As 24 equipas do Europeu: GRUPOS D-E-F

Caros(as) leitores(as) do jornal.

Numa altura em que se aproxima a nova edição do Europeu de futebol que se devia ter realizado no ano passado, faço humildemente o meu trabalho, para o Desportivo Transmontano, de TODAS as seleções presentes, apresentando neste artigo as equipas dos grupos A, B e C.

Uso uma linguagem pouco técnica e mais simples e acessível, para que qualquer pessoa que leia tenha uma ideia concreta do que pode esperar.

E claro: nem todos vão concordar com as minhas descrições, mas o futebol é magnífico exatamente por isso – porque cada um de nós tem uma forma particular de olhar para ele.

GRUPO D

INGLATERRA

Com Pickford a assumir-se como o melhor guardião inglês da atualidade, embora o «red devil» Dean Henderson possa ameaçar a titularidade absoluta, antevê-se que John Stones e Harry Maguire mostrem a sua complementaridade no eixo da defesa, com Ben Chilwell quase garantido no lado esquerdo. A dúvida é saber se a maior velocidade e capacidade de aceleração de Reece James é suficiente para levar vantagem sobre um tecnicamente evoluído Kyle Walker, muito inteligente na forma como apoia a sua equipa no ataque, ou Trippier, campeão pelo Atlético de Madrid e muito forte no capítulo defensivo. Quanto às restantes opções, os ingleses podem estar descansados que, com centrais como Conor Coady, Tyrone Mings e Ben White e Luke Shaw na esquerda, a solidez está garantida.

No meio-campo defensivo, mais «dores de cabeça» agradáveis, entre um Declan Rice que é um dos melhores jovens médios-defensivos da Premier League, um Jordan Henderson excelente na organização dos processos ofensivo e defensivo da equipa e um Kalvin Phillips muito evoluído técnica e taticamente, habituado a jogar numa equipa tão interessante como o Leeds, na qual sobressai tanto nos bons passes em profundidade como na neutralização dos ataques contrários. Também muito importante no contributo defensivo que dá à equipa, Jude Bellingham já apoia a projeção para o ataque, onde Jack Grealish e Mason Mount prometem «espalhar» classe no meio-campo ofensivo.

E que ataque esse, com Jadon Sancho, Phil Foden, Bukayo Saka, Rashford e Sterling a darem apoio direto a dois dos melhores pontas-de-lança deste Europeu – Calvert-Lewin, autor de uma excelente época no Everton, e o fantástico Harry Kane.

CROÁCIA

Com Livakovic dono e senhor da baliza, há gente com valor na defesa, sendo de esperar que Vrsaljko garanta competência defensiva na direita, Borna Barisic apareça com as suas assistências primorosas pela esquerda, onde terá a forte concorrência do campeão pelo Lille, Domagoj Bradaric, e haja centrais de qualidade bem razoável como Lovren, Caleta-Car e Vida. Muita atenção ao que pode fazer a nova contratação do Leipzig, o jovem de 19 anos Josko Gvardiol, num setor que conta ainda com Skoric e Juranovic.

No meio-campo, a competência posicional e defensiva de Brozovic, aliada à qualidade de passe em profundidade e visão de jogo, leva-o a assumir funções de equilibrador e cobertura aos criativos da equipa e são vários, com Modric e Perisic a serem os mais aptos para eventualmente poderem jogar mais recuados no meio-campo central, e Vlasic a querer mostrar porque é um dos melhores jogadores da liga russa. Ainda neste setor, Badelj pode ser uma excelente alternativa a Brozovic, partilhando várias qualidades com o médio do Inter, e o médio-ofensivo Ivanusec, que se exibiu em excelente nível no Europeu Sub-21, tem aqui uma nova «montra» para se mostrar.

Quem também vai ser atentamente seguido pelos olheiros é Brekalo, jovem extremo de 23 anos conhecido no Wolfsburgo pela qualidade das suas triangulações, a rapidez das suas ações técnicas e os potentes e certeiros remates. Num ataque que terá em Petkovic e Budimir os pontas-de-lança de serviço, Rebic, Kramaric e Orsic serão avançados que, pela sua qualidade técnica, mobilidade e finalização, complicarão a vida aos adversários.

ESCÓCIA

Seleção que aposta na veterania na baliza (David Marshall, o provável titular, tem 36 anos), tem na defesa o central Kieran Tierney e o lateral-esquerdo Andy Robertson como grandes referências num setor com jogadores pouco diferenciados em termos de qualidade, como os laterais-direitos Liam Palmer, Stephen O’Donnell e Nathan Patterson, os centrais Grant Hanley, Declan Gallagher, Jack Hendry e Scott McKenna ou o lateral-esquerdo Greg Taylor.

Para o meio-campo, segue a «armada» do Celtic, com o médio de transição Callum McGregor, um James Forrest não muito talentoso que costuma jogar mais sobre as laterais, e os mais ofensivos e interessantes Ryan Christie e David Turnbull. O «patrão» do meio-campo será Scott McTominay, John Fleck é um médio de transição capaz de efetuar jogadas de combinação interessantes com os colegas, Ryan Fraser e John McGinn estão mais vocacionados para a organização do processo ofensivo e ainda temos Billy Gilmour, jovem de 20 anos que já joga no Chelsea campeão europeu.

Numa seleção que se sente à vontade a promover um estilo de jogo direto, com passes longos para a frente, os avançados Che Adams, Stuart Armstong, Kevin Nisbet e Lyndon Dykes têm o perfil adequado para esse tipo de futebol e poderão ser perigosos mais à frente.

REPÚBLICA CHECA

Na baliza, há uma opção a fazer entre um Vaclik titular durante as qualificações e suplente no Sevilha, e um Pavlenka titular no Werder Bremen. Na defesa, os checos apresentam-se com laterais fortes a defender mas eficazes nas incursões ofensivas que fazem, devido à precisão nos cruzamentos de Kaderabek, Coufal ou Ales Mateju, com Jan Boril com um perfil mais ofensivo, e no meio não há centrais de nível particularmente alto, tendo sido escalados Celutska, Brabec, Tomás Kalas e David Zima.

Com uma boa dupla de médios para jogar à frente dos centrais – Soucek e Alex Král -, a República Checa traz do estrangeiro médios de transição como Barak, Darida ou Jankto, aos quais adiciona alguns bons valores do campeonato interno, como Tomás Holes, Lukás Masopust e Petr Sevcik, recrutados ao Slavia Praga, e Jakub Pesek e Michal Sadílek, do Slovan Liberec. Num ataque em que a capacidade de romper pelas alas está algo limitada, não faltam finalizadores letais, com natural destaque para o avançado do Bayer Leverkusen, Patrik Schik, muito bem acompanhado por Vydra, Pekhart, Krmencik e pelo jovem de 18 anos Adam Hlozek, atual «coqueluche» do Sparta de Praga.

GRUPO E

ESPANHA

Na baliza, De Gea parte como favorito à titularidade diante de dois colegas – Unai Simón e Robert Sánchez – que não foram usados nas qualificações. Na defesa, não surpreende ver a convocatória de Azpilicueta, José Gayá ou Jordi Alba, e quando olhamos para o leque de centrais – Aymeric Laporte, Eric Garcia, Pau Torres ou Diego Llorente -, percebemos o estilo de jogo que Espanha quer introduzir, com jogadores a querer assumir a iniciativa de jogo e a jogar em posse e ataque organizado a partir de trás.

Para dar equilíbrio a todos estes processos, Sergio Busquets e Rodri Hernández estão presentes para se posicionarem à frente dos centrais, porque mais à frente não faltam excelentes opções no meio-campo para ajudar os homens mais avançados da equipa, com Marcos Llorente, Koke, Thiago Alcântara, Fabián Ruiz, Dani Olmo e Pedri González à disposição de Luís Enrique para apoiar um ataque em que os mais refinados Brais Méndez, Ferrán Torres ou Oyarzabal e o poderoso e explosivo Adama Traoré (já esteve em melhor forma) vão apoiar dois goleadores de referência da equipa, um mais móvel Gerard Moreno, a viver o auge da sua carreira, e o mais fixo Morata. Pablo Sarabia, jogador de qualidade indiscutível, aparece com alguma surpresa no lote de convocados.

SUÉCIA

Com Robin Olsen preparado para assumir a baliza mesmo após uma época de pouca utilização no Everton, a defesa é constituída por jogadores de grande experiência competitiva sendo que destes, felizmente para a Suécia, os melhores até têm mais alguns anos de seleção pela frente, com Krafth a assumir a direita, Augustinsson a esquerda, e Lindelof e Helander a serem dois centrais de referência de uma equipa em que os laterais Lustig e Bengtsson ou os centrais Pontus Jansson e Marcus Danielsson serão as opções restantes do setor.

Com vários homens fortes no jogo aéreo, o meio-campo da Suécia apresenta-se com um jogador de cariz mais defensivo mas com bastante potencial como Jens Cajuste, que se junta a elementos como Gustav Svensson e Albin Ekdal neste tipo de funções, aos quais se juntam os mais criativos Svanberg, Claesson e Kristoffer Olsson, mais propensos a um estilo de jogo mais combinativo e tecnicamente refinado, de construção de jogadas de ataque no setor intermediário.

Na frente, há três referências de qualidade indiscutíveis – Kulusevski, Forsberg e Isak, todos eles jogadores de elite do futebol europeu. Avançados como Marcus Berg, Robin Quaison ou Jordan Larsson podem ser lançados quando se pretenda um homem mais móvel na frente e disponível para dar apoio e diversas linhas de passe aos colegas, e Ken Sema e Sebastian Larsson, veterano sempre com tanta precisão nos seus cruzamentos, também podem ser opções para as alas.

POLÓNIA

Com um trio invejável de guarda-redes – Szczesny, Fabianski e Skorupski -, a Polónia é marcada por um setor defensivo que privilegia a proteção da sua baliza e neutralização das investidas ofensivas contrárias, por força da importância de laterais não muito ofensivos como Kedziora ou Rybus e centrais como Glik, Bereszynski ou o mais evoluído tecnicamente Bednarek, com Helik a ser uma opção a ter em conta e o jovem Piatkowski a poder mostrar porque o Red Bull Salzburgo o foi buscar à liga polaca. Muito interessante será ver se é lançado o lateral-esquerdo Puchacz, jovem de 22 anos que na próxima época jogará na Bundesliga, ao serviço do Union Berlin.

A meio-campo, espera-se que Krychowiak volte a assumir o papel de equilibrador da equipa a nível posicional em todas as fases de jogo da sua equipa, ele que também remata bem de meia-distância e consegue executar bons passes a lançar os colegas da frente, contando com a concorrência do mais defensivo Dawidowicz, de um jovem Jakub Moder em crescendo no Brighton e de um Linetty que nem sempre esteve ao melhor nível no Torino. Klich e Zielinski são dois médios de boa qualidade na ligação a um ataque em que, nas alas, Kownacki até é o jogador de maior qualidade numa seleção que conta com os mais desconhecidos Placheta, Frankowski ou Jozwiak. O enorme goleador Lewandowski, o igualmente excelente finalizador Milik e alternativas como Swiderski ou Swierczok compõem o leque de opções atacantes, numa equipa que aqui tem enormes mais-valias.

ESLOVÁQUIA

Na baliza, há indicadores que colocam Dubravka em vantagem face a Rodák e Kuciak, e não se espere da defesa mais do que o foco no alívio do perigo junto da baliza eslovaca, com Skriniar a ser o que mais sobressai na capacidade de organização de ações ofensivas a partir de trás, e a polivalência do jovem central/lateral-esquerdo David Hancko, competente a defender mas também no apoio ao ataque, a ser outro aspeto interessante a seguir. O lateral-direito Pekarik ou os centrais Valjent, Hubocan e Vavro podem ser importantes numa equipa que conta com os menos conhecidos Satka e Koscelník.

O meio-campo apresenta outra capacidade de construção ofensiva, com Hamsík e Kucka a assumirem as rédeas deste setor à frente dos centrais, sem esquecer Hrosovsky ou Gregus que também podem ajudar mais no processo defensivo. Mais à frente, Lobotka será uma espécie de elo de ligação com colegas mais vocacionados para o ataque, onde Laszlo Benes, Ondrej Duda e Tomas Suslov assumirão claramente o papel de médios-ofensivos, com pouca competência no apoio defensivo. Hromada também poderá servir para essa função. A qualidade na frente não é muito alta, com Haraslin, Weiss ou o diferenciado Robert Mak a servirem pontas-de-lança medianos como Bozeník, Schranz ou Duris.

GRUPO F

PORTUGAL

Os campeões em título têm um plantel claramente à altura do desafio que os espera, e numa equipa que terá na sua consistência defensiva uma das suas grandes qualidades, Rui Patrício terá a forte concorrência de Anthony Lopes e de um Rui Silva em grande forma na liga espanhola, Rúben Dias, Pepe e José Fonte serão os «guardiões» do eixo da defesa, e exímios também na construção de jogo a partir de trás, e um médio-defensivo como Danilo Pereira, muito importante nas coberturas e equilíbrio tático que confere à equipa em todos os momentos de jogo. Nas alas, e face à competência defensiva e dinâmicas de jogo que Portugal evidencia, espera-se que João Cancelo e Nélson Semedo (à direita) e Raphael Guerreiro e Nuno Mendes (à esquerda) possam estar interventivos no apoio ao ataque.

Ainda na zona central, há médios com perfis para todos os gostos, desde um Rúben Neves especialista em excelentes passes em profundidade e remates de meia-distância, um Palhinha ou um William Carvalho muito fortes a defender mas capazes de iniciar jogadas de ataque organizado e combinações táticas ofensivas de excelente nível com colegas de setores mais adiantados, um Sérgio Oliveira ou um João Moutinho muito fortes na ligação com o ataque mas também na recuperação de bolas a meio-campo, com o portista a destacar-se nos remates e nas bolas paradas, ou um Renato Sanches tecnicamente evoluído, excelente no transporte de bola para o ataque e capaz de «arrancadas» explosivas capazes de perturbar as organizações defensivas adversárias. E se acham que já viram tudo, convém não esquecer que ainda fazem parte da comitiva um Bruno Fernandes que regista 28 golos e 18 assistências esta época, ou um fantástico Bernardo Silva, fulcral no processo ofensivo numa das melhores equipas do Mundo, o Manchester City de Pep Guardiola.

No ataque, Cristiano Ronaldo, André Silva e Diogo Jota são presenças obrigatórias na comitiva lusa, numa seleção em que, face às escolhas habituais de Fernando Santos para o setor, não surpreendem as chamadas de João Félix, Rafa ou Gonçalo Guedes. Pedro Gonçalves acaba por ser justamente recompensado pela grande época efetuada.

ALEMANHA

Neuer voltará a ser indiscutível na baliza, mas bem acompanhado por Leno e Trapp, numa seleção que à defesa tem algumas novidades relativamente às qualificações, mas dotada de uma qualidade muito elevada, com Hummels, Rudiger, Emre Can, Matthias Ginter, Niklas Sule e o menos conhecido mas muito competente Robin Koch a serem opções para o centro da defesa, que ainda tem um polivalente Klostermnann que também se adapta às funções de lateral-direito, numa convocatória em que Gosens, Halstenberg e Gunter também podem jogar nas laterais defensivas.

Com um sentido posicional muito apurado que lhes permite intercetar e neutralizar vários lances de perigo dos adversários e dotados de capacidade técnica para ajudar a equipa a desenvolver jogadas de ataque organizado a partir do meio-campo, até com assistências decisivas, Toni Kroos, Kimmich e Neuhaus só pecam pela capacidade limitada de desarme e agressividade na recuperação de bolas, num setor repleto de alguns dos melhores médios-ofensivos do torneio, como Havertz, Goretzka, Gundogan ou o muito jovem Musiala. No ataque, espera-se mobilidade, velocidade, imprevisibilidade e jogadores que não se dão à marcação, pois não existem pontas-de-lança a funcionar como referência mais fixa. Mas tomara a muitos ter Leroy Sané, Gnabry, Werner, Hofmann, Thomas Muller e Volland!

FRANÇA

Lloris parece seguir em vantagem para ser o guarda-redes titular dos gauleses mas com forte concorrência de Mandanda e Maignan, e por falar em muita qualidade e forte concorrência veja-se a defesa, com Lenglet, Varane, Kimpembe, Zouma e Koundé a serem os centrais de serviço, Pavard e Dubois a estarem escalados para a direita, e Lucas Hernández e Digne na esquerda.

Depois de uma excelente temporada, Rabiot vai ser um dos elementos fulcrais desta seleção, através de uma combinação entre capacidade de desarme e recuperação de bolas, competência posicional, qualidade de passe e supremacia no jogo aéreo, juntando-se ao «todo-o-terreno» N’Golo Kanté e a Paul Pogba, também ele muito forte na recuperação de bolas, jogo aéreo, passes longos e remates de meia-distância, num setor em que Tolisso e Moussa Sissoko também são opções.

Onde a qualidade se «atropela» é no ataque, onde Mbappé, Griezmann, Lemar, Ousmane Dembélé e Kingsley Coman darão apoio pelas alas a avançados como Benzema, Marcus Thuram, Ben Yedder e Giroud. Um leque digno de um forte candidato ao título!

HUNGRIA

Gulacsi será provavelmente o titular da baliza de uma equipa em que na defesa até existem jogadores tecnicamente razoáveis mas com carências defensivas que se enfatizam mais a este nível, como Willi Orban, Attila Szalai, Attila Fiola, Akos Kecskes ou Adam Lang e, mesmo nas laterais, o panorama não é muito melhor, embora Bendeguz Bolla ou o adaptado Kevin Varga tenham algum potencial, aos quais se podem acrescentar Lovrencsics, Botka ou Négo.

No meio-campo, nem mesmo os jogadores mais fortes no plano teórico parecerão ter capacidade para surpreender pela positiva, mas há que estar atento a homens como Adam Nagy ou Roland Sallai, num setor que conta com jogadores que vão construindo uma carreira, apesar de tudo, interessante em campeonatos de nível secundário, como Gazdag, Kleinheisler, Schafer, Siger ou Cseri. No ataque, com exceção para o extremo Holender ou o ponta-de-lança Adam Szalai, a Hungria recrutou atacantes ao seu campeonato ou recentemente saídos dele, como Roland Varga, Janos Hahn, Nemanja Nikolic ou Szabolcs Schon, todos eles competitivos nesse contexto.

Por Gonçalo Novais

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