Opinião: Pais Desportivos no Futsal

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Por: Fernando Parente

A diferença entre sentir-se importante com o sentir-se único

De vez em quando orgulhamo-nos daquele jogador que treinamos durante algum “tempo/temporada” e que consegue chegar a jogar na primeira divisão, a ser convocado para a seleção, que consegue um título importante ou simplesmente consegue ser profissional. Somos conscientes de que fizemos parte desse êxito, que fomos importantes em conseguir esses objetivos e por vezes sentimo-nos como se fosse um êxito próprio.

O orgulho, a autoestima, a empatia e a cumplicidade são sentimentos inerentes à espécie humana e florescem constantemente sem os podermos controlar em muitas ocasiões.

Compartilhámos treinos, competições, vitórias e derrotas, risos e choros com esse jogador que nos consideramos por vezes “pai desportivo” desse indivíduo.

Creio que essas sensações são inevitáveis e ao mesmo tempo são agradáveis e positivas, sempre e quando tenhamos em conta a perspetiva de toda a carreira desportiva desse jogador. O que quero dizer com isto? Que caímos num erro grave ao considerarmos que fomos os únicos responsáveis dos êxitos desse jogador.

Entre os pedagogos, os filósofos e os psicólogos costuma-se dizer que cada pessoa é apenas o somatório de todas as suas experiências, que a aprendizagem é uma lista de todos os conhecimentos adquiridos em todos os âmbitos da vida e isso significa que a consumação das metas propostas é de todo impossível que se consiga de uma só fonte de informação e de formação.

O jogador chega a ser o que é graças a todos, absolutamente todos os seus treinadores, professores e experiências lúdico-desportivas. Cada sensação vivida, cada aprendizagem adquirida, cada erro, cada acerto, formam um nível cognitivo e de motricidade, formando pouco a pouco o que num futuro vai ser esse jogador, campeão ou melhor marcador, seja o que ele conseguir. As experiências ensinam-nos sem serem reflexionadas, cada reflexão introduzida por focos distintos é a origem da evolução.

É contudo evidente que existem treinadores que marcam mais, que ensinam melhor, ou até que os ajudam a chegar onde por vezes chegam. Seguramente a sua forma de ser, a sua comunicação, os seus exercícios, as suas reflexões, marcam esse jogador muito mais que as dos outros e por isso consideramos que esse treinador potenciou mais as capacidades e habilidades que os demais. Isso está mais do que certo, mas nunca devemos confundir o ser importante com ser único.

Basta de pensarmos que somos os únicos responsáveis do que consegue um jogador. Há que abrir a mente, considerar e respeitar a tarefa desenvolvida por todos os profissionais que formaram esse mesmo jogador, desde o professor de educação física que o ajudou a desenvolver a sua motricidade e coordenação, passando pelos treinadores de formação que contribuíram para ele suportar e adquirir os elementos técnicos, até chegar ao treinador ou treinadores que lhe deram os fundamentos táticos e estratégicos nessa sua evolução como atleta e também como homem.

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