Fisgas: “O Ervededo vai até onde o deixarem ir”

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Por: Fernando Parente

Desta vez, o entrevistado é o meu amigo Paulo Abreu, mais conhecido no mundo do futsal como “ Fisgas”. Para mim e, possivelmente para muitos mais,um dos jogadores mais completo nos duelos individuais, exímio na leitura ao jogo, na inteligência e abordagem ao mesmo, na capacidade técnica e acima de tudo na entrega, na dedicação e na determinação em ambicionar sempre mais, independentemente do clube representado.
Joguei contra ele (Mundo da Música Flaviense, Boticas e Viseu Futsal), joguei ao lado dele na AAUTAD/Realfut, foi um enorme orgulho poder treiná-lo no Chaves Futsal. Deixo aqui a recordação de uma entrevista de amizade a um dos melhores jogadores de nosso Futsal nacional.

Fisgas, o teu percurso no Futsal está ligado a clubes da nossa Região e a uma experiência em Espanha no extinto Ourense. Desde que ano estás ligado à modalidade?
Estou ligado à modalidade desde 1998/99, era ainda júnior no meu primeiro ano de futsal.

Tu, sendo natural de Chaves, terra onde já houve, tal como em Vila Real, muitas equipas na modalidade que entretanto se extinguiram (AAUTAD, Boticas, Pontauto, Chaves Futsal, Mundo da Música Flaviense), como vês o desaparecimento de clubes na nossa região, principalmente nessas localidades?
É com uma enorme tristeza ver equipas como o Boticas (que conseguiu chegar à 1ª Divisão com todo o mérito) e a UTAD igualmente, entre outras, mas que, por motivos financeiros acabaram. Isso deixa me triste como é obvio, porque eram projetos aliciantes e uma montra para muitos jovens que assim deixaram a modalidade e que poderiam ter chegado longe.

Estiveste ligado a três clubes, que entretanto acabaram, a AAUTAD, o Chaves Futsal e o Boticas? O que te apraz dizer sobre cada um deles?
A UTAD foi um clube pelo qual tenho muito carinho, pois foi a minha primeira experiência mais profissional.Treinos bi-diários, foi muito bom pois eu não sabia o que era a modalidade naquele tempo e aprendi bastante. Tive companheiros de equipa fantásticos que me ajudaram em tudo e acho que esse ano evolui bastante.
No CHAVES foram 2 épocas muito boas,consegui subir no primeiro ano à 2ª Divisão e nela fizemos um excelente campeonato.Só não fomos mais longe pelos motivos que toda a gente sabe mas era um excelente grupo também.
O BOTICAS foi um namoro de muitos anos. Desde sempre que o Presidente e algum atletas me tentavam convencer a fazer parte da equipa, mas por um motivo ou outro não ia.Houve um ano em que decidi ir para lá e Boticas tornou-se numa segunda família. Já nos conhecíamos há muitos anos e foi um ano muito positivo também na 2ª divisão.

Partilhaste o balneário “sagrado” da AAUTAD. Sentes que foi de aprendizagem e de evolução o ano que jogaste na equipa universitária?
É verdade, tive o prazer e o privilégio de partilhar aquele balneário e sem dúvida que foi um ano de aprendizagem em todos os sentidos. Foi um ano em que aprendi muito e como era a modalidade.

Segue-se a tua experiência no Boticas. Como foi defrontar antigos colegas e um treinador que tinha sido teu colega e capitão na tua anterior equipa?
Foi uma experiência boa. É sempre bom jogar contra amigos mas como é óbvio, estava no Boticas e naqueles 40 minutos não havia amigos, mas no final já estávamos todos aos abraços e a rir de uma ou outra história antiga, o que era de salutar.

Sais do Boticas e vais para Espanha. Voltaste mais maduro, mais experiente, mas sentes que o teu regresso foi pela porta certa?
Sim, fui para Espanha e nesse ano apesar de todos os contratempos, foi um ano em que aprendi muito, trabalhei ao mais alto nível: desde estágios, treinos bi-diários, ginásio, etc., tudo do melhor. Vivia só para o futsal e do futsal. Competi com os melhores e contra os melhores ,depois voltei e sem dúvida que vim mais experiente, mais maduro e mais confiante em todos os níveis. Não sei se foi pela porta certa, mas na altura fiz o que achei melhor para mim e não estou arrependido.

Ou as saudades de casa foram mais fortes do que o resto nesse teu regresso?
Não, pelo contrário. É óbvio que sentia saudades mas na altura o Ourense não contava comigo. Entretanto estive meio ano em Sanxenxo, no clube “Hermanos Barbeito”. Acabamos por descer de divisão por 1 ponto e eles também não queriam estar a pagar a um jogador para disputar o distrital e voltei.O Chaves e o Boticas estavam interessados, mas decidi voltar ao Chaves Futsal.

Sentes que foste uma promessa adiada, ou quando achas que se deu a tua afirmação?
Penso que, felizmente, pelos clubes que passei joguei sempre, nuns mais que outros, mas sempre tive minutos em todos os jogos. Mesmo na UTAD, onde pensei que ia ser um ano em que ia ser difícil jogar muitas vezes, acabei por jogar bastante. Mas sem dúvida que o ano da afirmação foi quando saí de Ourense e fui para o Hermanos Barbeito. Cheguei, joguei bastante. Depois voltei ao Chaves Futsal e penso que me afirmei.

Eu como teu ex-colega, amigo e ex-treinador, acho e tenho a certeza que ainda te podes afirmar na 1ª Divisão, pois a tua qualidade técnica e tática são superiores a muitos que andam por lá. E tu, o que mais ambicionas para a tua carreira na modalidade?

Agradeço-te por essas palavras, pois tu conheces-me e sabes bem as minhas capacidades. Eu ambiciono sempre mais, é óbvio que sonho disputar uma 1ª Divisão. Trabalho para isso, vamos ver o que o futuro me vai reserva.

Tiveste vários técnicos na tua carreira até ao momento. Qual ou quais os que te marcaram mais e porquê?
Sempre que me falam disso, lembro-me dos meus primeiros treinadores que eram o Zé Luís Martinho e o Zé Manuel Freitas. Eles foram os mais importantes por várias razões: porque me descobriram,porque arriscaram em mim sendo eu júnior e sem conhecimento da modalidade meterammea jogar na altura na 3ª Divisão Nacional.
Houve momentos em que eu deixei de ir aos treinos, em que pensei em deixar de jogar futsal, e eles iam saber de mim, quase que me obrigavam a ir treinar dizendo que eu ia ter futuro no futsal.Eles, sem dúvida, foram os principais.
O Tiago Polido por todo o conhecimento que me transmitiu, o Parente porque foi meu colega de equipa, uma pessoa que me conhecia, que sabia dar-me confiança sempre nos momentos em que eu estava mais em baixo, e também pela forma como conseguia gerir um grupo.
Por último e até há pouco tempo uma pessoa fantástica que apareceu quando menos esperava e que me devolveu outra vez a paixão do futsal, que foi o Mister Roger Augusto.Levou-me para Viseu, é uma pessoa extremamente profissional com quem tive muitos bom momentos e com quem aprendi bastante.

Seguiram-se outros clubes na tua carreira pós AAUTAD. Foi enriquecedora essa tua passagem pelo Boticas, Ourense e Chaves Futsal?
Sem dúvida que sim, pois tinha acabado de voltar de Espanha e já vinha mais experiente, mais maduro,com uma maior capacidade de jogar ao mais alto nível.Tive sorte também de nesses anos coincidir com excelentes grupos de trabalho, o que fizeram que essas 3 épocas fossem experiências muito positivas, assim como também nestes seis meses em Viseu.

E agora no Ervededo Futsal?
O Ervededo vai até onde nos deixarem ir. Estamos a fazer um campeonato espetacular, temos uma excelente equipa. Neste momento somos líderes da 3ª Divisão Nacional, Série A. Vamos pensar jogo a jogo para que seja possível chegarmos ao final e possamos festejar a subida.

Não és da opinião de que o Ervededo pode aspirar a mais do que apenas à 3ª Divisão?

Sou. Como disse anteriormente, neste momento somos líderes da Série A e temos todas as condições de poder subir, pois é um clube sério, com pessoas sérias, onde nada falha, e se Deus quiser para o ano estamos na 2ª Divisão Nacional.

Sentes que já podias ter sido chamado à Seleção?
Para ser muito sincero não, acho que ainda não atingi esse nível. Sinto que em tempos se houvesse Seleções Sub-18 e 21, na altura, sim, poderia ter sido chamado uma ou outra vez mas para mais não.Ir à Seleção requer um ritmo competitivo muito elevado, ao qual nos campeonatos em que estive não possui, mas era um sonho poder representar o meu País.

De todas as equipas que integraste, qual a equipa e o plantel que te marcou mais?
Tive várias,mas a que mais me marcou foi o Mundo da Música Flaviense.Era uma equipa de amigos em que nada nos era pedido, além de sermos sérios e,onde as coisas saíam naturalmente. Íamos sempre todos os Sábados jantar, éramos um grupo muito unido, mas também posso referiro da UTAD, o do Ervededo e claro, o de Viseu.

Qual foi a tua melhor época desportiva?

Foi no Chaves Futsal na 2ª Divisão. Foi a época mais regular que fiz, marquei bastantes golos e mais importante, fui regular. Joguei todos os jogos, não tive lesões e fizemos um excelente campeonato onde não subimos por fatores extra futsal como toda a gente soube.

Amigo Fisgas, deixas-te algo por dizer que não tenhas referido nas questões anteriores?

Queria deixar um agradecimento a toda a gente que ao longo deste meu percurso me apoiou, que me ajudou e um abraço a ti, Fernando Parente por esta entrevista na qual me dei a conhecer mais um pouco e, claro está, a minha história nesta modalidade maravilhosa que é o Futsal.

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