A primeira grande competição pós-pandemia – Mundial de Andebol

O Campeonato do Mundo de Andebol Masculino, que se realizou no Egito de 13 a 31 de janeiro, foi a primeira grande competição desportiva realizada pós-pandemia. Não fosse por si só já um grande desafio, este foi o primeiro mundial que contou com 32 seleções presentes na fase final. Mesmo em relação à presença de público, a organização chegou a prever, a cerca de 2 semanas do início do mundial, que os pavilhões pudessem ter 20% da lotação, mas a imediata pressão das federações participantes, assim como de alguns mediáticos atletas ao ameaçarem não comparecer, fez com que a organização recuasse e torna-se mais viável fazer a “bolha” à volta de todos os participantes. 

A pandemia esteve sempre presente e, a menos de uma semana para o seu início, o covid-19 fazia já vítimas. Devido ao elevado número de casos positivos nas comitivas da República Checa e dos Estados Unidos da América, ambas as seleções tiveram que abdicar da presença, sendo substituídas pela Suíça e pela Macedónia do Norte. Houve ainda mais seleções que tiveram problemas com casos positivos, fazendo desta forma baixas, mas não em tão grande número do que as atrás citadas. Uma das que mais se falou, foi a bem nossa conhecida seleção de Cabo Verde, que contou com a equipa técnica portuguesa, Professor José Tomás e Rui Ferreira e, como atletas, tinha na comitiva inicial 10 jogadores que jogam em Portugal. Tinha tudo para ser uma estreia em grande dos Cabo-Verdianos, mas logo à partida alguns dos atletas, assim como o Professor José Tomás não foram autorizados a viajar. Mesmo com todos esses contratempos, no jogo inicial frente à forte Hungria, deram boa réplica, perdendo por 34/27. Nos jogos seguintes, por insuficiente número de atletas com testes negativos, Cabo Verde, acabou por ver averbadas faltas de comparência até ao final, acabando assim de forma inglória uma participação, que com muito esforço e entusiasmo, os responsáveis pela Federação Cabo-Verdiana levaram a cabo.

Durante a realização do Mundial, os testes a todos os envolvidos foram uma constante. Como dizia o nosso selecionador Paulo Jorge Pereira à Tribuna Expresso “No início senti-me mais ou menos a salvo. Fizemos o teste logo no aeroporto, ainda na plataforma, e depois logo a seguir no hotel também, um rápido e um PCR. Dois testes seguidos… eu nem percebi. Depois eram PCRs todos os dias”! Ainda em relação à dificuldade de viver um momento alto da modalidade sem o calor humano do público e, com todas as limitações do momento, na mesma ocasião o selecionador nacional referiu “Quem ganhar este Mundial devia ter uma medalha um bocadinho mais grossa, porque não é fácil estar tanto tempo encerrado, sem poder sair, dar um passeio.”

O sucesso da organização, mesmo com todas as limitações relatadas foi tal que o Presidente do Comité Olímpico Internacional, Thomas Bach, referiu “A IHF deu o seu melhor, criando uma bolha para cerca de 3000 pessoas. Com testes modernos e rápidos para atletas e todos os outros participantes, o Andebol deu o exemplo para a organização de um grande evento desportivo durante a pandemia. Isto vai dar confiança a todo o movimento olímpico, pois podemos ver que é possível organizar um grande evento de forma segura e saudável. Este Campeonato do Mundo de Andebol foi um grande incentivo e com certeza vamos beneficiar desta experiência nos Jogos Olímpicos de Tóquio”.

 Desportivamente, a Dinamarca sagrou-se bicampeã do mundo, depois de vencer os vizinhos nórdicos da Suécia numa disputada e empolgante final. Também entre vizinhos, a Espanha superiorizou-se à França, arrecadando a medalha de bronze.

De facto, no alto nível o sucesso e o insucesso podem muitas vezes ser efémeros! Dos quatro semifinalistas deste mundial, três deles (Dinamarca, Suécia e França) ficaram atrás de Portugal no Europeu de 2020!

E por último, mas não menos importante, diria que Portugal para além do 10º lugar conseguido, acabou com um grande motivo orgulho. Humberto Gomes, foi neste Mundial o guarda-redes mais eficaz da competição, acabando a mesma com uma impressionante eficácia de 43 %! Parabéns Humberto e, se não for antes, festejaremos pessoalmente no próximo Tribol!

Adriano Tavares (Presidente Associação de Andebol de Vila Real)

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