Antevisão Euro SUB-21 2021 – Grupo A

ALEMANHA

Uma das seleções que pode lutar pelo título europeu, a Alemanha parte para este torneio com a missão de mostrar ter sabido ultrapassar os percalços que, na fase de qualificação, sofreu diante de adversários mais competitivos.

Na baliza, surgem três jovens à procura de uma «montra» para a sua afirmação. Markus Schubert e Lennart Grill já competiram na Bundesliga e deixaram boas indicações, embora ainda não se tenham afirmado no Schalke 04 e Bayer Leverkusen, respetivamente. Finn Dahmen, do Mainz, é o terceiro guarda-redes, mas espera-se que a titularidade seja disputada pelos outros dois.

No setor defensivo, o ala direito Ridle Baku aparece como uma das grandes «estrelas» da seleção germânica. A realizar uma excelente época no Wolfsburgo, tanto é bom a defender em termos posicionais e técnicos como consegue desenvolver iniciativas ofensivas de grande perigo, como o comprovam os cinco golos e três assistências que já leva esta época. Na zona central, atenção ao valor de Nico Schlotterbeck ou Amos Pieper, que nos vão habituando a exibições muito positivas no campeonato, numa Alemanha que vai buscar competência às melhores equipas da segunda divisão, como os casos do central Stephan Ambrosius ou dos laterais-esquerdos Maxim Leitsch, David Raum (já contratado pelo Hoffenheim ao Greuther Furth) ou Josha Vagnoman, sem esquecer Malick Thiaw, central do Schalke 04 que, apesar de alguma qualidade que tenha, acredito que irá parar às seleções da Finlândia ou do Senegal, de onde tem ascendência familiar materna e paterna, respetivamente.

A meio-campo, notam-se as ausências de elementos como Dennis Geiger ou Robin Hack, que sobressaíram na qualificação, mas a qualidade não deixa de ser enorme. Um dos melhores médios-defensivos da liga belga, Niklas Dorsch será um valor de luxo para o eixo do meio-campo e para a garantia do equilíbrio tático de toda a seleção, e à frente dele terá jogadores de grande nível para empurrar a equipa para a frente, como Salih Ozcan, Arne Maier ou Mateo Klimowicz, que tão boa figura tem feito entre os talentos do Estugarda. A realizar uma excelente época no Brentford, do Championship, Vitaly Janelt é sempre um perigo com os seus portentosos remates de meia distância e Anton Stach, do Greuther Furth, é uma surpresa na convocatória.

Surpresa menor é a introdução de um jovem de 16 anos entre o lote dos escolhidos. Dotado de um talento extraordinário para a idade, Moukoko faz dos seus potentes remates, qualidade de drible e arrancadas explosivas sempre com a bola bem controlada um «cocktail» letal para as defesas adversárias e, com toda a naturalidade, figura entre as grandes atrações deste Europeu. Neste setor ofensivo, há outras duas figuras de relevo que até jogam fora da Alemanha, com Mergim Berisha a tentar trazer do Red Bull Salzburgo para os sub-21 a enorme qualidade das suas assistências e a capacidade que tem de jogar entre linhas para gerar desequilíbrios nas defesas adversárias, e Lukas Nmecha, ponta-de-lança e «artilheiro-mor» do Anderlecht, a procurar projetar-se para outros voos. Já integrados na estrutura dos sub-21 e com presença constante nas qualificações, Ismail Jakobs e Jonathan Burkardt voltam a merecer a confiança do selecionador Stefan Kuntz, e apesar de algum desacerto recente na finalização, o ponta-de-lança Florian Kruger, que joga no Erzgebirge Aue da Segunda Liga alemã, vai ser opção para o Campeonato da Europa.

HOLANDA

Seleção muito interessante esta, com vários jogadores bem conhecidos da alta-roda do futebol europeu e que, brevemente, poderão ser opção regular para a seleção principal.

Na baliza, contudo, falta um guarda-redes de eleição, embora Justin Bijlow esteja a fazer alguns jogos pelo Feyenoord, mas a verdade é que tanto ele como os guardiães Maarten Paes ou Kjell Scherpen ainda precisem de se afirmar pela sua qualidade.

Na ala direita da defesa, estão dois jogadores de perfis diferentes, um Deyovaisio Zeefuik que se impõe por um estilo mais agressivo na disputa de bola e uma maior capacidade de explosão em momentos de arrancar para o ataque, e um Sherell Floranus mais envolvido em combinações ofensivas rápidas com colegas e mais preocupado com um bom posicionamento defensivo. Na esquerda não há Owen Wijndal, um dos futuros melhores laterais-esquerdos da Europa, mas há Mitchell Bakker, do PSG, conhecido pelas suas boas arrancadas pelo flanco e bons cruzamentos tirados, além de uma outra boa jogada de combinação. No centro, Perr Schuurs é já um central de classe mundial, excelente em termos posicionais, no desarme e na forma como imediatamente lança o ataque com passes longos bem medidos, atributo que se verifica em todos os outros centrais da Holanda. Além destas qualidades, ele e Danillho Doekhi, outro central, são bons no jogo aéreo, lacuna que pode ser apontada aos colegas Jordan Teze ou Jurrien Timber, também convocados.

No meio-campo, falta Ryan Gravenberch, jogador do Ajax que abrilhantaria esta competição, mas sobram atletas de eleição. Um deles é Teun Koopmeiners, médio-defensivo que é já dos melhores da sua geração. É excelente para qualquer abordagem ao jogo no plano defensivo, seja quando é preciso jogar mais em contenção no seu meio-campo e ser muito bom na cobertura defensiva, seja quando é necessário fazer um pressing mais próximo do meio-campo defensivo contrário, impedindo que o adversário construa. Além disso, marca muitos golos e faz assistências em razoável número para um jogador na sua posição. Mais ofensivos, Dani de Wit é um bom médio a transportar jogo para o ataque, a fazer passes primorosos para a desmarcação de colegas e a aparecer em zonas de finalização, e Noa Lang tem um talento incrível, rapidíssimo e tecnicamente evoluído no controlo e transporte de bola e no drible, e bom finalizador. Abdou Harroui, Ludovit Reis, Jurgen Ekkelenkamp e Ferdi Kadioglu são também jovens que poderão acrescentar valor à equipa, com diferentes características entre si, mais apropriadas a certas exigências do jogo.

No ataque, Justin Kluivert e Javairô Dilrosun serão os extremos de serviço, encarregues de estabelecer um elo de ligação da equipa com os finalizadores da frente, sendo que três são detentores desse perfil. Cody Gakpo, que esteve quase dois meses parado este ano por lesão prolongada, tentará libertar-se desses azares clínicos que têm atrasado a sua evolução, marcada por uma polivalência que o faz ser bom tanto a encontrar espaços de penetração e assistir como a marcar. Myron Boadu é um ponta-de-lança de grande capacidade finalizadora, com golos em metade dos jogos oficiais disputados esta época, mas com preferência por cruzamentos rasteiros e bola «à flor da relva», porque não se sente confortável no jogo aéreo. Ainda a dar os primeiros passos no Ajax, o «teenager» Brian Brobbey surpreende pela intensidade com que disputa cada lance, pela capacidade de explosão e a eficácia na hora de finalizar, ele que não precisa de muito tempo para faturar. As boas impressões têm sido tantas que até o Gana já o quer na seleção africana e o Leipzig também não perdeu tempo e já assegurou a sua contratação para a próxima época.

HUNGRIA

Seleção com muita gente desconhecida, tentará fazer boa figura num torneio que organiza, embora esteja num grupo muito difícil e careça de algum andamento competitivo, ao contrário dos adversários habituados a jogar juntos em provas oficiais.

Na baliza, por aquilo que conheço, creio que Patrik Demjén estará em melhor situação para assumir a titularidade, como continuação das exibições positivas que tem feito no Zalaegerszeg. Péter Kovács também tem sido bastante utilizado no Budaorsi e pode ser uma séria opção, e Balázs Bese é-me desconhecido.

O setor defensivo magiar espera-se certinho no processo defensivo, podendo evidenciar-se algumas fragilidades decorrentes do facto de vários destes jogadores serem confrontados com um nível de competitividade superior ao que estão acostumados. Contudo, é na defesa que encontramos um dos jogadores mais interessantes desta equipa, o central do Parma Botond Balogh, alto, competente no desarme e marcação, evoluído no jogo aéreo, que fará a sua terceira aparição em torneios internacionais de seleções jovens. Quatro anos depois de ter representado a Hungria no Europeu de Sub-17, o também central Attila Mocsi traz para a equipa um competente sentido posicional que faz dele forte na marcação e muito apto em termos de leitura de jogo, que o faz interceptar várias tentativas de ataque dos adversários. Na lateral-direita vamos encontrar outro bom jogador, Bendegúz Bolla, muito certinho a defender mas que precisa de imprimir uma intensidade superior às suas ações ofensivas, embora saiba envolver-se com os seus colegas da frente.

No meio-campo, o Euro Sub-21 será importante na valorização de Tamás Kiss, médio-ofensivo que pode também jogar a extremo e que representa a Puskás Akadémia. Forte no drible e no transporte de bola em velocidade, será um importante e rápido elo de ligação da equipa com os seus atacantes, e cuidado com os movimentos na diagonal seguidos dos remates cruzados com o pé esquerdo, sempre perigosos. Ainda muito jovem mas igualmente interessante é o médio-ofensivo Mihaly Kata, outro dos talentos da seleção magiar, e não esquecer András Csonka, médio mais defensivo conhecido pela sua boa capacidade de recuperação de bolas a meio-campo e bons passes em profundidade a lançar os colegas da frente. Se for necessário alguém bom no jogo aéreo, há Norbert Szendrei, mais um médio-defensivo da equipa.

O ataque conta com jogadores de qualidade e um deles, Dániel Zsóri, correu Mundo em 2019 com um brilhante remate acrobático que o levou a vencer o Prémio Puskas, atribuído pela FIFA. Hoje no Budafoki, conta na seleção com a companhia de Alen Skribek, extremo goleador a quem dar um bocadinho de espaço pode ser sinónimo de sofrer um golo. A veia goleadora de Donát Bárány, a experiência no futebol holandês do avançado-centro Adrian Szoke e a qualidade de drible de Márk Kovácsréti mesmo em zonas com maior concentração de adversários, juntamente com a qualidade técnica dos seus remates são outros aspetos de interesse nesta equipa, treinada por um dos melhores jogadores húngaros da sua geração, Zoltán Gera, autor de uma excelente carreira entre o «colosso» Ferencváros e o futebol inglês.

ROMÉNIA

Desprovida de alguns «craques» que a poderiam tornar mais competitiva, a Roménia parte para o Europeu com a vontade de não falhar a vitória no desafio frente à Hungria, tentando surpreender a Alemanha ou a Holanda, grandes candidatas aos dois primeiros lugares.

Na baliza, há três jovens valores já com muita experiência na Liga Romena, e se Andrei Vlad foi o mais usado nas qualificações, atenção à qualidade posicional, reflexos apurados e elasticidade a condizer de Mihai Esanu e Marian Aioani. Seja quem for o titular, a qualidade está assegurada!

Na defesa, destaco o lateral Denis Harut (muito bom a defender e na recuperação defensiva, e pode jogar nas duas laterais, cruzando bem com os dois pés), Radu Boboc (perigoso e imprevisível nas suas ações ofensivas), Alex Pascanu (um bom central, que amadurece nos espanhóis do Ponferradina) e Andrei Chindris (central com forte sentido posicional, impiedoso na marcação e bom a sair a jogar).

A meio-campo, o médio-defensivo Marius Marin terá a seu encargo o papel de recuperador de bolas a meio-campo, por força da sua agressividade a defender, competência no desarme e marcação e garantia de equilíbrio tático na zona central, por força do seu bom posicionamento defensivo, para não falar da qualidade dos seus passes longos. Bom transportador de bola em direção ao ataque, Darius Olaru também sabe marcar golos e aparecer bem em zonas de finalização, e atenção a «craques» como Alexandru Matan, Olimpiu Morutan ou Octavian Popescu, todos eles bons dribladores, rápidos com e sem bola e imprevisíveis no ataque, podendo aparecer em rutura tanto por dentro como por fora.

Numa equipa sem pontas-de-lança propriamente ditos, o ataque estará ainda entregue a avançados móveis, competentes no drible e no aproveitamento de espaços na defesa adversária para finalizar. Valentin Costache, George Ganea e Andrei Ciobanu são estes homens, sendo o último deles especialista em remates de meia-distância e lances de bola parada.

Gonçalo Novais

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