AFVR e UTAD juntas em investigação sobre Bio-banding

AFVR e UTAD juntas em investigação sobre Bio-banding, uma das possíveis formas de atenuar as diferenças associadas à maturação no futebol de formação.

A Associação de Futebol de Vila Real (AFR) e a Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) juntaram-se para investigar possíveis soluções que ajudem a atenuar o impacto das diferenças associadas à maturação no futebol de formação. Assim, no passado dia 1 de Novembro realizou-se no Complexo Desportivo da UTAD uma atividade que juntou 110 crianças futebolistas, com idades de sub-13 e sub-14, provenientes de 5 clubes do distrito (Abambres SC, ADCE Diogo Cão, GD Chaves, Mondinense FC e SC Vila Real).

Nas semanas que antecederam esta atividade, os investigadores da UTAD deslocaram-se aos Clubes para efetuar recolha de dados antropométricos que permitiram, depois, estimar a idade maturacional de cada um dos jovens participantes na investigação. No dia do evento, foram realizados vários jogos de 20 minutos, em que nuns os atletas estavam agrupados de acordo com a sua idade cronológica e noutros de acordo com a sua idade biológica. Através da utilização de GPS e de cardiofrequencimetros, os investigadores da UTAD recolheram um conjunto de dados que vão agora analisar para poder retirar conclusões.

O diretor técnico regional da AFVR, Prof. Carlos Soares, e o Prof. Nuno Leite, do CIDESD-UTAD, consideraram a atividade um sucesso, reiterando o empenho de ambas as instituições em contribuir para o desenvolvimento do futebol de formação regional e nacional.

A maturação biológica, que diz respeito ao progresso até ao estado adulto, tem uma natureza muito individual. Assim, é muito frequente que crianças da mesma idade cronológica apresentem caraterísticas muito diferentes ao nível do timing maturacional. Este aspeto em concreto tem um forte impacto no desenvolvimento atlético, ao nível da performance física, mas também na seleção e na performance dos jovens atletas. O bio-banding consiste no agrupamento dos atletas com base em atributos associados à maturação biológica, como o timing maturacional, permitindo atenuar as diferenças associadas à maturação, encorajando os atletas a utilizar os seus atributos físicos, técnicos, táticos e psicológicos e parece apresentar-se como uma estratégia que pode ajudar a superar os desafios apresentados pelas diferenças individuais em termos de crescimento.

Estudos realizados concretamente no domínio da identificação e desenvolvimento de talentos desportivos têm confirmado a predominância de atletas com um desenvolvimento mais precoce nas etapas iniciais da preparação desportiva. No entanto, à medida que o processo de formação avança essa tendência sofre uma inversão, e nos escalões etários mais avançados pode ser observado um equilíbrio entre atletas com maturação tardia, normal e precoce. Assim, e havendo já imensos estudos que comprovam a existência deste problema, a AFVR e a UTAD pretendem focar-se no estudo de soluções que ajudem os Clubes e seus treinadores a compreender melhor a diferença entre o potencial e o real valor do jogador jovem, a diminuir o risco de lesão durante o momento de maior crescimento ósseo, ao nível do controlo da carga de treino e na construção de tarefas de preparação física, treino e competição.

Fonte: AFVR

Menu