Campeonato de Portugal: grupo de 25 clubes insurge-se contra ‘injustiça’ e quer impugnar campeonato

25 clubes que se classificaram em zona de despromoção do Campeonato de Portugal na presente temporada, onde estão incluídos os emblemas transmontanos do Bragança, Vimioso, Vidago e Mondinense, unem-se através de comunicado para combater aquela que consideram ser uma injustiça sem precedentes na competição. Em causa homologação das respetivas classificações da forma atualmente prevista pela Federação Portuguesa de Futebol.

Leia o comunicado na íntegra:

Grupo dos 25 EM RISCO DE DESCIDA

O CAMPEONATO DA MENTIRA E O ASSALTO DA “SUPER DISTRITAL”

• Futebol Clube de Pedras Rubras – Presidente Alfredo Santos

• Recreativo Desportivo de Águeda – Presidente Rui Anjos

• Sporting Clube de Coimbrões – Presidente Vitor Oliveira

• Sporting Clube Lourinhanense – Presidente Paulo Marta

Águia FC Vimioso – Presidente Octávio Rodrigues

• Clube Desportivo Cerveira – Presidente António Fernandes

Grupo Desportivo Bragança – Presidente Frederico Ricardo

Vidago Futebol Clube – Presidente Paulo Lopes

• Brito Sport Clube – Presidente José Dias

Mondinense Futebol Clube– Presidente Fernando Anjos

• Sport Clube Beira Mar – Presidente Afonso Miranda

• Lusitano Vildemoinhos – Presidente Rui Ferreira

• Clube Desportivo Carapinheirense – Presidente Carlos Carvalho

• CCDR de Vila Cortez do Mondego – Presidente Lúcio Gonçalves

• Clube Desportivo Alcains – Presidente Élio Esteves

• Mortágua Futebol Clube – Presidente António Gomes

• Sociedade União 1º Dezembro – José Francisco Gomes

• União Futebol Clube de Almeirim – Presidente Agostinho Fernandes

• Grupo Desportivo Fabril Barreiro – Presidente Faustino Mestre

• Clube Oriental de Lisboa – Presidente Carlos Vitorino

• Clube Olímpico Montijo SAD – Presidente Liu Gonghe

• Belenenses B SAD – Presidente Rui Pedro Soares

• Lusitano Ginásio Clube de Évora SAD – Dorothy Ede

• Sport Clube Mineiro Aljustrelense – Presidente Rui Saturnino

• Moura Atlético Clube – Presidente Luis Jacob

Os Clubes acima identificados, aqui representados pelos respetivos Presidentes são todos participantes do Campeonato de Portugal na época desportiva 2020/2021.

Por força dos efeitos conjugados da atual situação pandémica provocada pelo vírus SARS COV 2 e das alterações regulamentares implementadas pela Federação Portuguesa de Futebol, durante o decurso da presente época desportiva, nomeadamente com o aditamento do artigo 11º A ao Regulamento do Campeonato, veem-se na contingência de serem despromovidos aos Campeonatos Distritais.

Por tal facto, comunicam hoje oficialmente perante a imprensa que vão em conjunto encetar um conjunto de medidas de luta para defender os interesses dos seus clubes e a reposição da verdade desportiva.

Com estas medidas de luta pretendem evitar a homologação das respetivas classificações da forma atualmente prevista pela FPF.

A Federação Portuguesa de Futebol no decurso da presente época desportiva, nomeadamente em 8 de janeiro de 2021, aditou ao regulamento do campeonato de Portugal o artigo 11º A, que veio permitir a meio da época, a desistência dos clubes nas seguintes condições:

  • O clube que, encontrando-se a disputar a primeira volta da primeira fase da prova seja impedido de participar por imposição administrativa ou legal decretada por amais de 60 dias interruptos, relacionada coma emergência de saúde publica ocasionada pela doença COVID 19 pode desistir da mesma, considerando-se tal desistência justificada.
  • O Clube desistente perde os pontos conquistados, passando a constar na tabela classificativa, até final da competição com zero pontos.
  • Os resultados dos jogos disputados pelo clube desistente, não são considerados para efeitos de classificação dos restantes clubes.
  • Nos casos previstos no presente artigo fica excluída a responsabilidade disciplinar do clube desistente, designadamente a prevista no artigo 67º do Regulamento Disciplinar da Federação portuguesa de Futebol.

Ora, esta alteração ao Regulamento veio criar um fosso de injustiça que encobre de forma grave a verdade desportiva e a integridade da competição.

Esta alteração a não ser repensada, vai permitir clamorosamente a manutenção dos Clubes desistentes no Campeonato de Portugal, sem nunca terem jogado e cumprido as suas obrigações, designadamente as obrigações salariais e penalizar os Clubes que disputaram e salvaram o Campeonato e a competição, jogando todos os jogos, e cumprindo o respetivo calendário, à custa do seu esforço financeiro.

Na verdade, para além daquele esforço financeiro, os clubes que optaram estoicamente por permanecer na competição, em vez de desistir, viram-se por força daquela alteração somada às consequências do vírus SARS COV 2, a jogar muitas das vezes em condições extremamente difíceis para as suas condições logísticas, jogando muitas vezes 2 e 3 vezes por semana em horários muitas vezes incompatíveis com a disponibilidade dos seus atletas – a maioria deles amadores.

Estas condições colocaram grande parte dos clubes, nomeadamente os aqui subscritores num plano de desigualdade competitiva, que desvirtuou por completo a integridade da competição e a verdade desportiva, ou seja, quem permaneceu no campeonato correu o risco da descida e quem desistiu salvaguardou a sua manutenção.

Entendem por isso, os aqui subscritores que a manter-se a prerrogativa concedida pela Federação aos clubes desistentes, penalizará de forma grave os clubes que asseguraram a manutenção da competição e que agora se veem na contingência de baixar aos distritais, sendo por isso este o campeonato da mentira.

Por outro lado, vamos assistir, à subida de clubes provenientes dos respetivos distritais, sendo que a maior parte das competições distritais não se disputaram, porque foram interrompidas até janeiro, prevendo-se que apenas algumas delas terminem os seus campeonatos com meia dúzia de clubes e que as Associações de Futebol nomeiem ou sorteiem subidas sem terem 50% do campeonato Distrital realizado, e sem provocar descidas nos mesmos, pervertendo a verdade e a justiça desportiva e financeira entre o Campeonato de Portugal e o Distrital.

Assim, este grupo dos 25 uniu-se na defesa seus direitos e irá lutar até às últimas consequências pela reposição da verdade desportiva.

Para tal, irão interpelar a Federação Portuguesa de Futebol e todas as instituições desportivas e institucionais, manifestando a sua posição de não estarem disponíveis para aceitarem aquelas alterações regulamentares e as consequências graves que as mesmas causarão aos Clubes.

Em conjunto pretendem levar a cabo todas as medidas de luta para combater as situações de injustiça e falta de verdade desportiva causadas pelas alterações implementadas pela Federação ao Regulamento no decurso da presente época desportiva.

Pois entendem que a própria Federação, não salvaguardou a verdade desportiva nem protegeu os clubes que na presente época permitiram a continuidade do campeonato e a integridade da competição, à custa unicamente do seu esforço financeiro, protegendo e privilegiando antes pelo contrário os Clubes que optaram pela desistência.

Portugal, 23 de abril de 2021

O Grupo dos 25 – Campeonato da Mentira

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