Opinião: coelhos, fé ou táctica?

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Por: Luís Miguel Roçadas*

Pode um treinador mudar o rumo de um resultado negativo durante o jogo, ou é mais fácil um jogador “tirar um coelho da cartola”?

Este é um dos grandes paradigmas que se encontram actualmente no futebol moderno. Por vezes é mais fácil adjectivar uma jogada magistral de um jogador, que culmina num grande golo, do que abordar a questão táctica elaborada pelo treinador, para que esse mesmo atleta tenha conseguido navegar por outros espaços onde o golo pudesse aparecer a qualquer momento.

Inevitavelmente, muitas das vezes quando queremos classificar e caracterizar o poderio de uma equipa recorre-mos necessariamente ao individualismo. Como são os casos de Messi, Cristiano Ronaldo, Suarez, Aguero, Muller etc. Contudo, apenas nos focamos onde está a bola e com quem está durante um jogo de futebol, e esquecemos que ainda existem mais dez jogadores em campo da mesma equipa que procuram um melhor posicionamento para conquistar situações de finalização e abrir linhas de passe.

O futebol é um jogo colectivo, onde necessariamente, os onze jogadores tem um papel activo na construção do jogo ofensivo e defensivo. Cada vez mais, no futebol jogado nos dias de hoje a questão táctica é fulcral para o alcançar de um resultado positivo.

Deixamos a fé de parte, e as motivações, antigamente resultavam mas agora o futebol atingiu níveis completamente diferentes. Em tempos passados, toda uma equipa jogava em função do seu melhor jogador, quer seja avançado ou nº 10. Sim é verdade. Se tínhamos um avançado forte no jogo aéreo, então o que se pedia à equipa era para cruzar de qualquer lado para a grande área porque o avançado a qualquer momento marcaria golo. No caso do Nº 10, toda uma equipa trabalhava no processo defensivo e quando conquistasse a posse de bola o único alvo de referência era nomeadamente passar o esférico ao nº10 porque teoricamente era o melhor jogador, porque tinha características técnicas, na qual fazia desequilíbrios e depois conseguisse tirar esse “coelho da cartola”. Porém, os tempos são outros e o futebol modificou-se para melhor.

Hoje, vemos equipas fortes colectivamente, a ganhar a equipas fortes individualmente. O único factor que predomina aqui é efectivamente, o Treinador e o seu conhecimento táctico que foi adquirindo ao longo dos anos. Porque, um grande jogador por si não faz uma grande equipa. Mas um grande treinador, por si já consegue transformar um colectivo numa grande equipa.

* Jornalista  Desportivo Transmontano

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