Nuninho: “Sou louco pelo futsal”

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Por: Fernando Parente

Desta vez, o entrevistado é o meu amigo Nuno Silva, mais conhecido no mundo do futsal como “ Nuninho Vially”. Para mim e, possivelmente para muitos mais, um dos jogadores mais completos na capacidade técnica individual,na entrega ao jogo, finalizador, na dedicação e na ambição que sempre carrega consigo, independentemente do clube representado. Joguei contra ele (Mocidade d´Arrábida e Modicus), fui Treinador dele e foi um enorme orgulho para mim tê-lo orientado (Chaves Futsal), e deixo aqui esta recordação de uma entrevista de amizade a um dos melhores jogadores de sempre do nosso futsal.

Nuninho, a tua vida sem o Futsal, o que seria?

Certamente não seria a mesma, sou louco pelo futsal. Amo a minha profissão.
Em Portugal, jogaste em cinco clubes: Mocidade d´Arrábida, Módicus, Chaves Futsal, Viseu 2001 e Operário. Como viste o desaparecimentodo Mocidade d´Arrábida, clube onde te formaste e onde iniciaste a tua carreira de sénior?
Joguei também no Grupo Musical de Miragaia no meu 1 ano de sénior. Fiquei imenso triste quando soube da notícia, pois foi um clube que me acolheu bem e já considerava aquela casa a minha família, e o Mocidade já era uma equipa respeitada no futsal.

Numa palavra, diz-me o que cada um desses clubes significou para ti e na tua carreira?

O Mocidade Arrábida e o Musical de Miragaia foram os clubes que me lançaram no futsal, e tenho essas equipas no meu coração. O Modicus foi a equipa que me deu a oportunidade de voltar à 1 Divisão e com dois grandes treinadores, Luís Almeida e Raul Castro. Tive a oportunidade de evoluir como jogador e como pessoa, é uma equipa pela qual tenho um enorme respeito. A equipa do Chaves nem merece comentários. A do Operário foi mais uma equipa que aprendi a gostar, mas derivado a alguns problemas não correu como esperava. A equipa do Viseu 2001 e a equipa que me estendeu a mão na hora mais difícil da minha vida, por isso que estou grato ao clube,que tenho também no meu coração.

 

Tu tornaste-te numa das referências do futsal, mas na minha opinião consegues obter mais êxito individual e coletivo quando jogas fora de Portugal, do que nas passagens pelos clubes portugueses acima mencionados. Estou correto?

Não é bem assim, só no Chaves é que me correu um pouco mal derivado a imensos problemas que tive nesse ano… No Viseu 2001 fiz um bom trabalho, pois é um clube que cumpre o que promete e dá todas as condições para trabalhar. No Operário comecei muito bem, mas depois problemas pessoais fizeram com que não rende-se o mesmo… Agora, sinto-me mais importante e mais confiante a jogar fora do meu país, pois dão-nos o merecido valor.

E porque? Consegues dar uma explicação aos leitores do “Desportivo Transmontano”, sendo grande parte deles jogadores de futsal como tu, para essa situação?

Foi como referi acima, fora dão-nos mais valor.O Futsal em Portugal está podre e com muita gente interesseira.

É complicado ser emigrante/jogador de futsal?

No início é imenso complicado, sem a família e amigos por perto, mas depois com o passar dos anos torna-se mais fácil. Habituo-me rapidamente.
Na tua carreira já passaste pela liderança de vários treinadores. Conseguiste aprender e evoluir com eles todos? Quais os que te marcaram mais, em que aspetos e porquê?
Sim, aprendi um pouco com todos, mas os que mais me marcaram foi: Mr. Gabriel Silva, Mr. Artur Melo, Mr. António Soares, Mr. Francisco, Mr. Sito Rivera, Mr. Luís Almeida e Raul Castro… São aqueles que me ensinaram e me fizeram crescer como atleta e como pessoa, fizeram-me ver o futsal com outros olhos e pensamentos.

No estrangeiro já passaste por três campeonatos diferentes: o romeno, o chinês e o atual, no Chipre.Quais as principais diferenças que encontraste desses campeonatos para o nosso?

As diferenças são imensas, o nosso campeonato é mais forte sem dúvida, e esses campeonatos são menos experientes, pois o futsal existe á menos tempo… Apesar de terem grandes equipas e com muito bons jogadores.

 

O emigrar, foi em busca de novos objetivos, à procura dum futuro melhor para ti e para os teus, ou Portugal já estava a ficar pequeno demais para a tua qualidade?

No primeiro ano que tive a oportunidade de vir para a Roménia, quando aceitei o convite, foi por uma aventura, mas depois comecei a ver isto como a minha profissão.

Passaste por três equipas no estrangeiro (City Us Targu Mures da Roménia, ZhuhaiMingShi da China e Apoeldo Chipre), das quais apenas a experiência chinesa deve ter sido a que custou mais. Quais os problemas que mais te afetaram nessa etapa?

Sim, foi a que me afetou e me custou mais, pois fiquei longe do meu primeiro filho e não consegui lidar bem com a situação.

Quando ingressaste no Chaves Futsal, a meio da época 2010-2011, alguma vez pensaste que irias encontrar tantas dificuldades nesse teu regresso a Portugal?

Nunca. Quando aceitei, pensei que tinha feito a escolha certa, mas logo me arrependi em ter trocado a Roménia para ir para o Chaves. Deus devia-me ter partido logo as pernas quando fiz isso. Deixaram-me sem dinheiro e, a saberem que tinha um filho com 3 meses, tive que andar a pedir emprestado para dar de comer ao meu filho. Foi o ano em que fiz imensas dívidas, derivado aos diretores que lá andavam… (adorei ter trabalhado com a equipa técnica (Fernando Parente, Luís Almeida e Perdigão), e com todos os jogadores. Nada tenho contra eles, pois receberam-me de braços abertos.
Conseguimos, com muitas dificuldades e com os subsídios em atraso (que até agora ainda não foram pagos), alcançar os pontos suficientes para subirmos á 1ª Divisão como segundo melhor terceiro lugar das duas séries, atendendo às desistências de equipas que houve no final dessa época desportiva.

O que sentiste quando soubeste que por causa dum dirigente não iríamos poder subir, devido à subtração de nove pontos na secretaria da FPF?

Como diz o português, fiquei muito “fodid”. Com um sentimento de tristeza, por todo o grupo de trabalho não merecíamos, mas por outro lado fiquei contente derivado aqueles diretores, pois eles não mereciam subir de divisão.Estávamos em 2º lugar e perdemos 6 pontos na secretaria, mesmo assim lutamos até ao fim para tentar ficar em 3º lugar. Conseguimos ficar em 3º lugar, tivemos direito à subida de divisão mas, mais uma vez os diretores tiveram que estragar tudo e retiraram-nos mais 3 pontos. Foi meio ano para esquecer.Agora estou mais contente por aquele clube ter acabado, assim não engana mais ninguém.

 

De todos os títulos que conquistaste e do teu magnífico desempenho, qual foi para ti a melhor época desportiva?

Para mim estes últimos títulos tiveram um sabor especial, derivado à lesão que tive. Lutei, trabalhei e consegui… não foi fácil começar a treinar cheio de dores e a mancar, só queria desistir, mas a equipa técnica e os meus companheiros de equipa ajudaram-me a dar a volta por cima.

 

Apesar dos teus bons desempenhos, sei que Portugal está sempre no teu horizonte. Existe vontade de voltar?

Neste momento não. Tenho propostas de Portugal mas já as recusei, com muita pena minha, mas é por fora que quero continuar a trabalhar.

Ou a aposta do Apoel no futsal tem-se revelado magnífica?

Sim. Adorei todos os momentos no Apoel, clube fantástico e com uma torcida magnífica. Dão-nos todas as condições para evoluirmos mais e mais.
Os adeptos do Apoel, como são eles no futsal?

São incansáveis a apoiar-nos, nunca vi nada igual. Para mim são únicos, posso dizer que amo aquele clube e a torcida.

Para um atleta como tu, reconhecido a nível europeu pela tua capacidade técnica individual, entrega ao jogo e finalizador, sentes que, sempre que sais para o estrangeiro, é sempre um passo em frente?

Sim. Quando nos sentimos importantes numa equipa é meio passo andado, depois as condições é outro e, quando se dá o devido valor ao jogador, conseguimos sempre dar o nosso melhor em favor da equipa que representamos.

Nas épocas 2010-2011, 2011-2012 e 2012-2013 representaste sempre dois clubes na mesma época desportiva. Dificuldades de adaptação, problemas ou projetos mais aliciantes?

Na época 2010/2011 troquei o Targu Mures pelo Chaves derivado a motivos pessoais. Na de 2011/2012, troquei o Viseu 2001 pelo Zuhai devido à diferença de salários, e o dinheiro naquele momento ia fazer com que paga-se algumas dívidas que tinha feito no ano anterior no Chaves. Em 2012/2013 troquei o Operário pelo Viseu porque cheguei acordo com o treinador do Operário para não continuar no clube.

Além da tua importância no Futsal de alta competição, és um dos atletas que mais relevo dá em algumas maratonas e torneios de futsal do nosso país, principalmente no Norte. Ir para o estrangeiro privou-te desses momentos? Ou a tua integridade física falou mais alto, uma vez que agora és profissional da modalidade?

Não, se estivesse em Portugal, de certeza que ia estar nas maratonas, pois eu não vivo sem futsal. O que aconteceu já é passado, foi um lance infeliz.

A lesão sofrida no Torneio do Freixieiro o ano passado, já depois de teres tudo acertado com o Apoel, foi um balde de água fria no momento?

Sim, foi, sem dúvida. Tinha acabado de acertar tudo com o Apoel, e ia ser a minha última maratona. Não sabia o que havia de fazer, fiquei muito arrependido.

Alguma vez chegaste a pensar que o Apoel, depois da lesão, poderia não contar contigo?

E foi o que aconteceu, o Apoel contratou outro jogador. Só que, como tive HOMENS a tratar do meu assunto, conseguiram que fica-se no Apoel. A equipa técnica do Apoel acreditou no meu valor e tenho que agradecer muito a dois grandes homens, um deles é o Sérgio Martinez, o outro não posso revelar o nome, e à equipa técnica do Apoel.

E em relação à nossa Seleção. Estás com 30 anos e tens tido sucesso na Europa, achas que uma chamada não passa de uma miragem?

Eu adorava representar a nossa Seleção, nem que fosse só um jogo amigável.Iria ficar satisfeito, mas eu sei que é difícil, pois tem grandes jogadores na nossa seleção, fora aqueles que nem conseguem ser chamados, somos centenas.

Amigo Nuninho, deixas-te algo por dizer que não tenhas referido nas questões anteriores?

Não, acho que está tudo dito. Quero agradecer por ter tido esta oportunidade de dizer um pouco das minhas passagens do futsal. Obrigado amigo e Mister Parente, obrigado também ao Desportivo Transmontano, um abraço.

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Comentário

1 comentário

  1. Grande Parente parabens por mais uma excelente entrevista e sobretudo uma enorme admiração pelo entrevistado que foi igual a ele proprio! Abraco aos 2 e já agora dizer que foi um previlegio ter trabalhado com os 2 mas infelizmente no clube errado ou neste caso com as pessoas erradas!

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