Fazer o balanço possível de uma temporada atípica onde competem as equipas aguiarense

O futebol é um mundo repleto de emoção mas a pandemia que paralisou a sociedade, parou também praticamente todas as competições em Portugal, incluindo aquelas onde competem as equipas aguiarenses.

Primeiro as competições futebolísticas nacionais foram suspensas provisoriamente mas depois as entidades oficiais acabaram por dar por terminada a temporada 2019/2020 e se a Liga NOS ainda vai regressar nos primeiros dias de Junho, o mesmo não se aplica ao resto das competições nos seus diversos escalões. Posto isto o balanço a fazer acaba sempre por ter um sabor amargo em especial porque o futuro ainda é um lugar incerto.

No concelho de Vila Pouca de Aguiar, o Juventude de Pedras Salgadas compete na Série A do Campeonato de Portugal e quando a competição foi suspensa, ocupava o 14º lugar com 26 pontos. Muitas pessoas ainda pensaram que a competição poderia ser retomada mas em entrevista à RCA, Jorge Barroso o Presidente do clube ficou com a sensação de que a competição poderia não retomar o que veio a acontecer.

O 12º e 13º classificados (SC Mirandela e União da Madeira respetivamente) estavam com 30 pontos, mais 4 do que o Juventude de Pedras Salgadas e faltando 9 jornadas para o fim, Jorge Barroso acredita que a turma da Vila Termal iria conseguir alcançar a manutenção “Dentro do terreno”. Os prejuízos económicos desta crise pandémica já afetam a sociedade e no futuro a situação poderá piorar sendo que o futebol não escapa a essa realidade. Jorge Barroso estima em vários milhares de euros os montantes de receita que não entraram ainda nos cofres do clube, fruto da conjuntura que se vive, mesmo tendo em conta que uma parte da despesa também diminuiu.

O Campeonato de Portugal sofrerá grandes alterações já a partir da próxima temporada e durante os próximos anos (ver link abaixo). Serao criadas mais séries na próxima época e o CP terá mais equipas e em 2021/2022 será criada a III Liga (designação provisória). As alterações segundo Jorge Barroso serão benéficas pois isso poderá permitir que o Campeonato de Portugal se torne menos desigual pois na opinião do dirigente, atualmente nas diferentes séries, existe um fosso entre as equipas da primeira metade das tabelas e as restantes. Pode consultar as futuras alterações ao Campeonato de Portugal em: https://www.desportivotransmontano.com/revolucao-no-futebol-portugues-fpf-cria-iii-liga-em-2021-22/

O Juventude de Pedras Salgadas possui vários escalões jovens e Jorge Barroso confessa que foi com tristeza que os mais novos receberam a notícia da paragem das competições, exemplificando com a equipa de juniores que no Campeonato Distrital de Juniores A, estava no 3º posto e na Taça Distrital do mesmo escalão, recebia em casa o SC Vila Real nas meias finais.

Ainda assim nesta temporada o Juventude de Pedras Salgadas fez história na Taça de Portugal ao chegar à 4ª Eliminatória da prova onde foi eliminado em casa pelo CF Canelas 2010 nas grandes penalidades por 5-6. A turma do concelho aguiarense nunca tinha chegado tão longe na prova o que orgulha Jorge Barroso.

Na Divisão de Honra da AFVR o Sabroso SC ocupava esta temporada o 16º lugar com 11 pontos, quando ainda tinha 12 partidas por disputar, e na opinião do seu presidente Álvaro Magalhães, a AFVR teve um comportamento correto no que respeita ao cancelamento da competição. O Sabroso SC fez no Mercado de Inverno uma pequena restruturação, entraram alguns jogadores e passado pouco tempo chegou uma nova equipa técnica e o presidente do clube tem a firme convicção de que se a paragem fosse de algumas semanas, o clube poderia voltar mais revigorado, subir alguns lugares na tabela e “Terminar a época com mais motivos para sorrir”.

Álvaro Magalhães sempre vai lamentando os valores perdidos devido à falta de receita dos dias de jogo e dos patrocinios que não foram recebidos embora reconheça que com o futebol parado as despesas também diminuem, e já quanto à preparação da próxima época, faz um compasso de espera pois o clube nos próximos meses passará pela marcação de eleições para a direção, o que naturalmente deixa o futuro em suspenso, mas Álvaro Magalhães nesta presente incerteza, afirma que se for reeleito, “O mister Kasongo (atual técnico) será o nosso treinador”.

No que diz respeito aos escalões jovens do clube, a equipa de iniciados do Sabroso SC estava a disputar o apuramento para campeão no Campeonato Distrital Juniores C e Álvaro Magalhães confessa que foi duro para os miúdos o cancelamento da competição, pois diz orgulhoso que se trata de uma equipa de grande qualidade.

A terminar este balanço, o presidente do clube mostra-se convicto de que o futebol distrital será no futuro um desafio ainda maior face à realidade que se vive e que marcará o futuro. A competir na mesma Divisão de Honra da AFVR está o Sport Clube Vila Pouca de Aguiar(SCVPA) que à data da paragem estava no 5º posto a 12 pontos do líder Mondinense FC que de resto foi a equipa indicada para subir ao Campeonato de Portugal visto estar em primeiro lugar.

O clube aguiarense tinha 44 pontos em 22 jogos e jogaria ainda mais 12 partidas, sendo que tinha menos um jogo disputado do que os dois primeiros classificados. Segundo o Presidente do clube, Filipe Nascimento, havia a expectativa de chegar ao segundo lugar da tabela que era ocupado pelo Vidago FC mas perante as circunstâncias, remata dizendo que “A saúde está em primeiro lugar”.

No que toca às quebras de receita, mas também à diminuição dos custos, o presidente dos aguiarenses refere que “Um acaba por compensar o outro” e no que diz respeito às camadas jovens, Filipe Nascimento compreende que será complicado para os jovens que gostariam de ter continuado a competir.

De resto na Taça Distrital de Juniores B o SCVPA recebia nas meias finais o Abambres SC e a equipa de Juniores D Sub 13 aguiarense encontrava-se no apuramento para campeão. A terminar este balanço sobre a época futebolística e desvendando um pouco o futuro, o presidente dos aguiarenses revela que a preparação e planeamento para a próxima temporada está a decorrer partindo do pressuposto de que ela arrancará em condições normais, mas sempre com a noção exata da incerteza do futuro.

Neste balanço e no geral, para os presidentes dos clubes de futebol do concelho aguiarense, a decisão de dar por terminadas as competições foi acertada pois todos concordaram que seria muito complicado continuar as provas, sabendo que no futebol regional e distrital é díficl cumprir os pressupostos de distanciamento social entre os adeptos, de realização de jogos à porta fechada ou de testagem de atletas. Neste balanço fica também a dúvida sobre o futuro pois não se sabe se uma eventual segunda vaga viral poderá parar novamente o país e o mundo, isto aliado ao futuro incerto da economia que mais do que o amanhã, já está a afetar o presente.

Jorge Moutinho

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