Futebol Distrital nos Cuidados Intensivos

Um guia para que todos os agentes do futebol distrital possam ser profissionais no amador, durante o período de confinamento, e possam voltar o mais fortes possível, quando o regresso da competição for uma realidade.

O futebol distrital vive dias negros: os problemas de faltas de receitas da parte dos clubes (por falta de receitas de cotas dos associados, por falta de receitas de bilheteiras, por falta de apoios) e isso já trouxe problemas aquando da preparação desta época desportiva, e cada um vai (sobre)vivendo como pode.

A pandemia gerou um ciclo vicioso de problemas para o futebol distrital, que nos últimos anos dava passos sustentáveis para a sua profissionalização, e pode voltar ao antigamente, onde se jogava mais por amor à camisola e ao jogo. Esta época tivemos equipas com orçamentos mais baixos, não há futebol de formação, não há injeção de dinheiro da parte dos adeptos, e os apoios escasseiam, principalmente os apoios dos municípios, que ainda continuam a ser o maior “patrocinador” dos clubes. Tudo isto gera menos investimento de jogadores, em equipas técnicas, no departamento médico e em outros “luxos” que até à data se começavam a tomar como normais (investimentos em material de treino, em material para ajudar os atletas a recuperar, em material audiovisual para os clubes, em refeições pré e pós jogo em restaurantes, etc).

O primeiro confinamento trouxe aprendizagens aos agentes do futebol, a todos os níveis, pelo que de seguida deixo aqui algumas sugestões desportivas, financeiras e logísticas para dirigentes, treinadores (e outros elementos de equipas técnica), para a Associação de Futebol de Vila Real e até para os adeptos deste jogo que tanto nos apaixona, e que é no futebol distrital que ainda vive a sua essência.

Começando pelos treinadores, deixo aqui algumas sugestões para manterem os atletas ativos e sem perderem as noções básicas da forma da equipa jogar: fornecer planos para manterem a atividade física, de forma coletiva ou individual; marcar 1-2 reuniões semanais (pelo Zoom por exemplo) onde cada jogador segue “in loco” o seu treinador em exercícios de força, mobilidade articular ou prevenção de lesões; análise em vídeos dos treinos e dos jogos realizados e enviar pequenos vídeos (ou imagens) coletivas e individuais aos atletas, aproveitando para analisar possíveis adversários, tudo isto para que a readaptação seja melhor; fornecer um plano alimentar (ou as diretrizes gerais) para que não tenhamos atletas com excesso de peso no regresso aos treinos; mostrar aos atletas programas de prevenção de Lesões (“Fifa 11+” é um dos melhores e serve para Séniores e para a Formação); promover por fim atividades grupais, à distância, promovendo clima de espírito de grupo. A manutenção e a monotorização de todas as atividades, assim como o bem estar dos atletas devem ser constantemente regularizado, via telefónica, mensagem, por vídeo e em último caso por Questionários de Bem Estar.

Aos jogadores deixo o repto de se manterem ativos e que sigam as instruções dos seus treinadores (se possível as mesmas que foram acima explicadas). Peço que não se isolem socialmente (telefonem a amigos, a colegas, aos treinadores, etc), mantenham-se ativos, procurem fazer uma alimentação saudável e equilibrada e que tentem cumprir as horas de sono. Embora possam ter os vossos empregos e sujeitos a esforços diferentes, com condições diferentes, estas são as linhas gerais para cada um e estão ao alcance de todos.

Aos dirigentes procurem patrocínios, tentem pagar a toda a equipa e ao staff de apoio (nunca lhe prometam o que não podem cumprir e não lhes mintam em nenhum momento, pois neste momento de crise, para algumas pessoas “o dinheiro da bola” pode ser um extra que fará a diferença no orçamento familiar de cada um. Repito: não lhes mintam e se prometerem..paguem!). Procurem apoios, façam apelos a patrocinadores, peçam ajudas. Procurem saber também o estado dos atletas, equipas técnicas e staff e não os abandonem. No caso da formação, procurem saber junto dos mais jovens como estes se encontram, e respetivas famílias. Procurem saber como estão os estudos e as relações entre estes, e que esta pandemia sirva para aprendermos que por vezes, num clube faz mais falta um bom departamento médico e social, do que mais 2-3 jogadores. Invistam num bom médico, num fisioterapeuta, num Nutricionista e num Psicólogo. São mais valias decisivas dos petizes aos seniores.

À Associação de Futebol de Vila Real deixo o repto: voltem a cortar nas várias taxas aos clubes, voltem a fornecer apoios e materiais aos clubes como fizeram no inicio da época, reformulem os quadros competitivos e o mais importante dos apelos: façam a máxima força para que haja testagem, nem que seja com testes rápidos, pois só isso trará alguma segurança ao futebol e afaste alguns fantasmas ainda presentes. Apoiem a Formação como puderem: façam atividades em casa para os miúdos fazerem em casa como fizeram em Abril, promovam ações de formação para miúdos, imponham aos clubes Psicólogos e Nutricionistas e vistoriem os mesmos (que têm tendência para mascarar todo o processo de Certificação).

Aos adeptos, que tanto anseiam voltar ao estádio, somente deixo 2 pedidos: paguem cotas nos clubes e participem nas lotarias/jogos dos mesmos e mostrem o vosso apoio ao clube nas redes sociais e para com os atletas, mostrem que estão desejosos de os ver e de gritar por eles. Façam-no em vídeo ou por mensagens nas redes sociais, às vezes é nestes momentos que os clubes mostram a sua dimensão!

A todos o mesmo apelo, protejam-se e sigam as normas da DGS. E que o futebol distrital, que tão mal de cuidados está, volte a ser o nosso futebol, aquele onde todos um dia sonhamos ser heróis do clube da nossa terra e que ainda nos vão vibrar a cada domingo, lembrando tempos antigos e fazendo esquecer os problemas da nossa vida. Pelo menos durante 90 minutos.

A máquina vai ligar-se e vamos ter alta em breve! Cuidem-se!

Diogo Castela (Treinador de futebol)

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