Céu e inferno

A final da Taça de Portugal era aguardada com expectativa, não só pelo desafio em si, que desperta sempre interesse, mas também, porque o triunfo poderia significar uma espécie de salvação da temporada para o Benfica e SC Braga.

Nesse sentido, a felicidade sorriu aos minhotos, que conquistaram a terceira Taça de Portugal da sua história (juntam este troféu ao de 1966 e 2016) a agudizam um ano horríbilis dos encarnados. Na verdade, o Benfica investiu muito esta época, o que fez subir as expectativas dos adeptos, e apostou numa estratégia de comunicação audaz, onde se prometeu arrasar e lutar por todas as frentes.

Contudo, o percurso começou desde logo por ser acidentado com a saída da Liga dos Campeões na porta de embarque, algo que obrigou a repensar a gestão desportiva e financeira de toda a temporada e, sobretudo, à venda de Rúben Dias, pilar do eixo defensivo.

Além, disso, apesar dos cerca de 100 milhões de euros investidos no plantel, as águias ficaram relativamente cedo fora da disputa do título, perderam a final da Supertaça para o FC Porto e caíram, na meia-final da Taça da Liga frente a este SC Braga, que voltaria a ser carrasco em Coimbra.

Por outro lado, o conjunto de Jorge Jesus, possivelmente o maior responsável por este fracasso, não fez melhor do que um 2º lugar no seu grupo da Liga Europa, atrás do Glasgow Ranger, o que provocou um embate muito complicado com o Arsenal na primeira ronda a eliminar e sucessiva eliminação.

Deste modo, se juntarmos o facto de praticamente nenhum, jogador do plantel se ter valorizado e da massa salarial ter subido exponencialmente, é possível aferir que nada correu bem em 2020/2021 ao Benfica e que este ano desportivo deve motivar uma reflexão profunda antes da próxima época.

Em sentido inverso, o SC Braga está agora nas nuvens. Os Guerreiros do Minho tinham, deixado a desejar na reta final do campeonato, possivelmente por terem pouco em disputa nos jogos que restavam, e tinham perdido a final da Taça da Liga, mas tiveram aquilo o seu momento de glória na época.

Um prémio merecido para o trabalho de Carlos Carvalhal, que 19 anos depois de ter estado no momento da decisão ao leme do Leixões, consegue finalmente colocar as mãos na Taça. Acabou por ser um duelo onde praticamente tudo correu de feição nomeadamente na expulsão de Helton Leite, mas é um triunfo que o SC Braga fez por merecer.

Orlando Fernandes (Jornalista)

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