Abambres SC: há mais de 50 anos a formar jovens atletas

O Abambres Sport Clube, dirigido por José Mourão, é um clube do concelho de Vila Real que, recentemente, foi galardoado com o prémio “Entidade Formadora Quatro Estrelas”, pela Federação Portuguesa de Futebol.

Decorria o ano de 1968 quando Abambres Sport Club foi oficialmente reconhecido. Os membros fundadores que elaboraram os estatutos e organizaram o clube tomaram os cargos da direção, cujo presidente foi José Manuel dos Santos. Já desde a primeira escritura de constituição que o clube apresenta valores como “a promoção desportiva, cultural e recreativa dos seus associados”.

Para ser atleta do Abambres é possível começar aos cinco anos, em escalões que são compreendidos entre os sub-5 e os veteranos, contudo é “essencialmente um clube de formação”, afirmou o atual presidente, José Mourão.

Para promover a formação e os escalões mais jovens, o Abambres organiza, todos os anos, no mês de junho, um torneio denominado “ABAMBRES CUP”, que envolve cerca de 900 atletas dos escalões “Traquinas, Benjamins e Infantis” e 200 treinadores e diretores desportivos que representam a zona norte e centro do país.

O trabalho, tempo e preocupações do clube com a formação de atletas reflete-se na certificação que reconhece o clube como “Entidade Formadora Quatro Estrelas”, um selo de qualidade atribuído pela Federação Portuguesa de Futebol (FPF). Feito que, no distrito, apenas o Abambres e o Grupo Desportivo de Chaves conseguiram.

O certificado é “um orgulho para o clube e as suas gentes”, contudo representa “acima de tudo, uma enorme responsabilidade”, afirmou o presidente, confessando ainda que “a dificuldade será manter as quatro estrelas”.

“O Abambres não é só futebol”

José Mourão explicou que o clube é também “uma escola para a vida”. Através de uma estrutura especializada e melhorada que vai desde o acompanhamento escolar dos atletas, departamento médico, que conta com ortopedista e diretor clínico, psicólogos a nutricionistas de modo a “fazer um acompanhamento de perto de todos os atletas”.

Condecorado com a “Bandeira da Ética” pelo Instituto Português do Desporto e Juventude (IPDJ), o clube rege-se pelos princípios e valores “da Ética, Responsabilidade, Camaradagem, Disciplina, Respeito, Dedicação, entre outros”.

Relativamente aos objetivos, a nível desportivo, o clube encontra-se na fase final de apuramento de campeão, em iniciados e juvenis, os dois escalões em que o dirigente espera que se conquistem títulos.

No que diz respeito às instalações do Abambres, José Mourão revelou o desejo “acabar a obra de requalificação do edifício e a cobertura da bancada”.

Recentemente, o clube assinou um protocolo de formação com a União Geral de Trabalhadores de Vila Real (UGT), em que será possível, numa primeira fase, a formação certificada aos treinadores e dirigentes do clube. “Suporte básico de vida e primeiros socorros vão ser os principais focos”, afirmou o presidente, alargando a possibilidade de formação a pais de atletas e sócios do clube.

O objetivo passa pela formação de adultos e a valorização dos seus quadros. O Abambres Sport Clube vê assim o seu trabalho reconhecido por parte de entidades superiores, a nível desportivo e humanitário.

Revolta da população esteve na origem do clube

A fundação do Abambres SC teve origem numa revolta da população local. Tudo aconteceu quando a representante da família Lameirão, conhecida por D. Carola, num dia frio de dezembro de 1967, se apropriou ilegitimamente do campo do “Troviscal”, situado junto à estrada do circuito e da Cooperativa Agrícola.

Na época, este campo, que havia sido doado pelo seu pai Francisco Lameirão, foi lavrado com máquinas, a coberto da proteção da polícia, tendo havido agressões à população revoltosa, de que resultou o mandado de detenção ao “Ti Miguel Nato”.

A partir dessa data foi constituída a comissão e após um gesto próprio de mecenas, por parte de D. Maria de Lurdes do Amaral, ao ceder um terreno para edificação do atual campo de jogos, que veio substituir o antigo campo do “Troviscal”, deu-se início aos trabalhos de construção que se prolongaram até novembro de 1973. Um gesto de mecenas, sim, mas também de crença, no futuro do, na altura, recém-nascido clube.

Reportagem de Luís Miguel Gusmão, publicada originalmente na edição nº 704 do Notícias de Vila Real.

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