Opinião: Talento ou sacrifício no Futsal?

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Por: Fernando Parente

“O talento é apenas uma parte do sucesso, o resto é trabalho e sacrifício”.
Estamos de acordo com essa frase? Ela está correta?
Para mim é o cabeçalho de uma frase. Eu acho que tanto no trabalho diário,como na vida e no Futsal, não consigo dissociarsem dúvida nenhuma que o sacrificar faz parte de um todo.
Agora vamos dar um exemplo. De uma equipa com um orçamento apertado, que para todos nós sabemos que se passa o seguinte: jogadores jovens e rapazes inexperientes, imaturos, sendo uma segunda base da categoria sénior do seu clube, onde os jogadores “de fora” que, são a sua vertente principalnum campeonato tão competitivo como a Liga Sportzone, a 2ª ou mesmo a 3ª Divisão Nacional.
Jogadores que têm um perfil muito específico. Jogadores onde o sacrifício se torna imperativo se eles querem fazer e criar um nome nestamodalidade.
Olhando para trás e com alguma perspetiva, tenho que dizer que já passaram pelo nosso Futsalmuitos jogadores talentosos.
Sim, é certo, mas em nenhum momento (salvo raras exceções), todos eles colocavam primeiro o sacrifício e o trabalho acima da glória pessoal. Eles colocaram o seu talento pessoal em torno da equipa que representavam, o bem comum, fosse qual fosse o clube em questão.
Então, eu concordo com a frase acima descrita. O jogador talentoso deve sacrificar-se primeiro, o que não é o mesmo que ser sacrificado.
Cada Treinador deve trabalhar os seus jogadores talentosos,as suas qualidades e virtudesem benefício do grupo.
Jesus Candelas, enormíssimo Treinador de futsal espanhol, disse uma vez: “O jogador talentoso é inconsistente, irregular, aparece em jogos, enquanto um jogador sem talento é constante, é regular e sempre vai estarnum nível semelhante”.
Agora, os treinadores são os que devem priorizar.
Se queremos jogadores talentosos ou jogadores com tenacidade?
Como muitas vezes depende de muitos fatores, tais como o clube em que estão, se têm possibilidades económicas, que jogadores compõem o plantel, o campeonato em que estão inseridos, etc.
O ideal é combinar talento e sacrifício, mas vamos colocar a questão: “Quantas vezes ocorreesse complemento num jogador”?
“Quantas vezes nos jogadores,a atitude e o talento andam de mãos dadas”?
O que a realidade nos diz é que raramente ocorre e, todos nós sabemos o que acontece quando um jogador com essas qualidades surge.
No meu caso, e depois de dez anos de prática como Treinador, eu acho que vou ficar com o jogador com tenacidade, com sacrifício. Aquele jogador que dá um desempenho consistente. Aquele jogador que começa a treinar todos os dias com vontade de suar, que quersentir-se um desportista ativo, que sente o clube que representa, que trabalha para uma melhoria coletiva e única em conformidade, que quer evoluir..
Por fim, temos de nos lembrar que nós, Treinadores, ganhamos mais com a atitude do que com aptidão.

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