Fernando Parente entrevista Piranha

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Fernando Parente esta semana entrevista Piranha, um dos melhores guarda-redesde sempre do Futsal em Portugal.

Piranha, apareceste na modalidade por intermédio da AMSAC aos 18 anos, mas pode-se dizer que o teu nome e percurso no Futsal andam juntos desde o início. Fazes parte dahistória do Futsal Português e pode-se dizer que são poucos os casos de atletas que aos 41 anos, na tua última época como jogador, ainda te mantinhas num registo elevado. Qual o segredo dessa tua longevidade numa modalidade tão exigente como é o Futsal, principalmente para quem joga na posição de Guarda-Redes?

O segredo é simples, quando gostas muito duma coisa o prazer é tanto que as coisas ficam fáceis. Tive o privilégio de jogar em clubes de 1ª divisão e com excelentes condições, sentes-te querido onde jogas, logo é difícil deixar.

Fizeste a tua formação no AMSAC ou apareceste a jogar aos 18 anos pelo convite de algum amigo?

Comecei a jogar futsal na minha última época de júnior no AMSAC a convite de um grupo de amigos, para trás apenas futebol de rua…

Sentes que a mudança do Futebol de Salão para o Futsal em 1997 foi benéfica para a própria competição?

Sim, porque unificar regras e juntar modalidades em tudo semelhantes ajuda a fortalecer e não dispersar recursos, tanto humanos como financeiros.

A posição de Guarda-Redes é aquela que a cada ano que passa se torna mais específica, devido à introdução de novas regras época após época. Qual foi o ano ou época desportiva na qual sentiste mais dificuldades para te adaptares a uma alteração numa regra que a FPF tivesse introduzido sem que houvesse um tempo para os atletas se prepararem devidamente para ela?

Bem!!! Eu julgo que tinha um bom jogo de pés, e a grande mudança deu-se quando os GR deixaram de jogar livremente com os pés, no entanto qualquer regra desse tipo condiciona muito mais o colectivo que o GR, pois a estratégia é que pode ser alterada e não a forma de jogar de um GR.

Jogaste em clubes emblemáticos do Sulque fizeram parte do nascimento do futsal em Portugal. Numa palavra, define cada um: AMSAC, Sporting Clube de Portugal e SL Olivais ?

Família, Projecção e Felicidade.

Mencionei os três não só por serem os clubes onde jogaste, mas porque dois deles têm em comum o fato de se encontrarem numa faseascendente nos seus campeonatos (AMSAC e SL Olivais), e o outro (Sporting) porque tem cimentado o seu valor e a sua posição no Campeonato Nacional da 1ª Divisão cada vez mais. O que te apraz dizer sobre estas situações, tendo tu vivido com toda a certeza experiências bastante gratificantes em cada um desses clubes mencionados?

Posso avaliar as três realidades porque as conheço bem, A AMSAC que foi sempre uma equipa de primeira divisão enquanto lá estive, ficou com uma herança complicada, pois perdeu alguns dos seus jogadores mais influentes e não havia capacidade para renovar, oque fez com que andasse num sobe e desce constante, no entanto neste momento penso que se solidificou como uma equipa de segunda divisão e julgo ser o lugar onde devem estar, para que não passem por sobressaltos mais tarde.

O Sporting é uma estrutura profissional, onde não se nota diferenças seja quem for que por lá passe, visto que quem dirige já o faz há vários anos.

Já a realidade do Olivais é de um clube extremamente bem organizado e com uma estabilidade fantástica, que permite a quem lá treina ou joga estar sempre descansado por saber que não existem alterações constantes. Sendo que passa pelas mesmas dificuldades que os outros clubes dessa dimensão.

Para quem está por dentro da modalidade, como tens visto o contínuo desaparecimento de clubes?

Com alguma tristeza, pois clubes como Freixieiro, Fundação, D. João V e CM eram clubes que traziam um campeonato mais competitivo e com maior qualidade. No entanto isto revela as dificuldades que o país atravessa.

Sentes que a desistência e o desinvestimento de alguns deles fez com que durante estes últimos anos existisse, na maior parte dos campeonatos, a primazia para vencer títulos somente para as duas equipas profissionais da modalidade, SL Benfica e Sporting CP?

Já anteriormente as possibilidades eram escassas, no entanto assim as diferenças são maiores.

O aparecimento duma AD Fundão e dum SC Braga renovados trouxe, nestes dois últimos anos, uma maior competitividade à Liga Sportzone. Achas que o SL Olivais, com a excelente época que realizou na temporada passada e com as contratações que fez para este ano, conseguirá intrometer-se na luta pelos lugares cimeiros?

Esse é sempre um dos objectivos na nossa equipa, sendo que todos os anos partimos com esperanças renovadas. Neste caso como temos a mesma base e reforços pontuais julgo estarem reunidas condições para uma excelente época.

E para ti, como foi estar presente e ganhar algumas competições como a Supertaça Portugal, o Campeonato e Taça de Portugal?

Ganhar é o combustível para qualquer atleta que goste de competir, e esses são sempre os melhores momentos.

Nessas competições existe a fator de teres ganho duas delas ao serviço do Sporting e a outra pelo Olivais. Qual a mais saborosa das três?

Sem dúvida a taça de Portugal, porque é diferente ganhar num clube “pequeno”, no entanto o campeonato foi uma conquista importante e difícil nesse ano, numa luta muito grande com o Miramar.

Dos muitos treinadores que tiveste, quais aqueles que consideras que te ajudaram a evoluir como jogador?

Por incrível que pareça, só tive 5 treinadores e todos eles me ensinaram coisas muito válidas. Destaco o Carlos Cautela e o Luís Alves pelos vários anos que passei com os dois.

Representaste o SL Olivais durante dez épocas consecutivas, desde 2003/04 a 2012-13. Viste o clube crescer a olhos vistos. Achas que o clube é o reflexo do trabalho do Treinador Luís Alves?

É um clube muito particular, visto que os dirigentes são os mesmos desde então e a equipa técnica também, o que nos torna um clube estável. O Luís Alves é a cara desse projecto.

Sentes que a história da ascensão do SL Olivais e do Pedro Santos (Piranha) no Futsal tem a ver uma com a outra?

Ambos crescemos, eu como jogador e o SLO como clube, posso dizer que faço parte da história deste clube.

Para quem, em meu ver e opinião pessoal, foi um dos melhores Guarda-Redes nacionais que vi defender e tive o privilégio de defrontar, como era ser selecionado e nunca ter conseguido ser internacional por Portugal?

Fui chamado a 3 convocatórias seguidas e quando chegou a hora da estreia lesionei-me. Depois fui convocado para o mundial universitário no Brasil, isto depois de várias chamadas a estágios, no entantoquando chegou a convocatória final a minha entidade patronal não me dispensou.

Como o seleccionador era o mesmo e o futsal deu o passo para o profissionalismo nunca mais tive oportunidades.

Estares presente na 1ª UEFA Cup no Meo Arena foi o culminar de um sonho?

Penso que são as competições onde todos os atletas querem estar e eu não fujo à regra, tenho noção que queria mais.

Para quem fez parte da “mobília” do SL Olivais, como viste o anúncio de fim de carreira de dois grandes jogadores e teus amigos, Caturra e Jony?

São dois dos grandes amigos que o futsal me deu, e vivo mal com isso, pois ainda tenho muita vontade de jogar. Espero que aproveitem o máximo possível e este ano vamos ter a oportunidade de ver como corre o abandono.

Por enquanto matas o vício a jogar pela equipa empresas do SL Benfica ao lado de grandes nomes, como Rui Costa, Paulo Madeira, Bruno Basto, Hélder, Dimas, etc…É bom jogar ao lado de nomes tão sonantes da história do glorioso, como o foram os mencionados?

É muito engraçado, porque é um grupo muito porreiro e onde me divirto bastante, quanto ao resto é um privilégio que sei que não está ao alcance de muita gente, e como sou adepto do Benfica ainda mais satisfação tenho.

E o futuro, que te diz? Treinador para trabalho específico de Guarda-Redes de Futsal, não está no teu horizonte?

Já vou tendo essa tarefa no SLO embora este ano tenha andado com problemas físicos e não consegui estar tão disponível quanto era necessário. Mas a minha grande vontade é jogar. Não me vejo como treinador principal.

Amigo Piranha, deixaste ou tens algo a dizer que não tenhas referido nas questões anteriores?

Parente, queria agradecer-te o facto de te teres lembrado de mim para esta conversa. Um Abraço

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