Opinião: Motivar no desporto

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Por: Fernando Parente

Como já tive a oportunidade de referir noutros artigos de opinião, em meu ver, para um treinador ter sucesso, não basta apenas saber de táticas e planificações de treino, acima de tudo deve saber (ou tentar),o máximo sobre os comportamentos psicológicos do ser humano, pois esta é que deve ser a base estrutural de todas as planificações desenvolvidas pelo treinador, a mente dos seus atletas…

De que importa saber muito sobre aspetos técnico-táticos, se por exemplo, não consigo motivar os atletas, fazê-los compreender aquilo que eu quero para a equipa, diminuir ou erradicar a ansiedade pré-competitiva dos mesmos antes dos jogos ou libertá-los da pressão do e durante o jogo?
Um treinador que não consiga fazer isto, jamais terá o mínimo de sucesso na sua função!

Por isso defendo que os treinadores devem estudar e procurar saber cada vez mais sobre o comportamento psicológico para assim saberem como lidar com as mais diversas situações deste tipo, mas principalmente para saberem “treinar” a mente dos atletas, pois um atleta forte e preparado do ponto de vista psicológico, mesmo que do ponto de vista técnico-tático e físico esteja mais fraco, poderá ter algum sucesso, situação impossível caso a situação seja inversa…

Acho também que os treinadores devem, primeiro de tudo, conhecer bem as personalidades dos seus atletas, para saberem como lidar com cada um deles nas mais diversas situações, pois é um erro pensar que todos são iguais e se deve agir sempre da mesma maneira, quando as personalidades são todas muito distintas. Por exemplo, se existem atletas que necessitam de ser estimulados, outros, pelo contrário, necessitam de estar mais relaxados, para conseguirem um ótimo estado de ativação para a competição.
Mas, acima de tudo, os treinadores têm que “treinar” as mentes dos atletas, de forma a prepará-los para a exigência da competição, como?
Eu dou um exemplo, se queremos habituar os atletas a lidar com a “pressão” competitiva, devemos fazer “treinos de simulação”, isto é, simular situações que acontecem durante o jogo, fazendo com que os atletas pratiquem sob pressão e aprendam a responder de forma correta quando se sentem nervosos. Phill Jackson, treinador vencedor da NBA, geralmente encerrava os treinos com uma situação de jogo. Por exemplo, ele propunha à equipa: “Vocês estão com a bola e estão a perder por dois pontos, e faltam 30 segundos para o final”. Ou “Vocês estão a ganhar por um ponto e restam apenas cinco segundos de jogo e a outra equipa tem a posse de bola”. Portanto, ele não apenas ensina aos seus jogadores as melhores estratégias para usar nessas situações de pressão, mas também permite que eles ganhem confiança nos momentos cruciais do jogo.
Da mesma maneira, as equipas de futsal podem praticar variações, como por exemplo: “treino de dois minutos”. Faltando dois minutos para acabar a partida os atletas passam a familiarizar-se com situações de pressão e com isso podem desenvolver confiança na execução de jogadas estratégicas adequadas para situações específicas.
Desta forma, é certo que o rendimento dos atletas (e da equipa) melhorará de forma concreta, pois ficarão seguramente muito mais preparados para lidar com as situações reais durante o jogo!

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