A Formação

Foi um daqueles jogos de onze contra onze e no fim ganha a Alemanha. E embora Portugal tenha tido oportunidades para marcar, nem sequer pode falar-se em injustiça, os alemães foram competentes e organizados e há que dar os parabéns a esta Mannschaft sb-21, representante de um futebol que continua a produzir valores sólidos ao ritmo eficaz da indústria germânica.

 Desilusão à parte por esta terceira final perdida, Portugal só tem razões para sorrir quando encara o futuro, no que respeita à qualidade dos jogadores e à organização federativa para atacar as competições de seleções. Se pensarmos que a estes jovens, que se bateram de forma irrepreensível na Eslovénia, ainda podiam ser acrescentados três dos jogadores que estão no grupo de Fernando Santos – João Féliz, Pedro Gonçalves e Nuno Mendes – e ainda Thierry Correia e Pedro Neto (um com Covid, o outro lesionado) percebemos, de forma ainda mais ampla, o valor do talento nesta fornada tão especial.

 A taça de campeão europeu de sub-21 é a única que não brilha na Cidade do Futebol. E não é por acaso que tal sucede. O nosso futebol, historicamente, nunca foi capaz de lidar de forma eficaz com a passagem dos jogadores aos seniores, e muitos valores que prometiam bastante nos escalões de formação perderam-se.

 Esse defeito, porém, foi detetado e a melhoria, nos últimos anos (depois de termos sido finalistas em 1994 pela primeira vez, voltámos a uma decisão em 2015 e reincidimos em 2021) tem sido flagrante. A aposta firme nas equipas B, e mais recentemente nos sub-23, criou condições para um desenvolvimento mais harmonioso daqueles futebolistas que precisam de um período mais longo de transição.

 Garantido esse espaço competitivo, o resto é uma questão de convicção no que se está a fazer e paciência até que os resultados apareçam. E, pela aparência, nenhum desses atributos falta na Cidade do Futebol…

 O futebol português, tão mal na forma como destrata a indústria onde vive e que devia acarinhar, teve, pelo menos, o mérito de perceber que a salvação está na formação. O investimento não só em meios físicos, como sobretudo, em meios humanos, está a dar frutos.

 E não há outro caminho, a não ser que descubram petróleo no Beato, diamantes na Cedofeita, lítio em Maximinos, ou gás natural em Fermentões.

Orlando Fernandes (Jornalista)

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