Paulo Faria: O Boavista é a minha equipa do coração

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Por: Fernando Parente

Paulo Roberto da Silva Faria, conhecido no “mundo” do futsal como Paulo Faria, aceitou o repto do seu grande amigo “Pirata” e viajou até Nápoles, Itália, para realizar a sua segunda experiência fora de portas, desta vez na equipa do Minturno. Uma aquisição que conta no seu currículo com alguns títulos: Campeão Nacional da 1ª Divisão em 2000/2001 pelo Miramar, duas Taças da Roménia pelo City Us Târgu Mures e ainda duas subidas à 1ª divisão, uma pelo Mocidade D´Arrábida e outra pelo Rio Ave.
Atualmente com 33 anos, este universal que adora jogar futsal, viajou com o intuito de ajudar a equipa napolitana a alcançar os seus objetivos. Paulo Faria reconhece o excelente ambiente vivido na equipa italiana, preferindo tomar decisões quanto ao seu futuro, após o final da presente época, ele que se pode proclamar um “globetrotter” do futsal.

 
Falar de Paulo Faria a nível europeu, é falar de Portugal, é falar de Futsal e num dos expoentes da modalidade. O que representa para ti esta modalidade?

Bem, esta modalidade diz-me muito pois foi sempre o FUTSAL que pratiquei nos últimos 22 anos.

 
Estiveste ligado a vários clubes em Portugal, algunsdos mais emblemáticos, nomeadamente: Miramar, Mocidade d´Arrábida, Coimbrões, ARCA, só para citar alguns, principalmente aqueles que fizeram história no nosso Futsal nacional e desapareceram. Como viste o desaparecimentodos clubes referidos, depois de alguns deles terem alcançado muitos êxitos?

Com muita tristeza, pois é mau para o futsal português perder equipas como o Miramar que, como muitos sabem, foi das melhores escolas de futsal já vistas no nosso país.

 
E o Boavista, onde nunca jogaste, o que significa para ti?

O Boavista, como toda a gente sabe, é a minha equipa do coração e claro, é uma equipa que quero que esteja sempre bem.

 

Tu tornaste-te numa das maiores referências da modalidade em Portugal, mas sabendo do teu real valor, atrevo-me a dizer que nunca “explodiste” na verdadeira acepção da palavra. O que achas que faltou para teres singrado ao mais alto nível na nossa 1ª Divisão?

Sinceramente, sinto que me faltou um pouco mais de paciência, porque na minha 1 época de sénior, onde tinha no plantel jogadores como o João Leite,Miguel Mota, André Lima,Ivan, entre outros, não jogava com regularidade, o que para mim era novidade pois jogava bastante tempo na formação,mas agradeço todos os momentos passados nessa época na qual fomos campeões nacionais.

 
Qual o segredo do teu trabalho para singrares em todos os clubes por onde passaste, e jogares ininterruptamente há quase 21 anos, desde a base da tua formação no Centro Social de Francos?

O segredo está em ter gosto e muita vontade naquilo que se faz.
De todos os teus treinadores, e foram muitos, qual aquele que teve presente o “melhor” Paulo Faria?

Acho que não sou propriamente a pessoa ideal para dizer isso, mas acho que o mister Artur Melo foi o que teve o melhor PAULO FARIA.

 
Conseguiste aprender e evoluir com eles todos? Quais os que te marcaram mais, em que aspetos e porquê?

Sem dúvida que aprendi um pouco com cada um dos meus treinadores. Não posso deixar de referir o SR.JORGE FERREIRA, pois com ele consegui o título da 1ª divisão portuguesa, o mister ARTUR MELO, que acreditou no meu valor e me levou para a ROMÉNIA,o mister PAULO TAVARES que me ajudou bastante na transição juniores /seniores,o mister RAUL CASTRO, que mais que um treinador é um amigo,o mister LUIS ALMEIDA, pela sua entrega e dedicação,todos eles me marcaram, uns mais que outros, normal.

 
No Miramar foi onde conquistaste mais títulos de campeão, tendo em conta aqueles que conseguiste nas camadas jovens dessa formação. Será que um dia algo te irá motivar para dar-se o teu regresso ao clube, embora neste momento com outro nome?

O Miramar será sempre a minha equipa no futsal, pois passei lá vários anos e todos eles marcantes. Regressar para jogar será muito difícil.

 
O emigrar aos 33 anos para Minturno, Itália, depois de duas épocas bem-sucedidas no City Us Targu Mures da Roménia, de 2007 a 2009, foi em busca de novos objetivos, à procura dum futuro melhor para ti e para os teus, ou Portugal já estava a esquecer o grandioso jogador de futsal, Paulo Faria?

A minha vinda para Itália foi um objetivo pessoal, pois desde que me iniciei nesta fantástica modalidade, sempre sonhei jogar em Itália.

 
Estás na tua segunda experiência no estrangeiro (City Us Targu Mures da Roménia e Minturno, Nápoles – Itália), as quais se têm revelado diferentes na adaptação uma da outra. Quais os problemas que mais te afetaram inicialmente nessas duas etapas?

Seguramente o maior problema foi mesmo ter de estar longe dos meus filhos,porque tanto aqui em Itália como na Roménia fui muito bem recebido.
Passaste por várias realidades competitivas: AF Porto, AB Braga, AF Aveiro, 1ª, 2ª e 3ª Divisão Nacional Portuguesa, Campeonato Romeno e Campeonato Italiano.

 

Qual o mais complicado para que o teu virtuosismo técnico não fosse tão visível na quadra? E aquela onde achas que melhor o conseguiste mostrar?

Com toda a certeza a 1ª Divisão Portuguesa, porque é um campeonato onde existem poucos espaços para jogadores como eu.
O Campeonato Romeno para mim foi onde consegui as minhas melhores épocas, onde consegui vencer nas mesmas a Taça e, ter ficado em 3º lugar atrás de duas equipas que mais pareciam duas seleções europeias (ROMENIA – CIP DEVA) e (HUNGRIA – ODORHEI ).

 
De todos os títulos que conquistaste e do teu magnífico desempenho, qual foi para ti a melhor época desportiva?

Claramente a primeira época no Campeonato Romeno,onde 4 portugueses (Nuninho, eu, Paulo Ferreira e Helinho, este ultimo acabou por regressar mais cedo), se aventuraram indo para um país do leste europeu jogar num campeonato desconhecido e mesmo assim termos vencido a taça, foi para nós uma grande alegria.

 

Sei que, na tua primeira experiência em Mogadouro tiveste alguns problemas. Queres contar aos leitores do DT quais foram esses problemas?

Não foi na primeira experiência, mas sim na segunda, onde o plantel era composto maioritariamente por brasileiros e jogadores jovens daquela maravilhosa vila. E claro, assistia a coisas quenão gostava e não conseguia estar calado e saí. Mas que fique bem claro que nunca tive nem tenho mau relacionamento com toda a direção do Académico de Mogadouro.

 
Para um atleta como tu, reconhecido a nível europeu pela tua capacidade técnica individual, pela veia goleadora e pela inteligência na abordagem aos jogos, sentes que o fato de andares a saltar de uns clubes para outros te foi mais prejudicial que benéfico?

Nunca e benéfico para um jogador andar sempre a trocar de equipa, mas no meu caso houve épocas em que na reabertura do campeonato eu era contratado para divisões superiores.

 
Os golos para ti são sinónimo de?

ALEGRIA.

 
Além da fama que granjeaste pela tua passagem pelo Miramar, sempre foste visto, e penso que continuas a ser, como um dos melhores executantes nas maratonas do nosso País, em que ano após ano continuas a ser convidado para estar presente nas mesmas. É um reconhecimento do teu valor continuarem a existir esses convites?

Acima de tudo penso que será pela amizade porque uma maratona, pelo menos para mim, não é pelo dinheiro, mas sim pelo gosto da modalidade.

 
Travaste alguns duelos com a extinta AAUTAD, que tipo de recordações guardas dos mesmos?

Lembro-me perfeitamente de uma equipa muito organizada,com grande jogadores e, sempre que joguei contra ela, os jogos eram sempre muito competitivos.

 

A descida à 3ª Divisão ao serviço do Bom Pastor na época 2010-2011 marcou-te?

Infelizmente, uma descida de divisão marca sempre,mas o que mais me marcou nessa época foi a minha saída do Viseu 2001,onde me foi dito pelo presidente que o treinador não tinha motivação para trabalhar comigo,quandoeu jogava regularmente. Mais surpreendido fiquei, quando li no blog desse clube que tinha saído por motivos disciplinares.

 
Numa palavra dá-me o significado dos seguintes clubes por onde passaste: Centro Social Francos, Carvalhosa, Miramar, Mocidade D´Arrábida, Carvalhido, Coimbrões, Mogadouro, ARCA, Módicus, City Us Targu Mures, Rio Ave, Viseu 2001, Bom Pastor, ACR Vale de Cambra, ASD São Mateus, Futsal Azeméis, Ramaldense no Futebol de 11 e agora, atualmente no Minturno de Itália?

OBRIGADO.

 
Uma pergunta que todo o universo do futsal pretende saber. Minturno, Itália, uma passagem ou um rumo com continuação?

Como em todos os anos, decido no final da época. E nem poderia ser de outra forma, porque neste momento estamos na fase crucial desta.

 

 

Amigo Paulo Faria, deixas-te algo por dizer que não tenhas referido nas questões anteriores?

Apenas desejar-te o melhor amigo.
E recebe um grande abraço.

 

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Comentário

3 Comentários

  1. Nao e por ser meu irmao mas e um grande jogador que nunca serviu a selecção pk

  2. Grande Paulo Faria..
    Tive a optunidade de o ver a jogar no Miramar e Ginasio da Ponte e etc.. A idade nao perdoa mas mesmo com 33 anos ele continua a ser um dos melhores jogadores de futsal portugueses.

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