Vila Real afirma-se como capital do desporto automóvel

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Desfile das Pitspot Girls. Foto: Filipe Ribeiro

Na capital transmontana, o Circuito Internacional é mais do que uma simples corrida. Vila Real vive o desporto automóvel há mais de 80 anos, uma tradição que passou de pais para filhos, ao longo de décadas. Não admira, por isso, que seja qual for a corrida, os pilotos ou as marcas em competição, milhares de vila-realenses saem à rua, montam bancadas improvisadas, esgotam barracas de bebidas, que nestes dias surgem em cada canto, transformando o ambiente em algo singular. As corridas são, assim, mais do que simples provas por estes lados.

Este ano, contudo, o fim de semana de corridas prometia subir de nível. O Mundial de Carros de Turismo, ou simplesmente na sigla WTCC, desde que foi anunciado, há sete meses, esgotou a hotelaria num raio de 50 quilómetros, as casas foram alugadas e os preços dos quartos dispararam.

Até que o tão aguardado fim de semana chegou. Antes disso, na quinta-feira, as recém-chegadas “vedetas do WTCC” foram conhecer a cidade. As antigas bancadas das boxes, entretanto restauradas, encheram para ver chegar Lopés, Loeb, Muller, e principalmente o “anfitrião” Tiago Monteiro. Com a recente vitória do piloto da Honda na penúltima prova do WTCC, na Rússia, esperava-se que o portuense, único português da categoria, conseguisse, pelo menos, um pódio.

Monteiro era favorito

Foto: Filipe Ribeiro
Tiago Monteiro na chicane de Mateus. Foto: Filipe Ribeiro

Sexta-feira chegou e com ela os treinos livres nas diferentes modalidades em competição. Para além da coroada prova internacional, as habituais competições nacionais preencheram o horário vago, mas sempre a destempo. Troféu FEUP, Legends Cup, Abarth 500, Campeonato Nacional de Velocidade, de Clássicos e Clássicos 1300 foram as provas que, já no ano passado, após o hiato de três anos, marcaram presença em Vila Real.

O circuito abriu tarde no dia 10 de julho, com a homologação internacional marcada para de manhã, a atrasar o restante programa. Não obstante, o primeiro contacto da prova da FIA, marcada para as 11 horas, não sofreu atrasos. Os problemas surgiram logo de seguida, com a chicane da rotunda de Mateus, muito estreita, a provocar algumas dificuldades aos pilotos. Até os dos clássicos se queixaram, afirmando que a dita estava adequada apenas aos carros de turismo. Infelizmente, já era tarde para alterações e novas homologações.

Tiago Monteiro
Tiago Monteiro

A primeira abordagem à pista, por parte dos pilotos, foi unânime em opiniões: o circuito é muito rápido, principalmente para uma pista citadina, mas as chicanes apertadas e a dimensão da estrada, sempre ladeada por railes e betão, dificultariam a ultrapassagem e poderiam precipitar alguns acidentes.

A qualificação do WTCC, marcada para a tarde de sábado, dia 11, colocou Tiago Monteiro em sexto lugar na grelha, sem pontuar. À sua frente, José María López, o líder da geral, e Sébastien Loeb (ambos Citroen), ente outros, seriam ossos duros de roer.

No dia seguinte, domingo, Tiago Monteiro (4º da geral) estava confiante para a primeira corrida, marcada para de manhã. A partida correu bem e o piloto luso conseguiu ganhar uma posição, conservando o 5º lugar até ao final, numa prova dominada por Lopés.

Foto: Vila Real Racing
Cena do acidente. Foto: Vila Real Racing

À tarde, na segunda ronda, o piloto da Castrol Honda prometeu superar-se e tinha todas as condições para isso, para além da responsabilidade de não desapontar os milhares de portugueses que assistiam à prova. Todavia, a sorte não o acompanhou desta vez, Tiago Monteiro abandonou logo no arranque. Partindo na 5ª posição, o piloto português tentou furar pelo meio dos dois Lada Vesta à sua frente mas não tinha espaço, sendo atirado contra a parede e abandonando imediatamente com o carro bastante danificado. No final, o piloto afirmou que “noutras circunstâncias teria passado”. Quem aproveitou foi o chinês Ma Qing Hua, que viu a concorrência ficar para trás, numa corrida que terminou sem a realização das últimas duas voltas e a desistência de três pilotos.

Balanço foi positivo

Pode-se considerar que o balanço final das corridas é, no entanto, positivo. E a organização já garantiu a prova para os próximos dois anos. Pilotos, dirigentes, técnicos que acompanham as equipas e patrocinadores mostraram-se satisfeitos pelo perfil da corrida, mas principalmente pelo ambiente que impressionou as autoridades presentes.

François Ribeiro, Rui Santos e Tiago Monteiro (ao centro)
François Ribeiro, Rui Santos e Tiago Monteiro (em cima, ao centro), Loeb, Muller e Coronel (em baixo, ao centro) na receção aos participantes

François Ribeiro, diretor-geral da Eurosport Events e responsável máximo do WTCC, vê mesmo Vila Real como um dos melhores circuitos do campeonato, admitindo que quando viu a pista pela primeira vez, ficou de queixo caído. O diretor não teve problemas em assumir que a pista se equipara à de Macau e Marraquexe, superando mesmo estes destinos no que concerne à receção dos pilotos, acolhimento, ambiente e paixão pelo desporto.

Por sua vez, Emídio Guerreiro, Secretário de Estado do Desporto, Emídio Gomes, da Comissão de Coordenação do Norte, autarcas e outras edilidades foram unânimes em afirmar que Vila Real, Trás-os-Montes e o norte têm todas as condições para se afirmar como um caso sério de popularidade nacional e internacional do desporto motorizado, não fosse a já realização do Rally de Portugal e o Rallycross de Montalegre.

Transmontanos em destaque nas etapas nacionais

corridas3Nas restantes categorias em provas, respeitante a etapas nacionais, os transmontanos Rafael Lobato e Pedro Salvador levaram a melhor no Campeonato Nacional de Velocidade (CNV). Lobato dominou a primeira metade da corrida com algum à-vontade, afastando-se de Francisco Abreu nas primeiras voltas, com o madeirense a começar a recuperar terreno apenas pouco antes da entrada do safety car. Com Ivo Nogueira a abandonar cedo com a suspensão partida, Miguel Cristóvão ficou com o terreno livre para garantir o terceiro lugar no Wolf da CRM.

António Nogueira dominou mais uma vez a divisão de GT/Turismos, terminando a corrida na quarta posição da geral, e terminando mesmo à frente de Paulo Macedo, no segundo Wolf.

À segunda corrida da Legends Cup acabaram por não faltar condimentos, numa prova disputada já sob elevadas temperaturas.  Numa corrida onde a entrada do Safety Car foi decisiva para o desfecho do resultado final que acabou por ser homologado pela classificação na volta anterior à amostragem de bandeiras vermelhas sob as quais a corrida foi dada por encerrada, acabou por ser o Mercedes 190 ex-DTM de Vasco Barros a vencer.

CNV: Foto: José Carlos Leitão
CNV na curva do Boque. Foto: José Carlos Leitão

No Troféu Desafio Único, Marcos Teixeira e Raul Delgado, vencedores das duas corridas mas foram desclassificados de ambas, depois de se ter verificado que o seu Alfa Romeo 156 estava 3 kg abaixo do peso mínimo. Com este resultado, Gustavo Moura e João Baptista, que tinham lutado com o carro da AMOB pela vitória, foram promovidos ao primeiro lugar.

No Troféu Abarth 500, onde se encontrava o maior número de locais em prova, incluindo o autarca de Vila Real, foi Nuno Cardoso ser coroado como o último vencedor do fim de semana. Depois de na corrida de sábado ter sido Manuel Pedro Fernandes a triunfar, agora o piloto vila-realense viu-se batido por Cardoso, num duelo empolgante que mostrou a validade do troféu luso-italiano.

Rui Meireles terminou na terceira posição, depois de arrancar de sexto, e poderia ter mesmo chegado a segundo depois do incidente que envolveu Manuel Fernandes, não fosse a corrida ter terminado sob bandeiras vermelhas. Mas a verdade é que também foi fortemente pressionado por José Manuel Pires e José Pires que chegaram a trocar de posições. Rui Santos foi nono classificado, num total de 11 pilotos a cortar a meta.

Filipe Ribeiro

Fiquem com o melhor da festa:

Pitstop girls. Foto: José Carlos Leitão
Pitstop girls. Foto: José Carlos Leitão

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