As desigualdades

Os festejos do título de campeão do Sporting ficaram marcados pela concentração dos adeptos menosprezando as regras de seguranças sanitária e desrespeitando aqueles que durante meses a fio se privaram de convívios familiares a bem da saúde pública.

A culpa é um pouco de todos: de quem permitiu que fosse colocado um ecrã gigante no exterior do estádio, de quem foi incapaz de dispersar a multidão entes que houvesse uma enchente e claro, dos próprios adeptos que não perceberam o risco que corriam ao estarem demasiado próximos uns dos outros e muitos deles sem máscara.

Para evitar aquele perigoso espetáculo, mais-valia terem, aberto o estádio para que o povo pudesse assistir ao jogo com o Boavista no conforto da bancada e dentro dos limites razoáveis da segurança sanitária. Mas isso, claro, chocava com o rigor de quem, vedou o público dos recintos desportivos a bem da saúde pública.

Agora, à pressa, as autoridades resolveram abrir as portas dos estádios a última jornada do campeonato na mesma semana em que a UEFA anunciou a final da Liga dos Campeões no Dragão, onde o público poderá preencher um quarto das bancadas.

Nada disto é inocente, â boleia do que pode ser um teste para aferir o comportamento dos adeptos, também, parece óbvio que serve como tubo de ensaio para aquilo que a UEFA irá colocar em prática na cidade do Porto.

Permitir público na última jornada, mesmo que seja apenas aos adeptos da casa e com, testes negativos à covid-19, é uma medida que peca por tardia e coloca os clubes num terrível pé de desigualdade numa altura crucial da época.

Quem joga fora e luta por objetivos será prejudicado por jogar diante dos adeptos adversários, quando na jornada anterior não pôde ter a sorte de insufrir de uma justa inversão de papéis.

De facto, quem, está nos altos gabinetes percebe muito pouco de futebol e ainda muito menos sobre justiça.

Orlando Fernandes (Jornalista)

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