Ramada: “ainda tenho o sonho de regressar à seleção”

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Falar de “Ramada” na Europa futsalística, é falar de Portugal, é falar de Futsal e num dos expoentes portugueses da modalidade. Esta semana falamos com Hugo José dos Santos Martins, conhecido no futsal de Ramada.

Por: Fernando Parente

O que representa para ti esta modalidade?
R: O futsal é a minha vida,a minha paixão. Desde miúdo tive a oportunidade de escolher e optei pelo futsal, bem ou mal, é o desporto que me caracteriza e que me fascina!

Estiveste ligado, em Portugal, a dois clubes emblemáticos, os quais foram Boavista e GD Fundação Jorge Antunes. Como viste o desaparecimento do GD Fundação Jorge Antunes, depois de tantos anos de êxito e, neste momento, a ascensão do Boavista?
R: É triste ver uma equipa como a Fundação desistir depois de toda a sua história no futsal português. Era um grande clube e foi uma equipa profissional que desapareceu para o mal da modalidade. O Boavista é um clube de grande carinho para mim, pois apesar dos problemas que tivemos, foi o clube que me lançou ao mais alto nível e onde sempre fui bem tratado. Em relaçao à ascensão não estou surpreendido,esta lá o Filipe Miranda (Buffon), que sabe escolher os jogadores, e com isso conseguiram fazer uma boa equipa, que fez um excelente campeonato!

E o Desportivo Operário Fonte da Moura, onde iniciaste a tua formação, o que significa para ti?
R: Foi o bairro onde nasci e onde comecei a jogar futsal, onde me ensinaram os princípios do futsal e me fizeram amar a modalidade , é um clube de coração!

Tu tornaste-te numa das referências da modalidade em Portugal e numa das maiores a nível europeu. Qual o segredo do teu trabalho para singrares em todos os clubes por onde passaste?
R: Trabalho, prazer e ambição. Infelizmente não singrei como queria em alguns clubes que passei, mas tirando dois deles penso os outros terão ficado satisfeitos com o meu trabalho!

De todos os teus treinadores, qual aquele que teve presente o “melhor” Ramada?
R: O Mister espanhol Marcos Angulo sem dúvida. Foi o melhor que tive, foi o treinador que soube tirar o melhor de mim!

Conseguiste aprender e evoluir com eles todos? Quais os que te marcaram mais, em que aspetos e porquê?
R: Com alguns sim, com outros não. Até porque há treinadores que não evoluem, têm a sua filosofia e já chega, mas o futsal está constantemente a evoluir e é preciso evoluir com ele. O mister Rui Pereira na altura do Boavista foi importante para mim, assim como o mister Orlando na Seleção Nacional. Na altura era tudo novo e fazia o futsal mais espetacular. O Mister Marcos Angulo não inventou nada, mas tira o melhor do jogador para o futsal. Não gosta de ter só um sistema, gosta de variar, está sempre aprender e tenta incorporar nos treinos, para além de ser um companheiro fantástico para os jogadores!

No Rabá Eto ganhaste tudo o que havia para ganhar na Hungria, e até estiveste presente na Elite Round da UEFA Futsal Cup. Estar presente nessa competição é chegar ao topo?
R: Sim, o meu ano e meio no Rabá Eto foi fantástico. Ganhámos todo que tínhamos para ganhar e na UEFA por pouco não chegamos à Final Four. Jogar a Elite Round é outro mundo, pois já se apanha as equipas mais fortes da Europa,os jogos são todos renhidos, é um prazer. Espero voltar a jogá-la brevemente! Chegar ao topo é ganhar essa competição.

O emigrar, foi em busca de novos objetivos, à procura dum futuro melhor para ti e para os teus, ou Portugal já estava a ficar pequeno demais para a tua qualidade?
R: Foi claramente à procura de novos desafios e de um futuro melhor. Portugal está no top 4 dos campeonatos mais fortes da europa,mas a razão de ir para fora não foi porque Portugal não tinha qualidade, mas sim porque estava um bocado farto e precisava de coisas novas.

Passaste por mais duas equipas no estrangeiro (Balticflora da República Checa e Nikars Riga da Letónia), as quais se revelaram numa primeira fase numa inadaptação. Quais os problemas que mais te afetaram nessas duas etapas?
No Balticflora não tive problemas de adaptação, mas sim um azar com lesões que nunca tinha tido. Falhei alguns jogos, mas na metade do campeonato era o melhor marcador da equipa, até o clube acaba com o profissionalismo. No Nikars digamos que sim,que era um futsal diferente, mais bruto e mais fraco do que nos países onde joguei, o que me custou mais um pouco.

De todos os títulos que conquistaste e do teu magnífico desempenho, qual foi para ti a melhor época desportiva?
R: A época 2012/2013 no Raba Eto foi o melhor momento da minha carreira, ano em que ganhamos tudo na Hungria e não perdemos um jogo na UEFA CUP, tendo acabado em 2º lugar na Elite Round a dois pontos do sonho da Final Four.

Apesar dos teus bons desempenhos, nunca existiu a vontade de voltar? Ou não chegaram os convites desejados?
R: Sinceramente não tinha muita vontade de regressar, sentia-me bem lá fora. Mas também nunca chegaram as propostas desejadas para o fazer.

Para um atleta como tu, reconhecido a nível europeu pela tua capacidade técnica individual, entrega ao jogo e inteligência na abordagem do mesmo, sentes que o teres saído para o estrangeiro, foi um passo atrás, ou dois passos em frente?
R: Para mim foram dois passos à frente sem dúvida. Pelos títulos conquistados, pelo desempenho na UEFA, foi o melhor que me podia ter acontecido. Pena o episódio do Nikars.

Voltando a falar da Letónia e do Nikars Riga. Porquê a saída abrupta do clube tão pouco tempo depois de teres chegado como uma das grandes contratações?
R: O Nikars é um clube com estrutura mas medíocre em quem manda lá. É dos clubes que não é seguro para nenhum jogador que chega de novo, se não gostam mandam-no embora. Joguei um mês e penso que bem na pré-época. Infelizmente tive uma entorse na tibiotársica que me faria parar umas quatro semanas.Uma vez que a UEFA Cup começava nesse período, apenas passado três semanas comecei a treinar. A treinar depois de estar essas semanas apenas a fazer tratamento de ultrasom. É óbvio que não estava bem e treinava duas a três vezes por dia, com dores, apenas para poder jogar a UEFA. Joguei essa competição todo ligado e, mesmo com dores, no jogo decisivo fui dos que joguei mais tempo, mas infelizmente perdemos e não passamos a Elite Round, e o clube dispensou-me. Senti-me usado e traído e nunca pensei que isso me acontecesse até porque era treinado por um treinador Português.

Num clube com tantos portugueses, quer na equipa técnica, como nos jogadores, sentiste que alguém não te deu a mão nessa etapa dura da tua vida desportiva?
R: Claro que sim, a equipa técnica foi impotente na minha situação. Se podiam ter feito mais? Penso que sim. E estragou 2 anos e meio de trabalho que tinha vindo a fazer, até porque gastei mais de mil euros para me tratar da lesão ocorrida lá na Letónia.

Além da tua importância no Futsal de alta competição, és um dos atletas que mais relevo deu em algumas maratonas de futsal do nosso país, principalmente no Norte. Ir para o estrangeiro privou-te desses momentos? Ou a tua integridade física falou mais alto, uma vez que agora és profissional da modalidade?
R: Sim, gostava de jogar maratonas pelo prazer e convívio que as mesmas tinham, mas o fato de ser profissional fez-me desistir delas. Até porque quando a época acaba nem queria ver bola a frente de tanto cansaço que tinha.

Travaste alguns duelos com a extinta AAUTAD. Que recordações guardas dos mesmos?
R: Recordo sim, equipa com alguns brasileiros nos últimos anos e que em casa era fortissima, pena que nos tenham deixado também.

A Seleção, uma miragem, ou continua o sonho de um dia voltares a vestir a camisola do nosso país numa grande competição?
R: Até acabar a minha carreira irei ter sempre o sonho de voltar a jogar pela Seleção.

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