CONTAGEM DECRESCENTE

Na próxima quarta-feira começa a pré-campanha eleitoral do Benfica. Respeitada que foi a trégua olímpica pedida por Rui Costa, que visou manter a estabilidade do clube, que na reta final do empréstimo obrigacionista, quer na preparação da nova época, logo que termine a eliminatória com o PSV iniciar-se-á o processo que culminará com a ida às urnas da nação encarnada.

Até ao fim do mês saber-se-á a data das eleições – aposto no último fim-de-semana de outubro – e os candidatos a candidatos que, com raras exceções se comportaram com sentido de Estado nesta travessia penosa levada a cabo pelo clube da Luz começarão a demarcar território, em busca de influência e votos.

Embora o futebol nos ensine todos os dias que o que hoje é verdade, amanhã será mentira, não estarei a especular se disser que existe um sentimento de satisfação entre os benfiquistas pela prestação da equipa principal de futebol que contabiliza por vitórias os seis jogos oficiais que já disputou, e dá mostras de caminhar para uma coesão que a coloca a anos – luz do que fez na temporada transata.

Porém, há que concordar, porque a frieza dos números também conta, que o desfecho do jogo de amanha em Eindohoven terá um peso tremendo para a época em curso, não só do ponto de vista financeiro, mas igualmente na ótica eleitoral.

Parece-me claro que nas primeiras eleições do Benfica no século XXI sem Luís Filipe Vieira no boletim de voto, o ex-presidente do Benfica não deixará de ocupar uma centralidade determinante no debate, propondo sobretudo a Rui Costa, o desafio de separação das águas, relativamente ao vieirismo.

Mas, se o presidente em exercício irá ter por obrigação demonstrar que está apto a voar com asas próprias, aos opositores caberá a árdua tarefa de derrubar uma figura que foi ídolo enquanto jogador, com ligação inatacável ao clube, e que, esta fase particularmente turbulenta, tem, sabido manter o Benfica dentro de padrões de estabilidade compatíveis com o sucesso desportivo.

Orlando Fernandes (Jornalista)

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