante que iríamos conseguir a manutenção sem sobressaltos”, referiu.

Sobre a evolução da equipa, referiu: “tivemos de começar com um plantel praticamente novo, com apenas dois jogadores da época anterior e também muito jovem, mas que foram gradualmente evoluindo. Tivemos o apoio do Vizela, que subiu à Segunda Liga, com o empréstimo de quatro jogadores que foram muito úteis. Depois fica também a melhor prestação na Taça de Portugal em que chegamos à 4ª Eliminatória e só saímos no desempate por grandes penalidades. Também nas camadas jovens tivemos ótimas prestações e lamentamos a interrupção porque nos Juniores iríamos jogar na Portelinha o apuramento para a final da Taça Distrital”, acrescentou.

Campeonato de Portugal será reformulado

Neste entretanto, a FPF apresentou a reformulação do Campeonato de Portugal. Jorge Barroso defende a “mexida”, mas não nos modelos apresentados. “Concordo genericamente com a subdivisão em duas competições, porque estava a verificar-se uma desigualdade muito grande em cada série, principalmente entre clubes profissionalizados e os amadores. Assim, os mais fortes terão possibilidade de competir num escalão superior (3ª Liga) e os restantes no CP”, disse.

O dirigente defende que se trata de um campeonato que “vinha a ser tremendamente difícil em termos de sustentabilidade”. “Nós pagamos muitos os custos da interioridade, já que temos de recrutar grande parte do plantel fora da região e isso implica imenso as despesas de transporte, alimentação e alojamento, com um orçamento muito inferior aos dos clubes mais a litoral. Os custos logísticos absorvem parte substancial do nosso orçamento e ainda desta época finda com as viagens à Madeira foi ainda mais complicado. Neste momento, estamos à espera de ser reembolsados em 13 mil euros em bilhetes de avião. Por isso, apoio esta remodelação do campeonato”, disse.

Com um defeso que se prevê longo, com o início ainda por definir, já há clubes a preparar a próxima época. E o Juventude? “O que se segue, tal como os estatutos do clube preveem, é marcar a Assembleia de Sócios, fazermos o balanço da época anterior, apresentarmos contas e elegermos corpos sociais para o próximo mandato. Contudo, sabemos que já há clubes a preparar o plantel para a próxima época. Na nossa região, curiosamente, vejo que os clubes mais adiantados nesse aspeto são dos distritais. Claro que, mesmo sem data para começar o campeonato, a vida do clube não para”, continuou.

Clube está a preparar alojamentos para jogadores

E nem tudo é futebol. Antes do início da época passada, o clube investiu cerca de 30 mil euros numa unidade de alojamento para jogadores, no edifício norte do estádio, com três quartos, cozinha e duas instalações sanitárias, onde os atletas já ficaram durante a época. Segue-se, agora, uma ampliação para mais dois quartos… resultado: uma mini-academia.

Sobre as questões relativas e equipa sénior, o presidente do Pedras Salgadas anunciou uma parceria, válida para as próximas duas épocas, com um clube de Liga Profissional, com quem está previsto receber um forte apoio técnico, abrangendo o empréstimo de um conjunto de jogadores jovens.

Espera-se, por isso, que o clube parta para a próxima época com um plantel mais forte. “Vamos, praticamente, partir novamente do zero em termos de estruturação do plantel sénior, já que prevemos apenas manter 4 ou 5 jogadores da época passada, mas desta vez com a garantia de que os jogadores vêm do mesmo clube e em número considerável, entre 12 e 15 elementos. Bem gostaríamos de renovar com mais alguns jogadores, mas receberam propostas de clubes com outras possibilidades”, explicou.

Tudo indica, ainda, que a equipa técnica se mantenha. “No início das conversações com o clube que nos vai acompanhar nas próximas épocas, esse foi o primeiro ponto, e também porque o trabalho desenvolvido pelo treinador foi acompanhado pelo nosso clube parceiro, decidimos convidá-lo a ficar. A equipa técnica será então da responsabilidade de Ricardo Teixeira, renovada e acrescentada de um treinador adjunto”, sublinhou.

Relativamente à próxima época, e sobre a pandemia de COVID-19, que poderá ter impacto no CP, Jorge Barroso acredita que, além do começo tardio do campeonato, as condicionantes serão diversas. “O nosso recinto, há dias vistoriado peja FPF, cumpre os requisitos mínimos no que referente a praticantes, contudo os jogos poderão ter de ser jogados à porta fechada, o que se traduz numa situação estranha para os nossos adeptos e de grande prejuízo para o clube. Espero que esta situação evolua de uma forma favorável”, considerou, por fim.

Filipe Ribeiro

Artigo publicado, originalmente, na edição nº 286, de 23 de junho, do Notícias de Aguiar.

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