Opinião: A minha experiência com Beto

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Por: Sérgio Mota

O guarda-redes português Beto, foi uma das figuras da formação de Sevilha na eliminatória da Liga Europa, que colocou frente a frente o FC Porto e a equipa da Andaluzia. O internacional português esteve em grande destaque não só pelas defesas decisivas, mas também pela forma como saudou e tratou os adeptos e os adversários de uma casa que também já foi sua.

Conheço o Beto desde 2004 e desde essa altura, nos altos e nos baixos, o Beto sempre me tratou como o conheci: 5 estrelas! Para os mais distraídos, o percurso do Beto é típico de alguém com garra e determinação e o que alcançou no “mundo da bola” deve-se apenas e só ao TRABALHO.
A vida do BETO nem sempre foi fácil. Perdeu a sua referência, o seu pai, ainda em tenra idade, no Desportivo de Chaves praticamente não jogou durante um ano inteiro, foi para o FC Marco, clube mergulhado em problemas, onde até foi obrigado a jogar a avançado… mas o Beto é forte! Apesar dessa época atribulada em “Terras de Ferreira Torres” um convite para representar o histórico Leixões na temporada seguinte mudou-lhe o destino. Foi o seu porto de abrigo durante 3 anos, onde brilhou e, naturalmente, surgiu o FC Porto, Cluj, Braga, Sevilha, a Selecção…
Não resisto em contar um episódio sobre o Beto, que presenciei nos Açores, e que nos mostra como no futebol nunca se deve atirar a toalha ao chão. Estávamos na época 2004/2005, o Beto era guarda-redes do GD Chaves. Não era titular, mas nessa semana de jogo frente ao Santa Clara o treinador ter-lhe-á prometido ou dado a entender que seria o titular. O jovem de 20 – 21 anos, estava convicto que ia jogar, mas para sua desilusão a escolha não recaiu sobre si. Cheguei ao Estádio de S. Miguel, na companhia do meu comentador Sebastião Imaginário, e qual não foi o nosso espanto em vermos um jogador fora do estádio banhado em lágrimas. Soluçava, não falava! Desiludido, dizia-nos que para ele o futebol tinha acabado e nem sequer queria ir para o banco. Após alguns minutos de conversa, ajudados por elementos da direcção, lá o convencemos a equipar e fizemos-lhe sentir que um dia ia ser ele o dono das redes, do Desportivo de Chaves ou de outro clube qualquer. O Beto não desistiu, e ainda bem.
Ganhou o futebol.

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