O meu conselho: “de Jogador a Jogador”

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Por: Fernando Parente

Quantas vezes um jogador continua a perguntar ao Treinador ou a perguntar-se: “Porque não jogo mais? O que é que estou a fazer mal? Que devo fazer para jogar mais minutos? Ou também, porque é que, mesmo a jogar muito não vejo evolução no meu jogo?”

Agora, como Treinador, permitam-me dar um conselho humilde a todos aqueles jogadores que, como eu, não se conformavam só com jogar, mas que queriam superar-se dia a dia, que não colocavam limites a eles próprios.

Se és um jogador que tens muito tempo de jogo, não te conformes, não te distraias em pensar o bem que finalizas, o bem que fazes o retorno defensivo, os golos que marcas ou o bem que defendes. Pensa em tudo o que te falta melhorar, fala com o teu Treinador, para que ele te ajude.

Aquele jogador que tenha uma boa qualidade técnica e física, deverá esforçar-se para melhorar a qualidade tática, e isto também vale para os Guarda-Redes.

Converte-te num jogador tático, exige ao teu treinador o que deves fazer para melhorares em algumas situações, converte-te na sua extensão dentro do campo e asseguro-te, que mesmo sendo inferior tecnicamente em relação aos teus companheiros, acabarás por te converter na sua peça chave, no seu jogador principal e, desde esse instante, começarás a chamar atenção, não só do público que se dá conta do mais vistoso, mas também dos outros futuros treinadores que irão estar a valorizar e observar o teu trabalho tático, e com eles, poderás continuar a tua evolução e progressão individual.

Se és um jogador que não joga ou joga pouco, não te perguntes o porque, pergunta ao teu treinador. Tem em conta que os treinadores trabalham mais do que ninguém dentro de uma equipa, não podem parar de pensar o que fazer todos os dias para eles também melhorarem, para melhorar os seus jogadores e inclusive, melhorar as condições extradesportivas que possam surgir dentro de um clube humilde, pois, mesmo que por vezes, queiramos falar com este ou aquele jogador em concreto, para dar-lhe um conselho sobre a sua possível melhora ou incidi-lo sobre uma virtude, pode ser que a nossa mente se vire para algo mais generativo, para o bem do grupo, pois o tempo disponível é escasso e não dispomos de todo o tempo que queremos para atender todas as inquietudes que temos na nossa mente e nos nossos projetos.

Fala com o teu treinador, pergunta-lhe como podes melhorar neste ou naquele aspeto no qual tu sabes que és mais débil, pergunta-lhe porque não jogas tanto, por vezes pode ser apenas uma questão de atitude, uma questão física ou uma questão disciplinar e, essas são de fácil correção, desde que, mesmo sendo sacrificado em alguns jogos, te deixes aconselhar e não ir pela via mais fácil, como: treinares mal, contrariado, deixares de falar com o teu treinador, causares problemas no balneário, etc…

Se és o clássico jogador que desejas treinar a todas as horas, consulta o teu treinador ou preparador físico, porque, tão mal faz o não treinares devidamente, como teres sobrecarga de treino e esse pode ser o motivo do teu provável rendimento baixo e não saibas mais o que fazer para voltares à tua forma.

Nem sempre temos de treinar no máximo, há dias em que um treino de recuperação é essencial, quase sempre depois de um jogo, ou mesmo depois de uma sessão de treino mais exigente, pois se em ambos os casos não deves treinar no duro, não será bom para ti e de certeza que será negativo para a tua melhora e recuperação física.

Se és o clássico jogador que não joga muito tempo, consulta igualmente o teu treinador ou preparador físico, não te rendas, segue treinando no máximo, porque o trabalho mais cedo ou mais tarde irá dar os seus frutos. Pede conselhos sobre o que deves fazer no dia ou dias seguintes ao jogo, já que, se como jogador tens poucos minutos, irás ter muita pouca carga física e por isso, deverás exigir mais para ti e ao teu treinador, estando certo que ele saberá o caminho que deves seguir.

Pensa que, um jogador que não jogue ou jogue pouco tempo no sábado/domingo, se o último treino foi quinta/sexta, se não treinares por ti, não terás feito quase nada durante quatro dias se o próximo treino for na segunda/terça seguinte. E terás em conta que o teu nível físico individual, estará muito abaixo em relação aos jogadores que têm mais tempo de jogo, tendo tu mais probabilidades de lesão no treino seguinte, devido à tua menor capacidade de adaptação ao esforço, que será contudo, maior.

Por último, para aqueles jogadores que não gostam de se esforçar, não são disciplinados, não aguentam as exigências do próprio treino/jogo e, que simplesmente pensam que vão passar um bom bocado, sendo coniventes com a lei do menor esforço, peço que não intercedam por aqueles jogadores que mantêm a ilusão intacta, que não apaguem a luz deles, o brilho que eles demonstram, os quais fazem com que um treinador se esforce acima dos seus limites, já que nós, os treinadores, precisamos deles.

Do jogador que se sacrifica pela equipa, que honra o clube e tem paixão pela modalidade que representa e pratica (independentemente da idade que tenha), entendemos que por tudo o que ele passa, as suas alegrias, tristezas, desgostos, os seus problemas, fazemo-lo em definitivo “de jogador a jogador”.

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