Girabola “A alegria do povo”

Angola, país maravilhoso de paisagens de uma estética lindíssima e um povo caloroso, já passou por anos dolorosos, tempos infernais devido à guerra, no entanto, apenas uma coisa fazia silenciar as rajadas das armas, era simplesmente o maravilhoso FUTEBOL, era a alegria do povo e a liberdade do momento, era a união de um povo e de gerações, tudo parava e o respeito entre todos era total.

Com a Pandemia as dores voltaram, “a alegria do povo” parava, o sustento de muitas famílias virou quase nulo e nos estádios ouvia-se um silêncio abismal que ninguém queria, muito menos eu, tinha acabado de ter uma oportunidade de ouro, ser treinador principal de um gigante de Angola e tudo isto tinha de acontecer? Mas como ser resiliente e acreditar sempre. Aproveitei o tal silêncio das bancadas e sentei-me horas a fio a olhar para o tapete verde, desde o topo da bancada. Refleti, imaginei, sonhei e concluí que mal o G.D. Interclube voltasse a treinar iriamos fazer a diferença, iríamos ser felizes e iríamos trabalhar todos em conjunto para que a “alegria do povo” e mais concretamente a Nação Azul do Interclube tivessem orgulho naquilo que iríamos fazer dentro do campo. Horas a fio a olhar para dentro do campo e a questionar-me: mas como líder como é que farei isso? O que treinar? Como motivar atletas de um gigante que não ganha o campeonato desde 2010? Pois bem. Essas horas a fio a olhar para o “nada2 dentro do relvado surtiram efeito. Não digo isto simplesmente pelo fato de estarmos no 1º lugar, de termos das melhores defesas e ataque, de termos o melhor marcador do campeonato, de voltarmos a ter atletas na seleção nacional, mas sim porque voltamos a ser felizes, a fazer o que amamos, a devolver a alegria do povo e a voltar a sustentar as famílias. Parece fácil não é?, Pois bem, mas não é bem assim, enquanto uns falarão em sorte eu direi resiliência e saber, enquanto uns procuravam estrelas para fechar os plantéis, nós procuramos apenas descobrir formas ideais para o sucesso do clube e
resumidamente passou apenas pela reorganização de todos os gabinetes que nos rodeavam e principalmente no arranjar formas de fazer acreditar no jovem plantel que iríamos utilizar metodologias de treino que eles não estavam habituados, nunca o tinham feito e era para muitos inadequado para o futebol africano, um risco ainda para mais para mim que assumia um cargo para o qual estudei durante 20 anos. Não sei nem posso dizer se vamos conseguir manter mas uma coisa já conseguiram como equipa, foi acreditar no dito impossível, no acreditar que são únicos e originais no futebol que praticam e esse mérito nunca ninguém lhes poderá retirar.

Em suma, nós como seres humanos devemos acreditar no que pensamos e podemos atingir e nunca no que os outros poderão acreditar ou pensar, não ter receio de arriscar e se é para fazer igual aos demais, mais vale estar quieto.

Passamos momentos complicados devido à Pandemia mas devemos sempre pensar e acreditar que voltaremos a sorrir como loucos e que a liberdade social voltará.

Desde Luanda, capital eletrizante mas lindíssima um enorme abraço aguiarense, até breve e SEJAM FELIZES!!

Ivo Campos (Treinador do Interclube – Angola)

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