Orlando Alves: “Serra do Larouco é um tesouro escondido”

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O presidente da Câmara Municipal de Montalegre, Orlando Alves, fala do investimento (300 mil euros) realizado na serra do Larouco, palco de uma prova da Volta a Portugal em bicicleta, agendada para 2 de Agosto (dia 19 recebe uma prova da Volta a Portugal do Futuro). Garante que a aposta «foi bem feita» e que irá «transformar a região». Orlando Alves quer destapar o «tesouro escondido» do Larouco ao país por forma a potenciar um concelho que pode ter encontrado um balão de oxigénio turístico e económico.

Para quem não conhece a serra do Larouco, que importância representa este local?
«O Larouco, já no período da romanização, foi comparado ao Deus Júpiter. As aras que apareceram na serra tinham todas a inscrição latina que falava do Deus Júpiter, divindade que a cultura romana consagrou e divulgou para sempre. É uma serra que tem contornos diferentes. Quem vier de Chaves e olhar para o Larouco, vê um guerreiro deitado, uma espécie de herói morto…é a imagem que o Larouco oferece. Ora a importância que os nossos antepassados deram ao Larouco e que, também, os povos raianos souberam, ao longo do tempo, contemplar, é um facto que devemos respeitar. Recordo a festa ao “Deus Larouco”, onde os povos de Padornelos, Gralhas, Meixedo e de Santo André se juntavam, no cimo da serra, com os galegos. Desde que estou na Câmara, houve duas ou três festas que fizemos em conjunto. A circunstância de não haver uma acessibilidade fácil fez com que essa festa morresse. Foi uma pena. Vamos ver se conseguimos ressuscitá-la».

Como aparece a decisão de investir na serra do Larouco?
«A acessibilidade ao Larouco resulta de um compromisso politico assumido nas últimas eleições autárquicas. Entendo que os compromissos são para se honrar. Foi isso que procurei fazer, assim como em outras situações. Defendo que a importância que o Larouco representa, tem que ser potenciada sob o ponto de vista cultural, económico, turístico e desportivo. Neste campo, perspetivei, de imediato, a possibilidade de trazer um grande acontecimento à nossa terra, que é a Volta a Portugal em bicicleta».

O que pode representar para o concelho um evento como a Volta a Portugal?
«Irá representar muito, seguramente. Com a etapa, iremos meter Montalegre no mapa das grandes realizações desportivas que se fazem no país. Uma vez que não podemos trazer para aqui o Benfica nem o Porto nem o Sporting, podemos trazer uma grande prova velocipédica que durante 15 dias concita as atenções gerais do país».

O que tem escutado sobre este investimento?
«Como é do conhecimento público, vamos ter no dia 2 de Agosto, o final de etapa no alto da serra do Larouco. Este facto está a provocar uma grande curiosidade em todo o país. A organização da prova já cá esteve e ficou radiante. Não sabia que estava aqui este tesouro escondido. Não tenho dúvidas que irá ter o mesmo peso, em termos desportivos, à Senhora da Graça e à serra da Estrela. As impressões têm sido as melhores».

Sabemos que a RTP já viu o acesso ao Larouco e gostou…
«É verdade! Tivemos aqui duas equipas da RTP, que ficaram completamente deslumbradas com o que viram no nosso território. Como televisão oficial da prova, marcaram as coordenadas para que o helicóptero chegue aos pontos nevrálgicos sob o ponto de vista turístico. Foi bom sentir esse entusiasmo».

Acredita que o acesso ao Larouco irá transformar a região?
«A acessibilidade ao Larouco vai permitir a devoção de Montalegre à prova velocipédica maior de Portugal e vai fazer com que, ao longo do ano, os ciclistas venham para Montalegre treinar o que já se verifica desde há dois meses. Com isto, alimentam-se na terra e estão a deixar cá o dinheirinho que nós precisamos para a nossa manutenção neste território tão bonito. Não tenho dúvidas que o Larouco vai ser transformado num espaço de grande atratividade turística. Irá contribuir, significativamente, para a sustentabilidade do território. Em boa hora apareceu esta aposta que foi bem feita e que em meia dúzia de anos será convertida em muitos proventos económicos para a região de Barroso e, particularmente, para a vila de Montalegre».

Quanto dinheiro gastou a Câmara de Montalegre?
«Este investimento está orçado em 300 mil euros, suportado pelo orçamento municipal. Estamos a tentar, com a EDP, enquadrar o investimento no protocolo de concessão das barragens por forma a conseguirmos aliviar um pouco o esforço financeiro que tivemos que fazer. Tudo foi feito um pouco à pressa. Um pouco em contrarrelógio. Contudo, está uma estrada bem feita, que convida as pessoas a ir ao Larouco. Irá, como disse, dar sustentabilidade à região. Por exemplo, não está posta de parte a hipótese, se alguém aparecer, de construção de um hotel no cimo da serra. Nós cá estaremos para analisar esse tipo de situações».

De que forma a autarquia irá defender o valor ambiental da serra do Larouco?
«A serra do Larouco encerra, em si, valores patrimoniais que temos que saber defender. A biodiversidade que a serra esconde vai ser preservada. Jamais iremos consentir a devassa seja do que for. As espécies cinegéticas irão ser protegidas. Desta forma, o acesso à serra será sempre condicionado. Serão implantadas barreiras que vão condicionar o acesso ao topo da serra em horários que iremos divulgar. Sei que irei desiludir, com isto, muita gente. Já haverá por aí gente a pensar que agora tem ali mais um espaço onde possa treinar à noite. Isso não vai acontecer porque estaremos sempre em articulação com a GNR».

 

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