Andreia Fonseca a piloto da Cumieira que chegou ao automobilismo “empurrada” pelo irmão Rui

O nosso  convidado de hoje, não é um homem, mas sim uma senhora, sendo a primeira entrevistada de sexo feminino que falou um pouco de tudo na carreira desportiva,  falamos com Andreia Fonseca, piloto natural de Cumieira (Santa Marta de Penaguião), na qual como é óbvio colocamos a primeira questão, no sentido de sabermos como foi a sua época desportiva, o que nos começou por dizer “A época 2020 foi muito curta, visto que apenas consegui realizar uma prova, a Rampa Porca de Murça. A pandemia veio me impossibilitar de realizar as restantes provas do campeonato, tanto pelo facto de escassez de patrocinadores como profissionalmente ter me sido impossível.  Embora só tenha realizado apenas esta prova, ao volante do Fiat Punto da equipa JC Motorsport, foi uma prova muito importante, considero-a uma das rampas mais técnicas do campeonato, serviu sem dúvida para ganhar mais experiência, ganhar confiança e sobretudo viver intensamente o momento.” A opção por provas de Montanha tem uma razão lógica que nos explicou “A montanha é uma modalidade deveras cativante, começando pelo ambiente familiar, o apoio, o convívio e acabando na superação pessoal, na montanha a competição não se trata apenas de superar o adversário para atingir o pódio, mas sim superarmo-nos a nós mesmos a cada subida, os nossos obstáculos e conseguir sempre subida após subida atingir o nosso objetivo.  Embora tenha começado na montanha e não com a frequência desejada, procuro gradualmente marcar maior presença quer na montanha quer em outras modalidades, tenho ainda um gosto e curiosidade particular pelo rali.” Sobre o novo calendário para 2021, não deixou de expressar a sua opinião “A montanha para além de ter bastantes provas, consegue ainda ter a particularidade de estruturar o seu campeonato de forma a haver distância certa  entre provas, por forma a ajudar os pilotos a conciliar a sua vida profissional com a paixão pelas provas.  O calendário deste ano é muito interessante, embora com a pandemia ainda venha infelizmente a sofrer certamente alterações.”

Antes de entrar para o carro respeita algum ritual, o que depois de pensar um  pouco de forma natural disse-nos “O ritual principal antes de entrar para o carro é após ajustar todo o material, abraçar a família e equipa e partilhar a felicidade e ansiedade de acelerar.” E naqueles segundos que antecedem a partida para mais uma subida, o que lhe vai na alma “São sem dúvida os momentos em que mais pensamos nos concelhos que nos dão nas boxes e no que nós sabemos que temos de fazer e melhorar para atingir o esperado.  Definitivamente são os momentos vividos com mais ansiedade, mas após o semáforo verde aceso tudo passa, esquecemos tudo do lado exterior e a adrenalina de chegar ao topo, usufruindo ao máximo do momento e cruzar a meta é esplendido.”

O que acha da política da FPAK, com os desígnios de Ni Amorim? Acha que tem sido feito um bom trabalho? Quais as críticas a fazer a esse mesmo trabalho?” Acho que tanto a FPAK como Ni Amorim têm desenvolvido um excelente trabalho, não tendo nenhuma critica a apontar.” Voltando a falar do seu carro, já alguma vez chegou aos limites do mesmo? Nessa altura é fácil de ir buscar o mesmo? E sustos?”  Na minha breve prestação como piloto, já consegui vivenciar algumas situações, ao atingirmos certas velocidades torna se mais difícil o controlo, nesse momento basta uma travagem ou uma guinada mais violenta para que o coração bata mais forte. Na minha opinião só após muitas provas e talvez alguns anos com um carro serão suficientes para o levarmos ao limite e para ultrapassarmos todas as nossas barreiras. O maior susto que apanhei foi precisamente no ano passado em Murça onde na reta da meta, ao entrar numa velocidade exorbitante com o carro solto, ao guinar levantei as duas rodas direitas do Fiat e acabei por embater nos Rails.

Fale-nos da sua equipa. Quem é o preparador e os mecânicos que assistem o seu carro, o que logo nos respondeu “Na época de 2019 fui assistida pela equipa Pneu Bila Sport Racing, correndo com o seu Fiat Punto preparado por eles e por um grande amigo e mecânico Armindo Correia da Dourocar  .Na época 2020 fui assistida pela equipa JC Motorsport, correndo também ao volante de um Fiat Punto.  Na próxima época a ideia será possuir carro próprio, ainda em desenvolvimento, este está a ser desenvolvido pela oficina Auto Bairro Novo e pela Dourocar pelo mecânico Armindo Correia.”

Como é que chegou às corridas? Fale-nos um pouco de forma resumida como começou e quais os passos que deu até aos dias de hoje.”  Como referi anteriormente a minha passagem pelo mundo dos automóveis é relativamente curta. Embora tenha crescido no mundo dos carros e a acompanhar o meu pai e irmão que também já correram, tudo surgiu na primeira Super Especial da Cidade de Vila Real em 2019, onde por surpresa o meu irmão, Rui Fonseca, me inscreveu e me fez a surpresa. Acho que no fundo foi o empurrão que precisava para viver o sonho.  Após ter realizado a Super Especial, no mesmo ano realizei a minha primeira Rampa em Santa Marta, ou seja, em casa  .Em 2020 tinha várias ideias em cima da mesa, mas apenas consegui realizar a Rampa Porca de Murça, devido a toda a situação pandémica de 2020.

Andreia Fonseca e o irmão Rui Fonseca

Porque a preferência por montanha – rali  entre outros”  A preferência pela montanha dever-se ao número de provas realizadas no norte do país, o ambiente vivido, a organizações e pelo facto da prova em si nos fazer superar as nossas capacidades a cada subida e nos desafiar a fazer sempre melhor. Embora seja uma prova de competição coletiva é de certa forma competição individual, apoiando-nos como pilotos uns aos outros de forma a cada um fazer melhor e superar os seus limites subida a subida.

Acha que a atual divulgação do nosso automobilismo em Portugal em termos de TV melhorou? Qual a sua opinião, e na sua opinião quais as principais falhas, e o que sugere para colmatar essas mesmas falhas” Acho que com o tempo tem vindo a melhorar, contudo já pudesse estar mais presente quer a nível televisivo quer a nível de divulgação em redes sociais, para que as pessoas que não podem estar diretamente presentes em provas e que gostam de acompanhar o automobilismo pudessem usufruir, como por exemplo foi realizado em provas da montanha no ano 2020, pelo facto de não poder existir público.” Qual a sua opinião, acha que as medidas de segurança para os pilotos existentes nas pistas, montanha rali são suficientes ?E em termos de segurança pessoal sente-se seguro com o seu equipamento ?Acha que é necessário mais? ”Relativamente às medidas de segurança há que salientar a segurança do público e pilotos, referencio a vivência na Rampa de Murça 2020, acho que no fundo não existem culpados, o que é facto é que acho que deve haver mais segurança em algumas rampas como por exemplo na da Arrábida, e mais força de agentes de autoridade. Quanto ao equipamento dos pilotos acho que é suficiente, e é extremamente importante o controle do equipamento e carros realizado nas verificações.” Que evoluções tem previstas para a época de 2021 no seu carro?  ”Ainda incerta a participação em alguma prova nesta época 2021, a equipa composta pelas oficinas Auto Bairro Novo e Dourocar está calmamente e pormenorizadamente a trabalhar num novo carro, desta vez próprio, um belo Peugeot 106. A intenção será criar um carro dinâmico e veloz capaz de realizar a próxima época 2022 ou ainda alguma prova em 2021.”, conclui Andreia Fonseca.

Entrevista conduzida por João Raposo

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