Em tempos de pandemia

         

À medida que aumentam os casos de covid-19 no futebol português fica a sensação que não tem havido um critério bem definido para a realização dos jogos, quando uma das equipas fica condicionada por um surto momentâneo.

Há encontros adiados, mas há outros que se realizam mesmo que o número de infetados de um dos intervenientes tenha uma expressão considerável Parece existir uma espécie de mecanismo arbitrário movido pela conveniência dos clubes.

Ou seja, se alguém tem muitos jogadores infetados e pede o adiamento do jogo está sempre pendente do bom senso do adversário e dos seus próprios interesses. E isto pode ser perigoso, porque não coloca todos os participantes no mesmo plano de igualdade, estando a própria Liga Portugal refém do entendimento dos intervenientes.

Isto é, a entidade que gere o futebol profissional nada pode fazer se alguém, pura e simplesmente não quiser adiar um jogo. E está no seu direito.

O Sporting, o Moreirense e o Vitória de Guimarães já reagendaram encontros por surtos de covid-19, mas o Benfica esbarrou, recentemente, na intransigência do Nacional – depois da Direção-Geral da Saúde ter dito que não interfere nos adiamentos.

 Quando o campeonato atingir a reta final e as contas se sobrepuserem a tudo, aí as decisões por conveniência poderão lançar uma enorme onda de especulação numa indústria a precisar de paz e lucidez.

 O protocolo aceite pelos clubs, na altura da retoma do campeonato, na época passada, considera que uma equipa pode entrar em campo desde que tenha um número mínimo de sete jogadores e um deles seja guarda-redes.

 Com plantéis vastos, alguns clubes até têm equipas bês e de sub-23, a quantidade nunca será um problema, A questão será mesmo a qualidade, o que faz realmente a diferença.

 Por isso, devia haver um critério definido à partida para que ninguém ficasse pendente de uma decisão por conveniência.

Orlando Fernandes (Jornalista)

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