Opinião: os treinadores

Primeira jornada depois o fecho do mercado confirmou que Roma e Pavia não se fizeram num dia e os treinadores precisam de tempo para afinar as máquinas. O problema é que, à maior parte deles é pedido tudo para ontem e acabam a queimar etapas, na ânsia de sobreviverem à pressa e à pressão, o que dá inevitavelmente, mau resultado.

Veja-se os casos do Sporting e FC Porto, que protagonizaram o primeiro clássico da época, com uma primeira parte razoavelmente bem jogada e uma segunda metade de pouca qualidade futebolística.
Haverá quem arrisque qual será a equipa base de leões e dragões daqui a um par de meses? Provavelmente, nesta fase, nem Sérgio Conceição e Rubem Amorim têm ideias fechadas quanto ao conjunto que lhes permitirá um melhor rendimento.

No caso dos campeões nacionais, viram-se alguns peixes fora de água, sem a mínima noção de onde tinham aterrado.

Quem é, ao dia de hoje o jogador mais decisivo do FC Porto? Pepe, sem dúvida, pelo que joga, pela voz de comando e, sobretudo, pelo enquadramento que dá a quem precisa de aprender qual a cultura do clube.
Já no Sporting, a primeira impressão aporta sentimentos mistos. Por um lado, percebe-se que há uma ideia de jogo, e um esboço de organização. Por outro, porém assalta-nos a dúvida pertinente quando à adequação do 3x4x3 ao plantel que está à disposição de Ruben Amorim.

Vendo jogador a jogador, não seria preferível apostar numa defesa a quatro, com dois laterais ofensivos como Pedro Porro e Nuno Mendes a darem a profundidade necessária um seis moderno, como Palhinha, e mais à frente um ponta de lança de raiz, Sporar, a beneficiar do excelente municiamento que haveria de chegar-lhe de talentos como o João Mário, Tabata ou Pedro Gonçalves quiçá com o apoio de Vietto ou Jovane?

Já no Benfica parece que continua por resolver a questão do duplo pivot. Gabriel o melhor dos oitos do plantel benfiquista, faz mal de seis, comete demasiados erros posicionais e corre riscos comprometedores.

Com Weigl nas costas, porém, melhora de imediato, assim como melhora também a segurança dos centrais, amiúde apoiados pelo alemão.

Em suma, a procissão ainda vai no adro e há que dar tempo ao tempo. Porque, como diz a canção, “quem tem pressa come cru.”

Orlando Fernandes (Jornalista)

Menu