Opinião: Por Fernando Parente

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NO FUTSAL DE FORMAÇÃO, HÁ QUE FORMAR, JOGAR, NÃO IMPORTA TANTO O GANHAR

 

Este é um tema que nos deve originar uma profunda reflexão, sendo claro que o objetivo fundamental das categorias de base (formação), é formar jogadores.Podemos acrescentar aqui o saber competir, mas para mim o problema consiste naqueles treinadores que confundem o saber competir com o ganhar.

O nosso objetivo como treinadores de formação é conseguir que os jogadores se formem e que desenvolvam desportivamente todos os aspetos que rodeiam uma determinada disciplina desportiva (técnica, tática, física, psicológica, etc), neste caso no Futsal.
Saber competir não é o mesmo que ganhar e explico o que para mim é o saber competir: é transmitir aos jogadores uma série de valores como por exemplo o trabalho em equipa, entre muitas outras coisas, e também tentar melhorá-los nos recursos emocionais que os vão ajudar a competir, ou seja: o autocontrolo, a confiança, a concentração, a atitude, etc.
Portanto, o saber competir será uma parte mais da formação do jogador que eu quis aqui distinguir, para lhe dar a importância devida e poder, de alguma maneira, ver a diferença entre o termo competir de ganhar. Para mim saber competir é parte da formação do jogador, sendo que o ganhar deve ser uma consequência e não um fim, falando aqui de equipas de formação.
Há treinadores que para ganhar são capazes de não permitir que certos jogadores joguem, disfrutem e aprendam. Nalguns casos até se coloca um objetivo pessoal e às vezes do próprio clube, em como o ganhar é o derivado da formação desses jogadores e muitas vezes se erra nesse propósito.
Em muitos jogos de formação vê-se alguns treinadores a falar para o seu fixo: “Não passes do meio campo, deves ser um apoio de constante segurança”. A função desse jogador, mesmo tendo feições para ser fixo, é apenas defensiva? Que tipo de formação se está a dar a esse miúdo?
E as equipas que renunciam totalmente em ter posse de bola com o sentido de que não se trabalha os fundamentos ofensivos e de que não existe a prioridade de melhorar em todos os aspetos do jogo?
Só a possuem aquelas equipas que nos levam a ganhar, quando nessa mesma etapa se deve globalizar e trabalhar todos os fundamentos de jogo, sem exceção.
Também podemos discutir o excesso dos automatismos, das rotinas e da mecanização, de como se corta toda a criatividade, mas esse é outro problema.
A planificação, a metodologia que se utiliza deve ser baseada no desenvolvimento dos jogadores, no modelo de jogo a seguir, etc., mas não em ganhar. Toda a gente gosta de ganhar, é mais que óbvio, mas não pode ser a custo de perdermos jogadores. Há que desenvolver ao máximo os nossos jogadores e ser uma etapa onde o objetivo prioritário não devam ser os resultados, mas sim uma etapa de formação onde os jogadores devem crescer desportivamente ao máximo.
As equipas de formação são o pilar do nosso futsal e devemos comprometer-nos para que os jogadores tenham a melhor formação desportiva possível.

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