A importância do vídeo-árbitro

Aqueles que ainda vivem, à custa de uma visão saudosista do futebol tiveram um bom exemplo de como a tecnologia tem de estar ao serviço do desporto para lhe conferir uma certa verdade desportiva.

O caso ganha contornos ainda mais carregados quando mais gente perde tempo precioso para esmiuçar as calibragens das linhas de fora de jogo, acrescentando milímetros entre o café e uma torrada logo à segunda-feira de manhã. O vídeo-árbitro é bom, necessário, útil importantíssimo e só quando não existe como recurso é que temos a perfeita noção do quanto é ima mais-valia ao serviço do futebol.

O melhor exemplo aconteceu no Sérvia-Portugal, quando Cristiano Ronaldo esbarrou de frente na falta de tecnologia e viu um golo limpinho, limpinho ser-lhe retirado, apesar de a bola ter entrado completamente na baliza. Erro de árbitro, erro maior do auxiliar, mal colocado no enfiamento do lance.

Erro humano, sempre desculpável. Erro que nunca seria um erro se houvesse videoárbitro nos jogos da fase de qualificai para o Mundial 2022. Esse, sim, um erro difícil de perceber quando a FIFA é uma poderosa máquina, uma organização que devia ser à prova de bala, mas infelizmente está cheia d telhados de vidros e vive na sombra do dinheiro.

Tanto dinheiro que devia ajudar as federações mais débeis a ter estádios condizentes e com os meios logísticos necessários para suportarem video-árbitro nas fases de qualificação.

Mas o futebol que muitas vezes a FIFA defende é o futebol dos estádios bonitos e gigantescos nas fases finais dos mundiais, o futebol em jeito de montra para ser consumido de manhã até à noite por adeptos insaciáveis. O investimento não pode ser só feito no topo da pirâmide e nos Campeonatos do Mundo.  Tem de ser feito no início do caminho para que as pedras estejam no sítio certo. As pedras que impedem golos limpos de serem validados

Orlando Fernandes (Jornalista)

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