Beatriz Roxo: “a minha meta é ser todos os dias melhor do que ontem”

Beatriz Roxo tem apenas 17 anos, mas já arrecadou grandes títulos no panorama do ciclismo nacional, com a camisola do NRV – Academia Ciclismo de Paredes. A atleta, com raízes em Pedras Salgadas e Vila Meã, é a mais recente Campeã Nacional de Rampa e de Ciclismo de Estrada. Ao Notícias de Aguiar, Beatriz Roxo contou a sua história, desde o dia em que recebeu a primeira bicicleta, “assim que começou a andar”, até aos dias de hoje.

Quando é que nasceu em ti a paixão pelo ciclismo e o que te levou a ser atleta desta modalidade?

A paixão pelo ciclismo começou muito cedo, desde logo quando comecei a andar, por influência do meu pai e do meu irmão que já faziam ciclismo há muitos anos. O meu pai é inclusivamente treinador de um clube de ciclismo e, assim que tive oportunidade e mal comecei a andar, foi a primeira coisa que teve que ser feita: iniciar em mim o “bichinho” do ciclismo.

Lembras-te da tua primeira bicicleta?

Com certeza! E faço de tudo para que ela ainda esteja segura, porque é uma grande memória e era também a bicicleta do meu irmão.

Entraste na modalidade muito cedo e, em pouco tempo, já alcançaste grandes títulos. Qual é a tua receita para o sucesso em tão pouco tempo?

A receita é o foco, a determinação, a garra e, principalmente, é gostar daquilo que fazemos, com ambição e melhorarmos todos os dias os recordes pessoais. A receita é básica, o difícil é pô-la em ação! Naqueles dias em que está frio ou chuva e estamos muito bem na cama, sei que tenho que ir treinar e aí é diferente, precisamos mesmo de muita determinação.

Qual foi a prova que te marcou mais até aos dias de hoje?

Pode ser estranho, mas a corrida que mais me marcou foi o Encontro Nacional em juvenil de segundo ano. Foi a primeira corrida que eu ganhei, onde competi com mais concorrência, e foi a partir daí que tive mais vontade e segurança. Foi desde esse dia que me comecei a empenhar mais nos treinos, porque eu sabia que era uma grande dificuldade passar do escalão de “escolas” para o escalão de “cadete”. O facto de ter vencido esse encontro nacional, em Almeirim, há três anos, deu-me uma enorme motivação e em cadete tive mais vontade de treinar e conseguir responder ao nível de exigência.

Consegues descrever qual é a sensação de atravessar a meta nos primeiros lugares?

É incrível! É ver que todos aqueles dias em que não nos apetecia treinar e só pensamos “quero acabar de ver esta série”, mas fazemos mais um esforço e lá vamos treinar, acabam por valer a pena no momento em que passamos a meta. É um sentimento de reconforto depois de todo o trabalho que eu tive e de toda a persistência que me trouxe até aqui. É mesmo muito bom!

Ainda és muito jovem, mas muito focada nos teus objetivos. Para uma jovem da tua idade é fácil conciliar o desporto, com os estudos e a vida social?

Não é nada fácil! É preciso muita organização e estabelecer prioridades. Mas, para além disso, é preciso foco porque muitas vezes saio dos treinos tarde e cansada e tudo o que me apetece é ir dormir, mas sei que também tenho que estudar. Relativamente à vida social é ainda mais difícil porque no ciclismo, infelizmente, nós queremos estar no topo do topo e como exige muito de nós priva-me de algumas coisas que eu gostaria de fazer na minha idade. Acredito que um dia ainda vou fazer essas tais coisas, mas não vão acontecer com tanta frequência, até porque não tenho a mesma vida daqueles jovens que só estudam. Às vezes custa-me dizer “não” aos meus amigos, mas eu sei que no fim da corrida, quando eu lhes digo que tive uma boa prestação, eles vão estar felizes por mim na mesma.

Tens raízes no concelho de Vila Pouca de Aguiar, mais concretamente em Vila Meã e Pedras Salgadas. Transportas contigo a força e garra que caracteriza os transmontanos?

Claramente, sem qualquer dúvida. Esta persistência e casmurrice nas nossas ideias, sem dúvida que é transmontana.

Em qualquer caminho há obstáculos que dificultam grandes resultados. No teu caso, como ciclista, qual é a maior dificuldade que tens a apontar?

Na maior parte das vezes o público olha apenas para o resultado. Só quando fazemos o primeiro lugar é que eles dizem “foi a melhor”, mas não é assim. No meu histórico eu tenho imensas vitórias, mas nem foram vitórias porque em algumas provas eu nem sequer cheguei a acabar a corrida, fui até mandada encostar antes de acabar a corrida. Isso para mim não é uma vitória, mas, no final, eu subi ao primeiro lugar do pódio e era uma vitória. Por isso, as vitórias nem sempre ditam tudo! Muitas vezes quem faz um 10º lugar fez uma corrida melhor do que quem ganhou e isso não é visto pelo público. Tenho o exemplo do Europeu onde fiz um bom resultado, apesar de eu saber que conseguia melhor, mas também é preciso ter atenção ao que aconteceu na corrida e eu, naquele caso, tive um furo e isso fez-me perder imenso tempo de corrida e nunca mais consegui recuperar. É evidente que isso me deu um resultado pior, mas também é preciso ver aquilo que aconteceu na corrida e saber o porquê daquele lugar que, se calhar, tem muito mais louvor do que fazer um 10º lugar quando não aconteceu nada. A nível psicológico, para o atleta, acho que é o maior obstáculo.

No futuro, quais são as metas que ainda queres alcançar?

A minha meta é ser todos os dias melhor do que ontem. Vou sempre treinar com esse pensamento! Relativamente ao futuro, veremos o que nos guarda. Seguir carreira como ciclista feminino é difícil, mas não é impossível!

Que mensagem deixavas a alguém que está agora a iniciar um percurso semelhante ao teu?

Façam aquilo que gostam e não o façam por terceiras opções senão não vai ter o mesmo sabor. Vão chegar aqueles dias de chuva e não vão querer fazer nada, porque não é uma coisa que vocês gostam. Façam aquilo que vos faz sentir bem! E, claro, em tudo o que fizerem na vida é preciso esforço, dedicação e persistência. Eu própria também não treino todos os dias e será que me apetece treinar? Não! Não é assim. Mas há algo que nos move para estar ali e é nesse motivo que têm de se focar.

Por: Daniela Parente

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