Rui Almeida: “agradeço ao futsal por ter aparecido na minha vida”

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Por: Vera Garcia

Rui Almeida tem 22 anos e é natural de Rendufe, Valpaços. Começou a jogar futebol como qualquer miúdo de 11 anos, no seu caso no Grupo Desportivo Terras de Montenegro, passando depois pelo Murça SC onde esteve alguns anos. Representou o GD Chaves e, aos 18 anos, o Vidago FC. Dois anos depois, abandonou o futebol e aventurou-se no futsal, no Grupo Desportivo Carrazedo de Montenegro. Hoje, joga em Malta, representando o atual campeão, o Hibernians FC. Esta é a história do menino humilde que troca o futebol pelo futsal e dois anos depois torna a sua carreira internacional.

O teu percurso no desporto começou pelo futebol, certo? Como começaste a jogar?
Sim o meu percurso começou pelo futebol. Como é habitual era um miudo que não largava a bola e a minha mãe inscreveu-me na equipa mais próxima, perto dos meus amigos. Foi uma alegria enorme para mim, como é normal.

Fala um pouco dos clubes por onde passaste…
Do tempo no Grupo Desportivo Terras de Montenegro não me lembra de muito mas sei que foi uma alegria enorme jogar na equipa da terra com todos os meus amigos da escola. Já no Murça Sport Clube foi uma passagem de mais ao menos de 5 anos, onde aprendi muita coisa com pessoas que continuam muito importantes para mim, melhorei como jogador e como pessoa. Ainda hoje tenho muitas saudades desses tempos e tenho grandes amigos por Murça.
Representei depois o Grupo Desportivo de Chaves no ultimo ano de Júnior e foi uma mudança enorme porque não conhecia ninguém e deixava para trás um clube que gostava imenso e pessoas que me eram importantes, mas foi um ano muito bom onde mais uma vez conheci e fiz grandes amigos, consegui evoluir ainda mais como jogador. Enquanto Sénior fui atleta do Vidago FC durante 2 anos muito bons. Apesar de ser ainda muito jovem convivi com pessoas que andam no futebol há muito tempo e aprendi imenso. Foi das melhores equipas que podia representar na altura pois tinha atletas e pessoas no clube fantásticas.
Depois desse ano a minha vida desportiva deu uma reviravolta. Deixei o futebol e fui parar ao futsal onde representei o clube da terra, Grupo Desportivo Carrazedo de Montenegro (GDCM). Esta época ainda comecei a jogar nesse clube mas comecaram a aparecer algumas propostas e em outubro rumei à Ilha de Malta para representar o actual Campeão e tem sido uma aventura com muitos sentimentos.

Ao chegar ao Vidago, sofreste uma lesão. Como foi a recuperação enquanto atleta? Qual era a grande motivação para voltar aos relvados?
Foi um dos momentos mais complicados que tive no futebol. Sofri uma lesão no menisco em Janeiro e só voltei a jogar em outubro. A lesão em si nem era assim tão grave mas o complicado foi realmente saber o que era. Não foram tempos fáceis mas tenho pessoas fantásticas na minha vida e com a ajuda delas tudo correu bem e voltei a ter a minha vida de atleta.

Mais tarde, mudas para um desporto diferente, o futsal. Por que tomaste esta decisão e como surgiu esta oportunidade?
A equipa da minha terra estava na 3ª divisão nacional de futsal e queriam muito que ficasse a jogar lá mas o único problema para mim é que não era futebol mas sim Futsal!
Então surgiram pessoas muito importantes para mim que eram jogadores, diretores e até família que queriam muito que ficasse por perto de casa e foi aí que a mudança começou. Entrei no futsal e foi uma época maravilhosa na equipa da terra, perto dos amigos de infância e de pessoas muito importantes para mim.
Ainda fui treinador da equipa de júniores. Por ser treinador ainda me dediquei mais a aprender o futsal e foi um ano muito bom.
Quero agradecer ao GDCM, à minha familia, ao Mister Nuno Perdigão e em especial ao Miguel Januario, grande atleta e grande pessoa, que insistiu até ao último minuto para jogar na terra e ingressar no futsal. Foram todos muito importantes na mudança.

Como foi esse percurso no mundo do futsal?
Foi um percurso fantástico no Grupo Desportivo Carrazedo de Montenegro. Tínhamos um grupo maravilhoso, era uma verdadeira família. Conseguimos o objectivo já no final da temporada mas soube ainda melhor. Nesta equipa os amigos já eram de longa data e tudo foi mais fácil. Ainda hoje quando vejo jogos gravados me arrepio e fico com uma enorme saudade, encontrei nesta equipa jogadores que na minha infância eram exemplos, colegas de escola e foi um ano maravilhoso.

Atualmente estás a jogar em Malta. Como surgiu esta proposta para jogar num país diferente?
Sim estou em Malta e foi uma decisão muito dificil. Esta época ainda comecei no Grupo Desportivo Carrazedo de Montenegro (GDCM) mas começaram a chegar algumas propostas incluindo esta, de Malta. Não foi fácil decidir, amo o GDCM e estavamos a fazer uma temporada fantástica. Ia deixar aqui a familía, os amigos e a namorada mas agarrei a oportunidade e tem sido uma aventura com imensos sentimentos onde já aprendi muito e isso é o mais importante. Quero agradecer ao Mister Sérgio Martinez, muitas destas propostas foram graças a ele e tem sido uma pessoa muito boa para mim.

Como foi a adaptação a esse novo país?
Não foi fácil, outra língua, outro estilo de jogo, outras pessoas e muito sozinho nesta aventura mas com o tempo tudo começou a adaptar-se e tem corrido tudo bem. Tenho aprendido coisas novas, conheci pessoas diferentes e tudo corre da melhor maneira.

Em termos de jogo, notaste grandes diferenças?
Sim notei algumas diferenças, há sempre coisas diferentes de equipa para equipa e então de país para país ainda mais. O nosso jogo em Malta é muito mais tático, não é um campeonato forte mas tem 3 equipas a lutar pelo titulo e há sempre grandes jogos. Encontrei em Malta jogadores de várias selecções, pessoas muito boas e tento sempre aprender o máximo possível.

Em termos de apoio, a tua família está sempre presente, claro. Mas ao longo do teu percurso, que outros apoios fundamentais foste encontrando?
Sim a minha família está sempre presente e isso é ótimo. Depois tenho os amigos sempre a apoiarem-me e a minha namorada, que tem sido uma enorme mulher todo este tempo, pois não é fácil termos quem gostamos longe e todos os dias ela é incánsável. Muito do apoio vem mesmo destas 3 grandes bases, tenho imenso orgulho na minha familia, nos meus amigos e na minha namorada, sem eles nada disto era possível.

Os adeptos são sempre uma forma de apoiar o percurso ao darem um feedback quase instantâneo. Num país diferente e onde não eras conhecido – provavelmente – pelo público, como se conquista uma plateia?
A verdade é que em todo o lado a plateia conquista-se com boas exibições, golos e simpatia e em Malta não é exceção. Cheguei do nada mas com o tempo as coisas foram correndo bem e comecei a conquistar a confiança e a simpatia da plateia. Agora a verdade é que é mais fácil perder a confiança deles do que ganhar, por isso há que continuar a trabalhar e a acreditar.
Contigo viajou o André Santos. Este foi também fundamental para que a tua integração fosse facilitada?
Sim foi fundamental. Infelizmente ele não conseguiu ficar comigo em Malta por alguns motivos mas levar um grande amigo foi importantissimo para a adaptação. Ele sabe que tem tudo de mim até porque é bem mais do que um amigo, é um irmão.

No início da tua carreira onde te imaginavas?
Imaginava-me a jogar futebol numa equipa em Portugal ou no estrangeiro mas nunca a jogar Futsal.

Imaginavas um dia fazer esta mudança do futebol para o futsal?
Sinceramente nunca esperei deixar o futebol e sempre pensei ter uma carreira no futebol mas neste momento agradeço ao futsal por ter aparecido na minha vida e a todas as pessoas que me ajudaram a fazer essa mudança.

Agora, qual é a tua próxima meta? O que esperas atingir daqui para a frente?
Sinceramente não tenho uma meta definida. Todos temos alguns sonhos e eu também não sou exceção mas neste momento só pretendo trabalhar muito e continuar a jogar ao mais alto nível. Gostava de jogar na primeira divisão do meu País mas só se as coisas forem boas para mim e para o clube, mas tenho o meu tempo, ainda sou um jovem.

Estando agora do lado de fora do campeonato distrital de futebol como tens acompanhado a competição? O que achas da situação dos clubes?
Eu acompanho todos os fins de semana a competição distrital.Tenho amigos em muitas equipas e ando sempre atento. As equipas todos os anos fazem muitos esforços, o país está mal, cada vez há menos dinheiro e as coisas complicam-se. Mas é importante continuarem lutar. Tenho um carinho grande pelo Vidago FC, não só pelos amigos que tenho lá mas porque aquela equipa é especial. E pelo Noura, por todos os amigos que tenho na equipa e pelo carinho que tenho pela vila de Murça.

Qual achas ser a importância desta modalidade a nível ditrital?
Este campeonato é muito importante para o distrito e, por isso, as equipas devem continuar a fazer esforços para continuar. Há muita qualidade espalhada por cá e há que continuar esta competição, ainda mais agora com a hipótese de uma equipa dar o salto para a Segunda Divisão B.

Como é recebido o futsal distrital pelo público?
O futsal distrital não é fácil, não é tão competitivo como o futebol mas é uma boa competição e o público cada vez mais adere ao futsal. É uma modalidade que está a crescer há muito tempo e vai continuar a crescer cada vez mais. Eu, em Portugal, só conheci os adeptos do Carrazedo e o pavilhão estava sempre cheio. Era muito bom.

O futsal é a tua grande prioridade?
Sim no desporto o futsal é a minha prioridade e na vida faz parte das prioridades.

Vês-te a praticar algum outro desporto?
Para além de futsal e futebol, não me vejo a praticar nada mas nunca se sabe. Ainda sou jovem e ainda pode aparecer o gosto por uma outra modalidade.
Estás orgulhoso da tua carreira?
A minha carreira ainda é muito curta, espero um dia poder olhar para trás e sorrir por tudo o que fiz. Sinto me sempre orgulhoso por tudo o que consigo pois dou o máximo para tudo correr bem. Agora só quero trabalhar, aprender e evoluir muito porque espero ainda ter muitos anos pela frente.

De uma forma conclusiva, futebol ou futsal? E porquê?
Esta pergunta é complicada mas neste momento não tenho dúvidas e escolho o Futsal porque é a minha vida e sinceramente não me vejo a jogar futebol de novo.
Quero agradecer a todas as pessoas que acreditam em mim, à minha família, aos meus amigos e à minha namorada. Sem eles tudo isto não era possível e quero felicitar todas as pessoas pelo excelente trabalho que fazem para que o Desportivo Transmontano continue a cobrir todo o desporto da região.

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Comentário

7 Comentários

  1. caro ruizinho não podia deixar passar esta oportunidade para te dar os parabéns .tudo de bom para ti .obrigado por não te esqueceres de Murça ,pois Murça e os Murcenses que também não se esquecem de ti.obrigado também em nome do Noura onde sei que tens muitos amigos,és sempre bem vindo,um grande bem aja pelo carinho que tens pela milha terra.viva Murça

  2. Olá ruizinho
    Espero q esteja tudo bm contig
    És um orgulho para a terra
    És um grande jogar e um dia destes estas a jogar na primeira liga portuguesa d futsal.
    E tenh orgulho de dizer k joguei contig apesar ter sido na escola

  3. Como tu disseste e bem: Do nada aos poucos conseguiste um futuro. A que continuar a trabalhar ate conseguires o teu sonho de jogar na 1 divisão. Eu como guarda redes futsal( 1 divisão futsal distrital vila real), trabalho e trabalho todos dias, ate um dia conseguir ir sempre mais alto… Desistir e para fracos por isso , continua e certamente alem do apoio dos teus amigos, familiares e namorada, tens o apoio de todos os portugueses. Es SEMPRE UM ORGULHO PARA UM PORTUGUÊS 🙂
    desejo te a maior sorte do mundo, e nunca desistas daquilo que sonhes!!! Abraço

  4. Olá grande Rui,foi com grande praser que li esta tua grande entrevista,magnifico proficional,não só no futsal, assim como entrevistado,muitos parabens e estarei sempre ao teu lado para te dar força nesta tua aventura um abraço sempre amigo.

  5. olá “Ruisinho”.sou um socio do Vidago f c,e quero dizer-te que gostei da tua entrevista.agradeco-te em nome do Vidago tudo o que fizeste por este clube.desejo-te a maior sorte do mundo,na tua carreira desportiva.um abraço e que tudo te corra da melhor maneira.

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