Caçar com Matheus

A preparação do Sporting para o dérbi começou com a notícia do afastamento de João Palhinha do encontro. O médio viu o 5º amarelo do Bessa, num triunfo assim ofuscado por uma ausência de peso para o duelo com o Benfica. Nesse sentido, a chave do meio-campo passaria por João Mário e Matheus Nunes, um jogador que não é um habitual titular, mas que vai quase sempre o jogo.

Em tempos, Frederico Varandas disse que o brasileiro iria “pagar” o valor investido na contratação de Rúben Amorim e de facto, o centrocampista vai crescendo de semana para semana, ao ponto de ter sido a figura central do dérbi.

Curiosamente, Palhinha acabou despenalizado poucas horas antes de a bola rolar, mas Amorim já tinha dado o mote na conferência de imprensa da véspera. Ou seja, Matheus Nunes iria a jogo.

A capacidade que o Sporting tem tido para curar as suas ausências e a união de grupo têm sido fatores muito importantes na afirmação da equipa esta temporada. É certo que a entrada de João Palhinha foi importante, dando uma dimensão física superior ao miolo a partir da hora de jogo, mas o golo sairia mesmo da cabeça de Matheus Nunes. Aos 92 minutos, quando já poucos o esperavam, o brasileiro estava no sítio certo desferindo o cabeceamento certeiro e carimbando mais um triunfo leonino.

Há 9 anos que o Sporting não derrotava o Benfica em casa, para o campeonato sendo que as águias estão agora a 9 pontos do 1º ligar: Uma distância considerável ainda que nem sequer tenha terminado a primeira volta. Por outro lado, se Matheus caçou a Águia, não se pode descurar a importância dos restantes elementos que ajudaram no cerco.

No reino do Leão todos são relevantes, nomeadamente aqueles suficientemente astutos para proteger a retaguarda. A defensiva leonina esteve intransponível, com Coates a liderar uma equipa que não permitiu uma oportunidade de golo ao adversário.

Notável, sobretudo se pensarmos no talento existente no ataque encarnado Darwin já viveu melhores dias e a fraqueza que assola Jorge Jesus nesta altura (que recupere rápido!) fez-se notar na equipa, que denotou novamente muita passividade em certos.

Não foi um grande dérbi, longe disso mas o Benfica partia atrás na classificação e pouco fez para procurar o triunfo. Numa partida onde as ocasiões de golo rarearam, a felicidade sorriu a quem, mais a procurou.

Orlando Fernandes (Jornalista)

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