Asas da incerteza

Arrumadas as contas no topo da tabela da Liga, a vida mais complicada, em termos de planificação da próxima época é a do Benfica. Enquanto os restantes comparsas conhecem exatamente as linhas com que vão coser-se, os encarnados vão navegar na dúvida: investem para chegar à Champions e correm o risco de lhes aparecer um Krasnodar ou um PAOK desmancha – prazeres, que afunda as contas e derrama depressão, ou são mais prudentes e conservadores e formatam o plantel sem contar com os milhões da Liga Milionária.

É este o dilema de quem, acede à pré-eliminatória da competição mais importante da UEFA, mais a mais numa altura em que as circunstâncias se alteraram e qualquer grego ou russo de segunda ou terceira extração pode perfeitamente aplicar um tiro fatal.

Há um ano, depois do desastre de Salónica, o Benfica precisou de vender os direitos desportivos de Rúben Dias (em boa hora, para o defesa central do Manchester City) para equilibrar as contas. Sucede, porém, que não consta do plantel encarnado nenhum valor emergente de calibre semelhante, o que torna o caminho das pedras por onde os encarnados tentam aceder à Champions ainda mais ingreme e traiçoeiro.

Vai ser precisa muita sabedoria – que na época que agora termina esteve ausente em parte incerta – para gerir, com pinças, esta situação delicada, num contexto em que vão juntar-se, para formar a tempestade perfeita, a insatisfação dos adeptos, coincidentes com o iminente regresso às bancadas daqueles que são os únicos e legítimos donos do clube.

Parece claro que Jorge Jesus deseja mexer substancialmente no plantel, e os gostos do mister não costumam, ser baratos; aliás, JJ ainda no sábado fez questão de colocar o dedo na ferida, ao dizer com todas as letras, que a sua equipa não sabe segurar resultados. E se esta constatação surge ao fim de um ano de trabalho, torna-se evidente que o treinador está a pensar em novos protagonistas para resolver o problema.

 Com conquista da Taça de Portugal ou sem conquista da Taça de Portugal, não é difícil antecipar que a temporada de 2021/22, pelas implicações desportivas, sociais e financeiras associadas, será a mais determinante de quantas Luís Filipe Vieira já liderou na Luz.

Orlando Fernandes (Jornalista)

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