CAMINHO PARA 2022

Terminada a prestação de Portugal no Euro 2020, é tempo de Fernando Santos refletir sobre aquilo que não correu bem, sobretudo porque Portugal caiu nos oitavos, perante uma Bélgica que, como a Itália demonstrou, não era um “bicho papão´, quando o objetivo era repetir a presença na final.

Havia talento no plantel para tal ambição, mas a abordagem aos jogos e o rendimento no campo ficaram, aquém, daquilo que seria expectável. Nesse sentido, há ilações a tirar antes de pensar ganhar o próximo Mundial, como o selecionador anunciou, em conferência de imprensa.

A qualificação já se iniciou e, após Portugal garantir 7 pontos nos primeiros 3 jogos, terá de vencer as restantes partidas até final para não permitir veleidades à Sérvia.

Na Verdade, caso Portugal tivesse ganho o seu grupo de apuramento para o Europeu, não teria calhado num grupo com França e Alemanha, o que, naturalmente complicou as contas e provocou um desgaste inicial mais forte do que a maioria das seleções dos restantes grupos.

Caso cumpra na qualificação, Fernando Santos terá de averiguar com que elementos poderá contar no Catar. Esse caminho terá de ser pensado desde já sendo que terá de ser igualmente equacionado um modelo de jogo que favoreça os nossos jogadores, sobretudo os melhores, na medida que é sempre mais fácil vencer quando os melhores estão dentro das quatro linhas.

Assim, se a presença de Cristiano Ronaldo deverá continuar a ser assídua, importa começar a garantir alternativas para o eixo defensivo, uma vez que Pepe já atingiu os 38 anos e não irá durar para sempre, ao passo que José Fonte também, já leva 37. Por outro lado, João Moutinho também, entrará numa fase da carreira em que deverá começar a ser questionado, sendo que o meio campo é uma das zonas com maior indefinição nesta fase.

Há também, vários jogadores que estão a perder espaço nos seus clubes e, como se viu com William Carvalho no certame europeu, é importante que os jogadores cheguem, a estas fases finais com ritmo competitivo.

Por fim, o mais importante será mesmo a forma como queremos jogar, pois entrar nas partidas meramente na expetativa já não parece ser condizente com o perfil do elenco. Centrar a equipa em torno dos criativos Bernardo Silva, João Félix e Bruno Fernandes deverá ser o caminho, dando-lhes liberdade para criar e permitir a Portugal dominar os seus jogos.

Orlando Fernandes (jornalista)

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