Opinião: Da formação aos seniores de Futsal – como encarar a transição

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Por: Fernando Parente*

Todos os jogadores passam por etapas de formação, de aprendizagem. Etapas nas quais deviam aprender e conhecer os conceitos básicos do desporto que praticam. São idades em que o jogador se vai formando, primeiro como desportista, mas mais importante, como pessoa.

De momento, o jogador ou desportista chega a uma idade que, mesmo tendo passado pelos vários escalões de formação, deve começar, pouco a pouco, a sua integração e lugar dentro de um grupo.
Falamos de jogadores que em muitas ocasiões alternam as sessões de treino e jogos com a sua equipa e a de nível superior.

Neste caso encontramo-nos sob o ponto de vista do responsável da equipa sénior, nas diversas atuações: naquele treinador que utiliza os jogadores da formação como mero objeto de treino (para que se veja gente) e, aquele que verdadeiramente dá protagonismo aos jogadores da formação dentro do treino ou jogo.
Até do ponto de vista do jogador da formação que é chamado para treinar, também podemos enumerar certos comportamentos. Mesmo que, a esses jogadores não vamos poder permitir dois tipos de comportamentos que passam a ter depois de jogar ou treinar nas equipas superiores às deles.

Por um lado, falamos do jogador de formação que partilha os treinos com a equipa sénior e volta ou retoma os treinos com a sua equipa de formação. Vemos muitas vezes como a motivação e sobretudo a humildade decrescem nestas situações. O feito de ter partilhado treinos, viagens, jogos, etc…, com a equipa sénior, parece errado que lhes dê um estado superior perante os seus colegas da formação que não tiveram essa oportunidade. Erro, repito, um erro.

O jogador que seja chamado, seja pela qualidade, talento, etc.., que partilha treinos, jogos, com a equipa sénior e logo depois tem de retornar à sua equipa de formação para jogar ou mesmo treinar, deve ser ainda mais humilde e aparecer ainda mais motivado.
Não se pode perder o discernimento nem o norte por deixar de treinar ou jogar com os companheiros de formação. Há que regressar com a mesma humildade e motivação com aquela que deixou a equipa de formação e integrou o plantel superior. Tanto que os seus companheiros de equipa de formação irão estar muito dependentes do comportamento que ele ou eles (os que forem chamados) irão ter a partir dessa altura.

Será uma referência para os seus colegas e nós, os treinadores, devemos ser os que devemos estar atentos aos seus comportamentos. Somos aqueles que os devemos chamar atenção, baixá-los do pedestal e colocar-lhes os pés bem assentes na terra.
Por outro lado, está o jogador que sobe sem ambição seja pelos motivos que forem: pensar que não vale a pena estar ali, que não vai servir de nada, etc…Erro. Um dia em que esse tipo de jogador de formação que pensa assim, suba para treinar ou mesmo jogar na equipa sénior, deve dar um murro na mesa e demonstrar a sua ambição, isso é certo. Esse jogador deve demonstrar que quer estar ali, que ganhou uma oportunidade e que a deve aproveitar. Deve meter receio aos jogadores seniores, com os quais vai partilhar os treinos ou jogos. Devem sentir que esse “miúdo” vem para somar e para ficar na equipa. Não se pode ir para um treino ou jogo da equipa sénior sem essa atitude.

O jogador da formação deve ganhar o respeito dos seus companheiros, à base de demonstrar que quer estar nesse grupo, que mostra atitude e ambição por ficar no mesmo.

* Treinador de Futsal

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