Um estreante na categoria principal da velocidade nacional lutou até ao fim pelo título de Campeão Nacional de Velocidade. Dividiu o volante o Norma M20FC da Speedy Motorsport com Pedro Salvador e o seu nome é Rafael Lobato.

Se é certo que Pedro Salvador é já detentor de um curriculum invejável,  com uma carreira sólida desde 2001, é também certo que a juventude de Rafael Lobato e o facto de nem sequer ter carta de condução (só ficou encartado no passado dia 10 de Dezembro) não o impediram de lutar por mais um título, sim mais um, pois ao título nacional de Ralicross da Categoria Super Iniciação, juntou-se também o título nacional de velocidade da Categoria C3, em 2014.

 

Como te sentiste da primeira vez que te sentaste num Protótipo, certamente muito diferente de tudo o que tinhas conduzido até aí?

A primeira vez que me sentei num carro veloz foi quando testei o Radical no AIA com vista a participar no CNV 2014. Era tudo muito diferente mas adaptei-me rapidamente, o mais difícil foi mentalizar-me que podia travar muito mais tarde e que quanto mais depressa entrasse nas curvas mais fácil era fazê-las devido ao enorme apoio aerodinâmico dos sport-protótipos. Fiquei muito satisfeito com a evolução ao longo desse dia e por ter conseguido rodar muito perto dos tempos habituais desse carro no circuito. Também não vou esquecer as dores musculares que senti nos dias seguintes e que me fizeram ver a importância da preparação física para o maior rendimento dentro das pistas.

 

Passaste no exame de condução no passado dia 10. Ou seja, ainda nem tinhas carta de condução, mas já aceleravas a 300 à hora… parece estranho, pelo menos para os menos atentos a estas coisas da Velocidade…

Comecei a competir no karting aos 8 anos de idade e fui passando para as categorias mais altas, onde aprendi as bases da competição, pilotar à chuva com pneus slick, a lutar em pista com mais 30 pilotos, as ultrapassagens, travagens, etc. Depois fui para o Ralicross com 13 anos e foi aí que aprendi a guiar um carro. Eu nem sabia meter velocidades, mas com os treinos e as provas fui evoluindo e foi uma grande escola que me permite agora estar à vontade para controlar o carro nas situações mais complicadas e levá-lo aos limites. Com a passagem para o CNV foi apenas uma questão de aplicar estes conhecimentos à condução de um carro muito mais rápido, seja em recta como em curva e ouvir os conselhos dos mais velhos. O mais difícil foi chegar ao carro da escola de condução e lembrar-me que tinha que fazer tudo devagarinho! (risos).

Mas parece que sim, que te lembraste, de outra forma não tinhas a carta e certamente que este foi um momento alto do ano. Sob o ponto de vista desportivo, qual o ponto alto e qual o ponto mais baixo desta época?

A época de 2015 foi excelente, num Campeonato bastante competitivo onde participaram muitos dos melhores pilotos e equipas em Portugal. Estou muito satisfeito com o meu desempenho no meio deles e se no ano passado ainda poderia haver alguém com dúvidas sobre o meu real valor, penso que este ano consegui convencê-los. Não é fácil indicar um ponto alto: desde a minha aceitação por um piloto como o Pedro para seu companheiro de equipa, à forma como fui recebido e apoiado na Speedy, o facto de ter alcançado a Pole-position em todas as minhas qualificações excepto agora no Estoril em que me foi retirada por causa das bandeiras amarelas, ter terminado todas as provas sem o mínimo incidente ou toque em adversários… Mas tenho que destacar a prova de Vila Real devido ao ambiente que me rodeou, o desafio de um circuito citadino, as vitórias em casa, sentir o carinho das pessoas, ter obtido o recorde da pista e a ultrapassagem que fiz no final da descida de Mateus. O ponto baixo tem que ser a prova do Estoril, em que uma avaria momentânea da caixa de velocidades nos retirou a vitória na prova e no Campeonato.

 

O que correu mal no Estoril?

No Estoril não tivemos connosco a sorte que é necessária para vencer. Éramos líderes do Campeonato e comandávamos a corrida decisiva quando a caixa de velocidades encravou. Perdemos bastante tempo até que a avaria se resolveu por ela própria mas a partir daí só podíamos contar com algum problema dos nossos adversários. Estou convencido que se não fosse este azar, teríamos sido Campeões Nacionais.

 

O que vais fazer nos próximos meses? Certamente que já pensas em 2016, o que planeias fazer?

Para já vou continuar com as aulas e a preparação física habitual. A equipa que me acompanha já iniciou a preparação da época 2016 há algumas semanas, foi apresentado o projecto desportivo aos patrocinadores e também já houve contactos de várias equipas que demonstraram interesse em que eu corresse com eles. Nos nossos planos está disputar o Campeonato Nacional de Velocidade nos TCR e a participação em algumas provas internacionais.

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