Ténis: Campeonato Nacional de Veteranos / Magnesium-OK

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João Marques, ex-atleta da Secção de Ténis da AAUTAD, reconquistou título de campeão nacional +35

Mérito é uma palavra que, no desporto e na vida em geral, vale aquilo que vale… Geralmente esse valor é sempre motivo de aceso debate. Mas continuam a existir as chamadas vitórias… saborosas. Aquela que João Marques, ex-tenista da Secção de Ténis da AAUTAD, obteve na edição deste ano do Campeonato Nacional de Veteranos / Magnesium-OK, é uma dessas.

Mesmo na reta final do ano, ainda assim a menção é justa e honrosa para o antigo campeão regional seniores de singulares e pares da AAUTAD e motivo de regozijo para os seus antigos companheiros de equipa (na foto, da esquerda para a direita: Henrique Vaz, João Marques, Hugo Sousa e Amadeu Fernandes).

Numa organização conjunta da Federação Portuguesa de Ténis e da Premier Sports, foi no clima ameno das terras algarvias, mais exactamente nos courts rápidos das luxuosas instalações de um dos melhores resorts da Europa, o Vale do Lobo Tennis Academy, que o outrora representante da academia transmontana conquistou o seu segundo ceptro de campeão nacional +35.

Retrospectivamente, e para melhor enquadramento, no ano de estreia como veterano +35, e ainda com forte ritmo do circuito de seniores, Marques arrecadou o seu primeiro título de campeão nacional.

Na segunda temporada, e ostentando o número 1 do respectivo ranking, voltou a disputar o derradeiro encontro desta competitiva prova. Estando a vencer por 6/3 e 5/4, acabou por “permitir” ao seu oponente (Rui Pacheco – CT Lagos) a discussão de um super tie-break, onde o algarvio foi mais forte mentalmente.

Na terceira época neste escalão, com a ambição de renovar o estatuto de n.º 1 nacional pela terceira vez consecutiva e com o claro objectivo de recuperar o título perdido na final de 2013, o tenaz esquerdino optou por competir tanto no circuito nacional de veteranos, como no circuito internacional (ocupa actualmente a posição 37 do ranking mundial), o que lhe conferiu um “andamento” mais competitivo.

Nesta última edição, e após uma ½ final deveras esgotante face a Nuno Topa – campeão regional de Lisboa -, voltou a discutir o título nacional com o representante do CT Lagos, Rui Pacheco.

Na final, e como habitualmente, fez jus à sua resistência coriácea. Mas não foi fácil o embate. Aliás, João Marques perdeu o 1.º parcial por 6/2. No entanto, os competidores mais bem-sucedidos não são os que não caem, são aqueles que se levantam repetidamente, que sabem contornar as barreiras até voltarem ao caminho que desejavam.

E assim o pensou, assim o fez! Apesar da tenacidade e reconhecida técnica do seu opositor, o ex-tenista da AAUTAD alterou a estratégica e jogou de maneira mais agressiva, o que lhe valeu a conquista do 2.º set por um expedito 6/1 e a decisiva disputa de um super tie-break. E não há nada mais emocionante no ténis que o tie-break. Neste caso, super tie-break. É a máxima expressão do jogo.

Do jogo intenso, do momento onde tudo é decidido e demonstrada a real capacidade de cada jogador. Nesta fase, Marques soube executar e definir com acerto nos momentos chave, desatando este verdadeiro super “nó de gravata” por um esclarecedor 10/4. Resumindo, os parciais de 2/6, 6/1 e 10/4 dizem bem da emoção desta final, onde João Marques conquistou o segundo troféu de campeão nacional +35 para o seu palmarés. Instado a comentar este feito, Amadeu Fernandes, treinador da Secção de Ténis da AAAUTAD, referiu que “Falei com o João e estava bastante satisfeito. Disse-me que era um sonho realizado e que já não lhe podiam colocar a “etiqueta” de jogador de um só título. É um orgulho para nós termos privado com um tenista desta craveira. Foi uma fantástica conquista.

O poema de Ricardo Reis (Põe quanto és no Mínimo que Fazes), é bem indicado à sua postura tenística”, gracejou.

Põe quanto és no Mínimo que Fazes

Para ser grande, sê inteiro: nada
Teu exagera ou exclui.

Sê todo em cada coisa. Põe quanto és
No mínimo que fazes.

Assim em cada lago a lua toda
Brilha, porque alta vive

Ricardo Reis, in “Odes”
Heterónimo de Fernando Pessoa

 AF

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