AS 24 EQUIPAS DO EUROPEU: GRUPOS A-B-C

Caros(as) leitores(as) do jornal.

Numa altura em que se aproxima a nova edição do Europeu de futebol que se devia ter realizado no ano passado, faço humildemente o meu trabalho, para o Desportivo Transmontano, de TODAS as seleções presentes, apresentando neste artigo as equipas dos grupos A, B e C.

Uso uma linguagem pouco técnica e mais simples e acessível, para que qualquer pessoa que leia tenha uma ideia concreta do que pode esperar.

E claro: nem todos vão concordar com as minhas descrições, mas o futebol é magnífico exatamente por isso – porque cada um de nós tem uma forma particular de olhar para ele.

GRUPO A

ITÁLIA

Crónica candidata ao título, apresenta-se num Grupo A onde, à partida, pode aspirar ao primeiro lugar.

Com Sirigu e Donnarumma em luta pela titularidade na baliza, experiência é palavra de ordem numa defesa em que Bonucci, Chiellini, Acerbi ou o lateral ofensivo Florenzi são as referências de um setor em que já surge Bastoni para «agarrar» o futuro da formação transalpina.

Mas é a partir do meio-campo que vemos os setores em melhor forma. Jorginho, Verrati ou Barella parecem ser o «trio» preferido de Roberto Mancini, mas atenção a um Locatelli em grande forma, a um Cristante exímio a nível técnico-tático em todos os momentos de jogo, e a Lorenzo Pellegrini ou Stefano Sensi, importantes na ligação ao ataque.

E que ataque este! Quando se tem médios-ofensivos/extremos como Chiesa, Insigne, Bernardeschi ou Berardi e goleadores como Belotti e Immobile, as defesas contrárias que se cuidem. E ainda há um Giacomo Raspadori em excelente forma a querer transportar para a Itália os bons apontamentos no Sassuolo.

TURQUIA

Numa seleção com vários jovens (o guarda-redes provável titular Mert Gunok e o ponta-de-lança Burak Yilmaz são os únicos com mais de 30 anos), a Turquia tem legítimas aspirações a passar a fase de grupos.

Um primeiro aspeto que chama a atenção é a qualidade das opções na zona central – na defesa, há Soyuncu, Demiral, Kabak ou Kaan Ayhan, no meio-campo Okay Yokuslu, Ozan Tufan, Antalyali ou Dorukhan Tokoz suportarão os elos de ligação ao ataque, como serão o «craque» Çalhanoglu, Irfan Kahveci ou Orkun Kokçu, que terão pela frente Enes Unal, o avançado móvel que terá a companhia do «artilheiro» Yilmaz.

No entanto, pelas laterais a Turquia tem opções de enorme nível, e se Zeki Celik é um dos melhores laterais da Liga Francesa, lá na frente Yazici, Karaman ou Cengiz Under serão as grandes apostas como extremos no apoio aos atacantes da zona central, com Abdulkadir Omur ou Akturkoglu a serem potenciais alternativas a acompanhar.

PAÍS DE GALES

O experiente Wayne Hennesey será o guardião das redes galesas, numa defesa em que vão aparecer elementos de uma nova geração que marcará a próxima década desta seleção, como o lateral-direito Neco Williams ou os centrais Joe Rodon, Ampadu e Chris Mepham, todos eles razoáveis. O lateral-esquerdo Ben Davies é, contudo, a grande «estrela» do setor defensivo.

Com Ramsey a assumir a liderança da equipa a meio-campo e um Joe Allen em busca da melhor forma após uma época complicada, o Euro pode ser aproveitado por alguns jovens para se afirmarem no meio-campo galês. Chamo a atenção para o médio-defensivo Matt Smith, muito bom a nível posicional no processo defensivo e na forma como lança a equipa para a frente, bem como David Brooks, especialista no municiamento do ataque.

Na frente, Gareth Bale e Daniel James complicarão muito a vida às defesas adversárias por força da sua enorme qualidade, mas atenção à veia goleadora de Kiefer Moore e à técnica e capacidade desequilibradora dos jovens Harry Wilson e Tyler Roberts.

SUÍÇA

Outra seleção com muita qualidade em todos os setores da zona central!

Na baliza, Sommer perfila-se como provável titular entre um «trio» de luxo que ainda integra Mvogo e Omlin, o centro da defesa tem Elvedi e Akanji como grandes referências, o meio-campo é um poço sem fundo de qualidade em que se aglomeram Granit Xhaka, Zakaria, Djibril Sow, Remo Freuler ou Edimilson Fernandes e, no ataque, a mobilidade, qualidade técnica e competência na procura de espaços de Embolo pode potenciar a eficácia finalizadora de Seferovic e Gavranovic.

Nas alas, espera-se que os laterais Mbabu e Ricardo Rodríguez ou os alas Shaqiri e Rúben Vargas apoiem a equipa nos momentos em que procure dar largura ao seu jogo de ataque e ter mais opções de penetração nas defesas contrárias.

GRUPO B

BÉLGICA

Uma das grandes candidatas ao título europeu, a Bélgica traz Courtois e Mignolet para serem os guardiões de uma equipa que tem um leque de centrais de luxo – Alderweireld, Vermaelen, Vertonghen, Boyata e Denayer – e dois laterais de muito bom nível, sendo previsível que Meunier ocupe a direita e Castagne na esquerda.

A meio-campo, competirá ao possante Dendoncker e ao bem conhecido Witsel darem equilíbrio a toda a equipa a partir de uma zona central em que os fortes remates de meia-distância de Tielemans, a classe na organização de jogo ofensivo de Kevin De Bruyne e a grande forma de Vanaken na finalização e nas assistências para os homens na frente.

E no ataque, Roberto Martínez vai ter uma boa «dor de cabeça» para saber quem pôr a jogar. Para as alas, há os irmãos Hazard, Ferreira-Carrasco, Mertens, Chadli, Trossard e Doku oferecem valências diferentes à forma como o ataque belga tenta ultrapassar as defesas contrárias, e no meio Lukaku, Benteke e Batshuayi serão os «artilheiros» de serviço, embora o avançado do Inter esteja em muito melhor forma que os outros.

DINAMARCA

Equipa com fortes hipóteses de passar a fase de grupos, assenta as suas aspirações num setor defensivo robusto, em que Kasper Schmeichel será o titular provável, Andreas Christensen e Zanka Jorgensen combinam competência defensiva com capacidade de construir a partir de trás, Kjaer e Vestergaard são mais fortes no capítulo defensivo e nas laterais a luta por posições promete ser grande, sendo eu muito apreciador de Maehle na direita e Boilesen na esquerda, mas reconhecendo que Daniel Wass ou Stryger Larsen são duas alternativas válidas, especialmente o primeiro.

No meio-campo, a Dinamarca pode contar com dois médios-centros de excelência na organização de todos os processos e fases de jogo da equipa – o excelente Hojbjerg e Thomas Delaney -, e mais talhados para tarefas ofensivas, o sempre fantástico Eriksen e colegas como Mathias Jensen ou Anders Christiansen prometem servir com categoria o ataque com os seus passes e assistências primorosas e visão de jogo de grande inteligência.

No ataque, Braithwaite, Kasper Dolberg e Yussuf Poulsen tentarão abrilhantar a sua época no Euro após prestações menos brilhantes nos clubes, com Andreas Cornelius (avançado forte nas assistências e passes longos) ou Jonas Wind (bom finalizador) a aparecer como boas soluções, sem querer descurar a utilidade de atletas como Robert Skov ou Andreas Skov Olsen.

RÚSSIA

A viver um momento de transição na baliza – o carismático Akinfeev e o habitual titular Guilherme Marinato estão fora do Euro -, caberá a Shunin ou à jovem promessa Safonov defenderem as redes russas, que estarão igualmente protegidas por uma defesa em que, exceção feita aos laterais Mário Fernandes e Karavaev, os demais elementos parecem-me limitados, quer os centrais Semyonov, Kudryashov, Dzhikiya ou Diveev como o lateral-esquerdo Zhirkov, cada vez com mais dificuldade em apoiar o ataque, pese embora a sua competência posicional defensiva.

Num meio-campo que talvez necessitasse de mais capacidade defensiva, caberá a Ozdoev, Kuzyaev, Zobnin, Makarov ou ao jovem Mukhin garantir o equilíbrio tático da equipa a meio-campo, porque mais à frente Daniil Fomin, Aleksey Miranchuk, Golovin e Ionov asseguram qualidade na forma como servem os homens da frente.

Na frente, Dzyuba e Sobolev são os goleadores de serviço, Cheryshev tem estado melhor na seleção do que no clube, o «gigante» Zabolotny também pode fazer mossa nos adversários e atenção a Andrey Mostovoy ou Zhemaletdinov, que também estão na seleção para funcionar como «abre-latas» das defesas contrárias.

FINLÂNDIA

O bem conhecido Hradecky será o mais que provável guardião de uma defesa que terá muito trabalho para mostrar a sua solidez, e em que o lateral do Genk, Jere Uronen, é a principal figura de uma equipa que tem como outras referências os centrais Arajuuri, Toivio, Vaisanen e Daniel O’Shaughnessy ou o também lateral Jukka Raitala.

Campeão no Rangers, Glen Kamara terá a ajuda do possante e alto Tim Sparv e do defensivamente compacto Rasmus Schuller para proteger a defesa no meio-campo central e servir de apoio às investidas ofensivas de Robin Lod, Joni Kauko e o jovem do CF Montréal, Lappalainen, que encontrarão na frente o «poder de fogo» dos perigosíssimos Pukki e Pohjanpalo e das alternativas Valakari e Marcus Forss.

GRUPO C

HOLANDA

Com o habitual titular Cilessen ausente, Tim Krul parece ser o mais forte candidato a ocupar a baliza, mas sem menosprezar a possibilidade de Stekelenburg e Bizot de lá chegar.

A defesa é empolgante pelo grande potencial dos seus jogadores – o lateral-direito Dumfries não só é muito bom a defender como também aparece com perigo no ataque, os centrais De Ligt e Jurrien Timber são muito bons a organizar jogo a partir de trás e Owen Wijndal já é um dos mais promissores laterais-esquerdos do Mundo. Veltman, Aké, De Vrij, Blind e Van Aanholt também foram convocados, mas vai notar-se a ausência de Van Dijk, para dar agressividade defensiva a uma seleção por vezes «macia» a defender.

Para ajudar no processo defensivo, o excelente jovem Koopmeiners tentará mostrar na seleção tanto a sua capacidade posicional e de desarme como a qualidade de passe para os homens da frente, e que terá a concorrência de Van de Beek e Marten de Roon como homens com perfil mais defensivo, porque os restantes são especialistas na construção de jogo ofensivo e as opções são várias, como Klaassen, Wijnaldum, Gravenberch e Frenkie de Jong. E que opções!

Fazendo jus à sua história, a Holanda chega ao Euro com um ataque em grande momento de forma. Pelos flancos, Berghuis e Depay estarão no melhor momento de forma das suas carreiras, e Cody Gakpo começará a fazer o seu percurso em fases finais pela seleção principal, confirmado o seu valor nas seleções jovens e no PSV Eindhoven. No centro do ataque, coabitarão avançados mais móveis e que gostam de executar as suas ações ofensivas com a bola à flor da relva (Quincy Promes e Donyell Malen), e homens mais fixos mas letais na finalização (Weghorst e Luuk de Jong).

ÁUSTRIA

Sem Cican Stankovic nem Heinz Lindner, que repartiram entre si a titularidade da baliza austríaca durante as qualificações, existe a dúvida de saber se o selecionador Franco Foda apostará na veterania de Pavao Pervan ou nos mais jovens Alexander Schlager e Daniel Bachmann, que têm dado boa conta de si nos clubes.

A defesa é mais do que a referência Alaba e é sobretudo forte na zona central, com Stefan Posch e Hinteregger mais fortes no capítulo defensivo e Dragovic e Lienhart (que também joga bem a meio-campo) a serem mais úteis na construção de jogadas de ataque. Nenhum dos laterais é propriamente de classe mundial mas são elementos válidos, com Lainer e Trimmel escalados para a direita e Ulmer e Marco Friedl na esquerda.

No meio-campo central, a qualidade é muita, e evidencio aqui o enorme potencial de Xaver Schlager, um médio forte no jogo aéreo, muito bom a recuperar bolas e competente na projeção que dá à sua equipa no ataque, com golos e assistências a condizer, e que terá nas mesmas funções outros colegas que sobressaem mais em tarefas defensivas, Baumgartlinger, Grillitsch e Ilsanker. Outro «craque» desta equipa é Sabitzer, médio-ofensivo que dinamizou com imensa qualidade o jogo do Leipzig. Louis Schaub, um dos bons jogadores do campeonato suíço, Konrad Laimer e Alessandro Schopf são também opções.

No ataque, caberá a Chris Baumgartner, Gregoritsch, Valentino Lázaro e Onisiwo servirem uma dupla de avançados de excelente categoria, e se Arnautovic já é bem conhecido, que dizer de um Kalajdzic que tem empolgado os adeptos do Estugarda? Se o setor defensivo ajudar, a Áustria pode fazer um bom Europeu.

UCRÂNIA

Seleção que aparece em plena renovação nos setores mais recuados, com Anatolli Trubin prestes a receber a defesa das redes ucranianas das mãos do mítico Pyatov, e jogadores como os laterais-esquerdos Zinchenko e Sobol ou os centrais Matvienko, Mykolenko, Denys Popov ou o «teenager» Ilia Zabarnyi a terem um grande palco para a sua afirmação, numa seleção em que o «trintão» Kryvtsov continuará a ser influente e Tymchyk «espreitará» uma oportunidade no lado direito.

Makarenko, Stepanenko e Sydorchuk serão as referências no meio-campo defensivo e estarão muito bem acompanhados, já no apoio mais próximo ao ataque, de homens como Bezus, Marlos, o grande «craque» Malinovskyi, Yaremchuk, Yarmolenko ou Tsygankov, só para falar dos atacantes de maior qualidade. Numa seleção orientada pelo lendário Shevchenko, o panorama atual é marcado por finalizadores mais medianos, como Biesedin ou Dovbyk.

MACEDÓNIA DO NORTE

Na baliza, Dimitrievski parece levar vantagem sobre a concorrência liderada por Siskovski e a defesa está na máxima força, com o ex-sportinguista Ristovski e o lateral do Leeds, Alioski, a assumirem as alas, e o eixo a ter como opções uma série de jogadores importantes na dinâmica da seleção, como Ristevski, Bejtulai, Musliu ou Zajkov, um dos melhores centrais desta equipa mas que vem de uma temporada individualmente difícil no Charleroi.

No meio-campo, há três jogadores muito acima da média, com Ademi a ser o pilar mais recuado de todos os processos de jogo da equipa e a dar a Enis Bardhi e Elif Elmas a «liberdade» para atormentarem as defesas contrárias com o seu enorme talento. Num setor em que o patamar competitivo é mediano, Spirovski, Nikolov, Kostadinov, Avramovski ou Hasani servirão sobretudo para rodar a equipa quando necessário.

Com Pandev longe da forma de outros tempos, o ataque macedónio não é abundante em termos de talento mas tentará apoiar-se em jogadores como Trickovski ou Trajkovski para tentar levar perigo às balizas contrárias, mas verifica-se escassez de qualidade para este nível competitivo.

Por Gonçalo Novais

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