O circuito internacional de Montalegre viveu o mais notável fim de semana de provas a contar para o Campeonato do Mundo de Rallycross. Casa cheia, bom tempo, corridas fora de série, organização elogiada, tudo reunido deu um brinde de excelência. Até 2022, o espetáculo está garantido no palco de todas as emoções.

O acordo firmado entre o município de Montalegre e a IMG (International Management Group) – que confere à autarquia “luz verde” para a organização deste evento para os próximos cinco anos – deu o mote para um fim de semana alucinante no circuito internacional de Montalegre. Dias de temperatura elevada que provocaram imagens de rara beleza, presenciadas por milhares de pessoas que estabeleceram um novo recorde de afluência. Na véspera do “dia forte”, já o sueco Johan Kristoffersson tinha estabelecido um novo recorde no circuito com o incrível tempo 37.802 segundos.

Todavia, o foco final esteve em outro sueco. Depois do triunfo na prova inaugural do Campeonato do Mundo de Rallycross – feita em Barcelona – o campeão em título, Mattias Ekström, ao volante do Audi S1, voltou a dominar em Montalegre. Porém, foi só no dia decisivo que este sueco ganhou destaque.

 

ALTERAÇÕES PREVISTAS

O circuito internacional de Montalegre, que este fim de semana recebeu a segunda etapa do Mundial de Rallycross, vai sofrer alterações na pista, em 2018, com a criação de um “salto”. Deste modo, o atual traçado vai ganhar uma elevação no setor em que o terreno é em terra batida, para que os carros saltem à sua passagem. Isto mesmo explicou, à imprensa, o presidente da Câmara de Montalegre: «vamos introduzir mudanças na pista de forma a que os carros possam fazer um salto e dar vibração e entusiasmo ao espetáculo». Além disso, e devido à procura, vai ser criada uma nova bancada para albergar mais espetadores, depois de este ano já ter sido construída uma com 2.800 lugares. Estas alterações, explicou Orlando Alves, fazem parte de um pacote de investimentos previstos, necessários para «melhorar os espaços de acolhimentos das equipas médicas e de enfermagem, bem como dos órgãos de comunicação, vários dos quais internacionais, que acompanham o Campeonato do Mundo, e otimizar a rede de fibra ótica». Outra das novidades avançadas pelo Presidente da Câmara foi a introdução do circuito de Montalegre num videojogo que irá ser lançado no próximo mês de junho: «é um motivo de regozijo para os barrosões», declarou.

CURIOSIDADES

 

LOEB É REI NOS…AUTÓGRAFOS

O piloto francês, nove vezes Campeão do Mundo, Sebastien Loeb, foi um dos pilotos mais requisitados pelo público durante todo o fim de semana. Mesmo antes do espetáculo que deu na derradeira final, no duelo com Mattias Ekström, Loeb já estava entre os favoritos do público. O movimento na «motorhome» do Team Peugeot Hansen foi constante. Todos queriam um autógrafo daquele que é considerado um dos melhores pilotos de ralis de todos os tempos.

 

MONSTROS NO ASFALTO

Potência, muita potência mesmo. A categoria Supercar do Mundial de Rallycross tem o mérito de juntar modelos derivados de rali com «esteróides no turbo» (leia-se sem restritores) e alguns dos melhores pilotos da história do WRC – entre outros pilotos que evoluíram nesta disciplina. Falamos de Peter Solberg e de… Sebastien Loeb, nove vezes Campeão do Mundo de ralis. Mas há mais destaques. Ken Block, o americano das famosas “gymkhanas”, Mattias Ekström e Timo Scheider, pilotos do DTM. A estes nome juntam-se carros de tração integral, com motores 2.0 litros turbo de 600 cv, capazes de cumprir os 0-100 km/h em apenas 1.9 segundos.

 

EKS GANHOU EM TODA A LINHA

Foram os mais rápidos na pista e no paddock. A estrutura de Mattias Ekström apresentou três carros (Ekström, “Topi” Heikkinen e Reinis Nitiss) e uma estrutura de cinco camiões TIR que se espalhou por uma área que é o dobro da que ocupam as outras equipas. Além das oficinas e zona social, ainda apresentaram uma área para os fãs com dois simuladores e um carro especial em exposição: O Audi Quattro, utilizado por Hannu Mikkola no Rali do Algarve de 1980 e que faz parte do museu da marca.

 

EKSTROM ATIVO NAS REDES SOCIAIS

A boa disposição de Mattias Ekström foi expressa, mais uma vez, nas redes sociais. Antes da Q2, o sueco colocou um post onde dizia «estamos de olho em ti Johan Kristofferson, e outro olho em ti Petter Solberg». Um pressentimento do que iria suceder na final quando arrecadou a vitória.

 

BATIDO RECORDE DA PISTA

O recorde da pista de Montalegre vinha de 2014 e pertencia a Petter Solberg com 38,969s. Em 2015 e 2016, as condições climatéricas e as baixas temperaturas não permitiram descer a marca. Este ano, com calor a aquecer o asfalto e com as regas na parte de terra da pista, levaram o recorde a cair logo nos treinos livres. Primeiro foi Mattias Ekström, depois Sébastien Loeb e, por fim, foi Johan Kristofferson a fazer 38,301s. Na Q1, Kristofferson voltou a baixar para 37,908s e na Q2 estabeleceu o recorde em 37,802s, curiosamente na volta de partida.

 

MONTALEGRE EM DESTAQUE

NAS REDES SOCIAIS

Todas as publicações de fotos nas redes sociais que tivessem o hashtag #montalegreRX, eram exibidas nos écrans gigantes do circuito. Rapidamente os espetadores no circuito acederam ao desafio. O entusiasmo foi tanto que a meio do dia, o #MontalegreRX era o terceiro mais utilizado no Twitter em Portugal, só batido pelos hashtags #benfica e #sporting.

 

RESPONSÁVEIS DAS MARCAS

ESTIVERAM EM MONTALEGRE

A Audi e Peugeot enviaram a Montalegre os diretores dos seus departamentos desportivos. Bruno Farmin, pela marca francesa, e Dieter Gass, a representar a marca dos “quatro anéis”, tiveram encontros com jornalistas no sábado, no paddock, após o final das qualificações e apreciaram “in loco” os carros das equipas que os representam.

 

LOEB ENCARNA ESPÍRITO DO RALLYCROSS

Durante muitos anos, o paddock do rallycross estava repleto de motorhomes onde as equipas praticamente viviam. Com a maior profissionalização da disciplina, as motorhomes foram substituídas por tendas montadas no paddock, mas os membros das equipas deixaram de pernoitar lá, ficando isso reservado apenas para as equipas de menores orçamentos. Contudo, há exceções e neste caso é um dos pilotos para quem dinheiro não é problema: Sébastien Loeb. O francês tinha uma motorhome por detrás da estrutura do Team Peugeot Hansen onde praticamente viveu nos dias em que esteve em Montalegre.

PARTIDAS RÁPIDAS

A queda do recorde da melhor volta aconteceu uma vez com uma volta de partida, mas mesmo no Domingo houve três corridas em que a melhor volta dessa corrida foi a de partida. Os carros responsáveis por este feito foram os VW Polo da PSRX VW Sweden e os Ford Focus da Hoonigan.

 

PORTUGUESES…DISCRETOS
Nos S1600, a expressiva comitiva portuguesa nem às finais chegou, o mesmo aconteceu nos Supercars. Contudo, nesta divisão dos carros mais potentes, só Joaquim Santos marcou presença. O homem da Bompiso utilizou um Ford Focus WRX que ao lado dos atuais carros do mundial é quase “jurássico”. Uma saída de pista deixou o carro atolado na gravilha na Q1 e um problema na Q2 deixou Santos “em branco” no sábado. No dia seguinte, já teve mais sorte mas nunca escapou aos últimos lugares nas mangas de qualificação.

 

KARTCROSS
No Kartcross, Pedro Rosário esteve na final como nas qualificações. Colocou-se na frente e dominou. O segundo lugar, que foi posse de Rui Nunes, foi bastante mais discutido e a animação foi constante, no que às restantes posições do pódio diz respeito. Nuno Bastos, galgou duas posições. Partiu de quinto e, a custo, chegou até terceiro, ultrapassou até José Luís Pereira, que terminou a prova na quarta posição. Nuno Godinho e José Carlos Mota travaram, também, uma das lutas do dia. Godinho levou a melhor, foi quinto, à frente do homem da Transwhite. Classificaram-se 11 pilotos. Luís Almeida ficou pelo caminho, depois de um toque.

 

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