Futebol Feminino: entrevista a Andrea Neves

Futebol

“Nunca me vou esquecer do momento em que fui convocada para a Seleção Portuguesa”

Andrea Neves, atleta nascida na Alemanha e filha de emigrantes naturais de Vila Pouca de Aguiar, é guarda-redes de futebol sénior e já arrecadou vários títulos, não só na Europa, mas também no continente americano. A jovem de 22 anos já representou a Seleção Portuguesa de Futebol Feminino e, em entrevista ao Notícias de Aguiar, confessou que os sonhos passam agora pelo futebol profissional em Portugal.

O percurso

“Comecei a jogar à bola com sete anos numa equipa de rapazes que se chamava TUS Berne, na Alemanha. Depois de jogar quatro anos aí, fui para uma equipa de raparigas que era o Farmsener TV. Foi aí que percebi que queria ser guarda-redes em vez de avançada. Essa equipa foi a equipa em que evolui mais. Com 17 anos, consegui ir para a melhor equipa em que joguei na Alemanha que era o Bramfelder SV onde ganhamos o primeiro ano e subimos para a segunda divisão. Depois de acabar a escola, tive a oportunidade de ir para os Estados Unidos da América jogar e estudar. Foi a melhor oportunidade da minha vida para o futebol e para a minha carreira ao lado do futebol. Com 19 anos fui para o Texas jogar num “Junior College” que se chamava Tyler Junior College (TJC). Com essa equipa aprendi muita coisa! Conseguimos ser campeãs nacionais no ano 2017 e, nesse ano, também consegui ganhar a All American e MVP dos nacionais. No meu segundo e último ano no TJC a minha equipa também conseguiu chegar à final dos nacionais, mas perdemos depois e ficamos em segundo, que também é uma boa qualificação. No ano 2018, consegui ganhar outra vez a All American na segunda equipa. Em 2019, tive que mudar de universidade e decidi ir para a universidade que joga na primeira divisão da NCAA, que se chama California State University Bakersfield (CSUB)”.

A ida para os Estados Unidos da América

“Uma decisão dessas nunca ia ser fácil! Eu ia deixar tudo na Alemanha sem saber o que ia acontecer nos Estados Unidos. Os meus pais e toda a minha família sempre me apoiou em todas as minhas decisões. No início tive muito medo de fazer essa mudança, mas, graças à minha família, eu sabia que a conseguia fazer e que nunca ia estar sozinha.

Quando cheguei aos Estados Unidos não tive muitos problemas. A única coisa que foi difícil foi o facto de não estar perto da minha família para desabafar ou só para falar. Pensei que ia ser muito mais difícil para mim, mas a minha equipa e as amigas que fiz lá ajudaram-me muito. Na universidade, primeiro tive problemas com o inglês, porque tive medo de falar, mas depois de algum tempo fiquei mais confortável e abria-me mais com as pessoas e nas aulas. No futebol, a coisa mais difícil e diferente é a parte do fitness. O futebol lá é mais rápido e mais focado em ser forte e rápida, coisas em que nunca trabalhei muito, mas a minha equipa teve muitas internacionais que estavam como eu então ajudou-me muito o facto de trabalharmos juntas”.

Convocatória para a Seleção Portuguesa de Futebol

“Foi um sentimento que não consigo explicar. Fiquei muito orgulhosa por ser chamada, mas, agora, o meu próximo objetivo é um dia jogar mesmo pela seleção principal. Sempre foi o meu sonho vestir a camisola para representar o meu país, então essa convocatória foi só o começo do meu objetivo. Sempre disse que se eu fosse escolher uma seleção ia sempre escolher a seleção portuguesa porque de coração sou portuguesa e sempre quis representar o meu país de coração!”

Ponto alto da carreira

“O momento que sempre me marcou foi quando fui chamada para a seleção portuguesa pela primeira vez nas sub-17. Sempre quis chegar à seleção, mas nunca pensei que ia conseguir, então, quando fui chamada, foi a primeira vez que percebi que se trabalhar duro consigo conquistar os meus sonhos. Tive muitas pessoas que não acreditavam em mim e que sempre disseram que não ia chegar longe, por isso, quando consegui chegar mais perto do meu objetivo de jogar de forma profissional, comecei a acreditar em mim como a minha família sempre acreditou. Nunca me vou esquecer desse momento na minha vida!”

O segredo para o sucesso

“Não tenho nenhum segredo. A única coisa que eu nunca fiz foi desistir do meu sonho. Mesmo com lesões ou com pessoas a dizer que eu não sou boa e nunca vou longe com o futebol, nunca perdi o meu foco em chegar ao meu objetivo. Nunca parei de acreditar e de trabalhar para isso. A mente tem que ser muito forte para conseguires ter sucesso, mas também ainda não cheguei onde quero chegar e ainda tenho que trabalhar muito para conquistar o meu sonho. Cada pessoa tem o seu caminho e todos os caminhos são diferentes para todas as atletas.”

O futuro

Não sei onde quero estar daqui a muitos anos, mas sei onde quero estar no próximo ano. Quero jogar num patamar profissional numa equipa em Portugal para estar mais perto de chegar à seleção A. Depois vou ver como vai correr o meu tempo aqui.”

Por: Daniela Parente

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