Estados Unidos e México dominam a Gold Cup

Na madrugada da próxima segunda-feira, Estados Unidos e México voltam a discutir entre si a conquista de uma competição que dominam há 21 anos.

Os mexicanos investiram forte na conquista da competição. Se excluirmos nomes como Diego Lainez ou Raúl Jiménez (e já nem falo de Chicharito Hernández), o selecionador Tata Martino levou para a Gold Cup uma equipa para vencer toda a concorrência. Assentes na grande experiência competitiva do seu plantel, em que homens como o portista Jesús Corona, o guarda-redes Alfredo Talavera, os defesas Héctor Moreno, Carlos Salcedo ou Néstor Araújo, centrocampistas como Héctor Herrera e Jonathan dos Santos ou o goleador Rogelio Funes Mori têm sido importantes «obreiros» de uma equipa sólida a defender mas demasiado dependente de «rasgos» individuais dos homens da frente para poder criar perigo, o grande desafio para o México é preparar a nova geração para embates duríssimos contra os fortes EUA e Canadá. Edson Álvarez, Orbelín Pineda, Érick Gutiérrez, Hirving Lozano e a jovem «pérola» de nome Efrain Álvarez estão na linha da frente desse futuro próximo, mas é preciso preparar bem a renovação da seleção.

Para os Estados Unidos, ganhar a Gold Cup sem algumas das suas «estrelas» seria «ouro sobre azul» numa campanha que serviu para Gregg Berhalter observar potenciais alternativas para ocupar vários dos lugares para a fase de qualificação para o Mundial do próximo ano. Na baliza, Matt Turner parece ter-se imposto como importante solução, Miles Robinson pode ter ganho pontos na luta por um lugar no eixo da defesa, embora careça de algumas melhorias técnico-táticas, Shaq Moore deixou para trás o boavisteiro Reggie Cannon como alternativa a Sergiño Dest na lateral-direita, Sammy Vines mostrou bons apontamentos a atacar pela esquerda, e do meio-campo para a frente, se jogadores como Kellyn Acosta, Paul Arriola, Gyasi Zardes, Cristian Roldán ou Sebastian Lletget já são opções regulares, muita atenção a nomes como os centrocampistas James Sands, Gianluca Busio e Nicholas Gioachhini e os empolgantes avançados Matthew Hoppe e Daryl Dike, que confirmam o excelente momento do «soccer» norte-americano.

Outra seleção da CONCACAF que tem razões de otimismo para o futuro é o Canadá. Alphonso Davies, Scott Arfield, Jonathan David ou Milan Borjan não estiveram presentes nesta Gold Cup e mesmo o extremo Cyle Larin só jogou na fase de grupos, mas nota-se a interessante qualidade de processos de jogo de uma equipa que incomodou bastante os mexicanos na meia-final, embora tivesse qualidade para dar outra réplica aos Estados Unidos no seu grupo. Ainda assim, a qualidade do coletivo serviu para valorizar um Stephen Eustáquio que já pede outros «voos» ou um jovem extremo de nome Tajon Buchanan, do qual podeis desfrutar no New England Revolution. Uma palavra para o «capitão» Steven Vitória, cada vez mais indiscutível para o selecionador John Herdman no eixo da defesa.

Excluindo o Qatar, que esteve nesta prova por convite, duas outras seleções voltaram a mostrar regularidade de resultados após terem estado na «final-four» da Liga das Nações da CONCACAF – Costa Rica e Honduras. Os costa-riquenhos mostraram na vitória contra a Jamaica (1-0) que a competência defensiva de alguns dos seus experientes elementos do setor defensivo e do meio-campo (Óscar Duarte, Matarrita ou Celso Borges) assegura alguma fiabilidade lá atrás, mas para alvejar as balizas adversárias, fica curto ter Joel Campbell, Ariel Lassiter, Bryan Ruiz ou Luis Díaz.

Quanto aos hondurenhos, fica a ideia de que o técnico uruguaio Fabián Coito terá que trabalhar imenso na defesa porque na frente há qualidade, e ainda só foram à Gold Cup Alberth Elis e Romell Quioto, já que os «portugueses» Bryan Róchez e Jonathan Toro e o médio-ofensivo Rigoberto Rivas, que passou pela formação do Inter de Milão, são opções de enorme valia e futuro nos próximos anos.

Uma palavra para a Jamaica – com guarda-redes como Andre Blake e um setor defensivo sólido, pedia-se muito mais a um ataque que tem Leon Bailey, Andre Gray, Bobby Reid ou Shamar Nicholson. Mais uma prestação discreta dos jamaicanos que, em condições normais, podem representar perfeitamente a CONCACAF no próximo Mundial.

Por Gonçalo Novais

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