Glórias do futebol: “Totói” lenda do futebol de Tomar

Totói como era conhecido pela sua ligação ao futebol, primeiro como jogador nas décadas de 60 e 70, e depois como treinador, tendo-se destacado sobretudo no União de Tomar, onde treinou centenas de atletas de vários escalões. António Eduardo Fortes “Totói”, natural de Mindelo, ilha de S. Vivente (Cabo Verde), onde nasceu em Novembro de 1938, alinhou oito épocas no União de Tomar, de 1964 a 1972, proveniente do Peniche, tendo disputado 44 jogos pelo clube na I Divisão (1968/69, 1969/70 e 10971/72, marcando 3 golos.

Fez também parte da equipa do União que garantiu as subidas à I Divisão em 1967/68 e em 1970/71 (participando em 39 jogos), tendo-se sagrado igualmente Campeão Nacional da III Divisão (1964/65), Jogou igualmente no principal escalão do futebol português. Ao serviço do Lusitano de Évora (1961/62). Posteriormente, militou ainda (entre 1972 e 1977) em clubes como o Tramagal, Fátima, Marrazes e Matrena, nos últimos casos já na condição de treinador-jogador.

No discurso da sua careira, foi igualmente treinador do União de Tomar no escalão de seniores (nas épocas de 1995/96 e 2001/02), assim como a nível das camadas jovens. Ao longo de vários anos orientou a equipa de veteranos do União, Também, fundador da Escola de Futebol de Tomar foi responsável pela formação de várias gerações de jovens futebolistas.

Totói um dos símbolos maiores da mística unionista. Foi figura de grande relevo em alguns dos jogos mais importantes da centenária história do União de Tomar.

Desde logo, a 11 de Julho de 1965, no Estádio Municipal de Coimbra, na Final do Campeonato Nacional da III Divisão (1964/65), ante a Ovarense, tendo sido autor, já no prolongamento, de um dos golos que proporcionara ao União (vencendo por 3.1) a conquista do seu primeiro título nacional.

Antes, nessa mesma temporada, a 13 e Junho de 1965, tinha marcado o decisivo 10º golo na goleada de 10-0 (a segunda mais dilatada vitória de todo o historial do clube, após os 13-1 com que batera o Alcanenense em 1942/43) com que os unionistas venceram o Vitória de Lisboa, tento determinante para as contas do apuramento para a fase final da III Divisão e subsequente promoção à II Divisão.

No dia 21 de Abril de 1968, Totói marcou também um golo num jogo que ficaria “gravado a ouro” no palmarés do União de Tomar, num desafio em Torres Novas, no qual o triunfo nabantino (2-1) permitiu garantir de forma matemática – ainda com quatro encontros por disputar – o 1º lugar na classificação e a consequente histórica premir subida à I Divisão Nacional.

Depois da final de 1965, Totói alinhou também na Final do Campeonato Nacional da II Divisão, a 13 de Junho de 1968 no Estádio do Restelo, ante o Atlético, que os tomarenses perderiam por tangencial 3.2 (com um golo do seu irmão gémeo João Eduardo Fortes “Djunga”). Totói integrou igualmente a equipa que fez a estreia do União da Taça de Portugal, a 7 de Novembro de 1965, no Estádio do Restelo, ante o Belenenses, marcado também um dos golos, da igualdade a 2-2 que se registava no final do tempo regulamentar, tendo a resistência nabantina sido quebrada apenas no prolongamento.

Nas três temporadas que disputou na I Divisão, com as cores do União de Tomar, destacam-se, em especial, os seguintes jogos: vitória frente ao Sporting, por 2-1 em 22/09/1968; empate 1-1 em Alvalade, com o Sporting (21/01/69); empate 2-2 no Estádio das Antas, com o FC Porto (30/03/69); empate 2-2 no Restelo, com o Belenenses (15/09/68): vitória frente ao Belenenses, por 2-1 (12/04/70); e duas vitórias frente ao V. Guimarães, poe 3-1 (6/10/68) e por 3-2 em 21/05/72.

Totói marcou três golos na I Divisão, pelo União de Tomar, frente ao V Guimarães (6/10/68 – vitória por 3-1), Académica (17/11/68 – vitória por 2-1) e V. Setúbal (8/02/70 – derrota por 1-2).

Orlando Fernandes (Jornalista)

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