Campeonatos nacionais e distritais amadores de futsal – que rumo, que futuro?

Ser treinador ou jogador de futsal nesta altura de pandemia, de clubes de futsal amadores (2ª divisão nacional masculino, 2ª divisão nacional feminina e campeonatos distritais), tal como somos apelidados quando convém, é viver na berlinda, sem ter a noção do amanhã a nível desportivo.

Acima de tudo e, que fique bem explícito, a vida humana dos treinadores, dos jogadores, dos diretores, dos fisioterapeutas, de todo o staff e famílias estará sempre em primeiro lugar, disso não tenham dúvidas.

Mas o que fere mais é a ostracização a que sempre somos levados.

Porque por mais que pense nas diferenças, quais são entre uma equipa amadora da 2ª divisão nacional masculina e uma equipa amadora da liga placard? Entre uma equipa amadora do campeonato da 1ª divisão feminina e uma equipa amadora da “nova” 2ª divisão nacional? Ou mesmo a comparar com equipas dos campeonatos distritais, onde já se nota uma organização totalmente diferente de há 5 ou 10 anos atrás, para melhor, obviamente?

Este artigo de opinião não é para descarregar frustrações nem encontrar culpados, mas e, tirando a pandemia de lado, porque é que existe tanta diferença entre os campeonatos ditos profissionais (quando apenas e toda a gente tem noção de que só temos 2 equipas que se podem gabar desse epiteto) e os restantes?

Porque é que já fomos equiparados esta época desportiva a profissionais e na mesma época deixamos de o ser?

Porque é que os pavilhões tem de estar encerrados, mas continua a haver jogos em pavilhões, seja de que modalidade for?

Porque é que só agora, depois da decisão de interromper os ditos campeonatos amadores, existe um apoio da FPF em termos de testes covid e transporte para as equipas das competições ditas profissionais?

Porque é que se continua a atropelar as decisões do Governo e DGS, quando aos fins de semana não se pode passar de concelhos e toda a gente dessas competições continua a prevaricar?

Porque é que continua a haver jogos das seleções, sejam elas quais forem, com viagens de avião e tudo o que as complementa, quando esta pandemia é global e se correm demasiados riscos em qualquer passo que dão?

Se continuam os restaurantes encerrados, onde é que as equipas das competições profissionais vão almoçar, jantar, etc? Numa viagem que possas fazer entre Braga e Portimão, por exemplo, será que os jogadores, treinadores e restante staff só vão comer sandes? E o ar que respiram juntos durante a viagem de autocarro?

Não será mais fácil essa medida com equipas da 2ª divsisão e campeonatos distritais onde a distância a percorrer é muito menor comparada com as restantes?

Ou será que o virús só atinge as competições amadoras?

Porque infelizmente não é isso que temos visto.

Infelizmente estamos todos sujeitos ao mesmo, a este adversário desconhecido que nos modificou a vida e o nosso modo de viver.

Voltando ao início do meu artigo e referindo que a vida humana está e estará sempre em primeiro lugar, não seria melhor ter parado tudo?

Porque continuo a não entender porque as outras competições (as ditas amadoras quando convém), têm de parar e ser sujeitas a esta diferença perante as restantes?

Que rumo temos à nossa frente perante mais uma paragem?

Que futuro vemos para os clubes da nossa modalidade perante isto tudo?

Não é fácil ser treinador, jogador, diretor, etc.., de uma equipa da 2ª divisão nacional masculina e/ou feminina e mesmo competições distritais, quando não sabemos o próximo passo a dar?

Como é que eu como treinador vou reprogramar novamente, a segunda retoma competitiva?

Porque dentro do reajustamento do calendário competitivo, sabemos que vai haver jogos da Taça de Portugal, mas do Campeonato Nacional da 2ª Divisão não? Então, posso retomar os treinos em função de um jogo, mas não da principal competição?

O que eu tenho de dizer aos meus jogadores perante tudo isto? Que mensagem lhes vou passar para que eles entendam qual a diferença de retomar a competição para jogarmos a taça de portugal, mas o campeonato nacional da 2ª não?

Não é fácil andar sempre na corda bamba, andar sempre no limiar, de nos termos preparado em setembro de 2020 para a primeira retoma competitiva com todos os cuidados para podermos enfrentar algo que desconhecemos, e de repente somos tratados de maneira diferente?

Existe algum propósito para esta paragem?

Esperemos sinceramente que não, que esta paragem sirva para refletir e nos colocar à prova perante uma competição totalmente diferente a todos os níveis. E nos reforce cada vez mais uma preparação não só a nível físico, mas e principalmente a nível mental.

Pois não é fácil lidar com o paras/não paras; treinas/não podes treinar; jogas/não podes jogar.

Será que alguém já parou por algum momento e olhou para nós, clubes de 2ª linha, com o propósito de ver um rumo e um futuro entro da nossa modalidade?

Fiquem bem, cuidem-se. O Futsal irá voltar a sorrir para nós.

Fernando Parente (Treinador de futsal)



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