Fernando Parente entrevista Joel Queirós

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Fernando Parente esta semana entrevista Joel Queirós, internacional português de Futsal que se encontra ao serviço do Nova Geração da Rússia.

Futsal e Joel Queirós fundem-se numa só palavra: golos. Diz-me o que significa o futsal na tua vida?

Significa tudo. A estabilidade que tenho hoje deve-se ao futsal.

Estiveste ligado a quatro clubes emblemáticos em Portugal, os quais foram FC Gaia, Boavista, Freixieiro e Benfica. Como viste o desaparecimento do FC Gaia, depois de ser um dos clubes que ajudou a criar e evoluir esta modalidade?

Com muita tristeza, claro! O FC Gaia é um clube que me diz muito, pelas pessoas que estavam à frente da modalidade e pelos conselhos que me deram, muito do que sou hoje e do que tenho devesse a eles.

Iniciaste a tua aventura no futsal no GDR Covelo nos iniciados. Para quem, como tu, sempre teve apetência pelos golos, nunca houve a proposta de saltar para o grande Miramar da altura, mesmo que fosse para a formação?

Ia ser um grande prazer ter representado um dos grandes emblemas do futsal nacional mas nunca recebi nenhuma proposta do Miramar.

Tornaste-te, a par de outros jogadores da modalidade, numa das maiores referências da modalidade em Portugal e também a nível mundial. Qual o teu segredo, para além dos teus golos, para teres enorme sucesso em todos os clubes por onde passaste até ao momento?

No Covelo foi o início da minha carreira. Foi por divertimento com os amigos que comecei a jogar mas depois a partir do FC Gaia tive a sorte de ter pessoas, tanto dirigentes, treinadores e jogadores que me ensinaram muito. Ensinaram-me o que é ser profissional, ter regras e isso fez de mim o que sou hoje.

Apesar das passagens pelo GDR Covelo e FC Gaia, ficaste conhecido como o Joel do Boavista, pois na mesma época conseguiste ser campeão nacional pelos juniores do clube e subires à antiga 1ª Divisão (atual Liga Sportzone) pelos seniores. O que seria agora se grande parte dessa equipa, e lembro-me que faziam parte dela o Vítor Hugo, Marinho, etc…, jogasse junta no mesmo clube?

No FC Gaia também conseguimos o mesmo! Em relação ao Boavista o Marinho não fazia parte desse plantel, mas se houvesse uma continuidade desses jogadores, hoje possivelmente era uma das equipas que lutava pelos títulos nacionais.

Na época 2001-2002, és, a par do Costinha e do Arnaldo, o tridente maravilha do Freixieiro, o qual se sagra campeão no ano de estreia do SL Benfica no Futsal. Como foi estar num clube do norte, lutar contra as várias potências nacionais e sagrares-te campeão contra todas as expetativas?

Esse plantel foi feito para lutar pelo título no 3º ano e ser campeão logo no 1º foi espetáculo. E o mérito não pode ser atribuído só a esses 3 jogadores, não vou citar o nome de todos, mas todos tivemos mérito; mas jogadores como Formiga, Luís Miguel, Catatau e Berto têm que ser referenciados.

Ano 2002-2003. Vences a Supertaça de Portugal, marcas 61 golos, tendo depois três distinções que marcam uma grande época: melhor marcador, melhor jogador e incluído no 5 base do campeonato nacional. Foi Joaquim Brito a ter o melhor Joel Queirós até ao momento?

O rendimento dos jogadores é méritos do treinador.

No final dessa época chegou a falar-se do teu salto para um grande clube nacional. Rumor, cláusula rescisão alta, ou não era a melhor altura para sair da AR Freixieiro?

Houve um contacto mas eu estava feliz no Freixieiro e na altura se saísse era para fora.

Ficas mais um ano em Matosinhos e depois dás o salto para Espanha, para o El Pozo Múrcia, na altura um dos clubes grandes da liga vizinha. Foi aí que se deu a tua afirmação no futsal internacional, uma vez que nessa altura já eras mais do que uma certeza para “consumo” interno?

O futsal espanhol, acho que é o sonho de qualquer jogador. Depois da Recopa que jogamos em Murcia houve o contacto do Duda (treinador do Elpozo) e não hesitei.

Cinco anos em Espanha, vários títulos. Foi essa passagem pela liga de “nuestros hermanos”, que trouxe para o SL Benfica um Joel mais maduro, mais experiente, mais coletivo, para ajudares o clube na prova mais importante da UEFA?

Sem dúvida que foram 5 anos de grande aprendizagem, evolui muito e o Joel que veio para o Benfica veio mais completo.

Como foi ser Campeão Europeu perante milhares de pessoas no Pavilhão Atlântico e num clube como o SL Benfica?

Passados 5 anos ainda não encontro palavras para descrever aquele momento. As equipas espanholas têm por hábito fazer o corredor há equipa campeã e ter jogadores como Luís Amado, Schumacher, Daniel, etc.., a baterem palmas foi uma sensação muito boa. E depois com aquela moldura humana era impossível perder.

5 Anos no SL Benfica, ganhaste tudo o que havia a ganhar nas competições em Portugal e ainda foste campeão europeu. Como classificas a tua passagem por esse grande clube?

Foi um clube que me deu muito e pela grandeza do Benfica saí com alguma mágoa por nesses 5 anos não termos conseguido mais títulos.

Era difícil ser jogador do SL Benfica, uma vez que o mediatismo e a pressão é totalmente diferente do que nos outros clubes?

Pelo contrário, pelo carinho que recebes dos adeptos é muito fácil ser jogador do Benfica.

Uma pergunta mais pessoal. O que sentiste quando, após o final da época 2009-2010, depois do clube que representavas se tornar campeão europeu e vencer a supertaça de Portugal, vês sair o treinador (André Lima), que até ao momento atual deu a um clube português a prova internacional mais importante da modalidade?

O André tinha uma relação muito próxima com os jogadores, conhecia-nos bem. Não conheço as razões da sua saída.

Joaquim Brito, André Lima, Paulo Fernandes, Duda, Orlando Duarte, Jorge Brás, etc…, Treinadores e Selecionadores que contribuíram para a tua evolução. Conseguiste, com os referenciados e os restantes aprender e evoluir com eles? Quais os que te marcaram mais, em que aspetos e porquê?

Todos foram importantes para o meu crescimento, mas destaco o Joaquim Brito porque foi mais que um treinador para mim.

Arnaldo e Pedro Costa, dois jogadores que juntamente contigo partilharam muitas conquistas. Além da amizade que vos une, o que te apraz dizer sobre eles?

Juntamente com o Luís Miguel e Formiga, são as minhas grandes referências no futsal.

No SL Benfica ganhaste tudo o que havia para ganhar em Portugal, incluindo uma UEFA Futsal Cup, como já foi referido anteriormente. Alguma vez te passou pela cabeça, aos 32 anos e depois de cinco com glória no SL Benfica, teres de emigrar novamente?

É certo que não estava nos meus planos, mas nós no desporto nunca sabemos o dia de amanhã. O Benfica não contava comigo e uma das propostas foi vir para a Rússia e aceitei.

O emigrar, foi em busca de novos objetivos, à procura dum futuro melhor para ti e para os teus, ou em Portugal, depois do SL Benfica, não jogas em mais nenhum clube?

Claro que aos 32 anos emigrar foi para continuar a ter uma vida estável para mim e para a minha família.

Passaste por três equipas no estrangeiro: El Pozo Murcia, MRA Navarra Xota de Pamplona e o Nova Geração da Rússia. Qual o campeonato mais forte e atrativo, uma vez que Rússia e Espanha estão dentro dessas determinações a nível mundial?

Pelos anos que estive em Espanha digo Espanha. Em Espanha coincidi com grandes equipas e grandes jogadores.

De todos os títulos que conquistaste e do teu magnífico desempenho, qual foi para ti a melhor época desportiva?

Pelos momentos e sensações indescritíveis que sentimos, tem que ser a época em que ganhamos a UEFA CUP com o Benfica. A qual coincide também com o 2º lugar no campeonato da Europa de seleções onde fui o melhor marcador.

Para um atleta como tu, reconhecido mundialmente pela tua capacidade técnica individual, leitura de jogo, veia goleadora e inteligência na abordagem do mesmo, sentes que o Nova Geração, após saíres do Benfica, foi a aposta certa?

Tive algumas propostas quando saí Benfica e vir para o 4º classificado do campeonato Russo penso que foi uma boa decisão.

A tua ida para o teu clube atual, Nova Geração da Rússia tem por trás o nome de Manuel Pina Ferreira, certo? O que dizer deste grande homem do futsal, que já deu muito à nossa modalidade em clubes como o Boavista e a Fundação Jorge Antunes?

O Manuel Pina Ferreira é um grande homem. Em todo este processo de eu vir para a Rússia ele deu a sua palavra aos dirigentes da Nova Geração e só espero não desiludi-lo.

Os teus golos correm mundo, mas existem alguns que nos marcam pela importância do momento ou do objetivo alcançado. Quais aqueles que te deram maior prazer e alegria de marcar?

Claro que todos os golos são de uma grande importância mas os que se marcam nas finais são os que ficam para a história. Eu guardo em especial o que fiz na final da UEFA CUP.

Passemos à Seleção Nacional. És dos mais internacionais, foste Bota de Ouro no Campeonato da Europa de 2010 e, és o 2º melhor marcador de todos os tempos da Seleção. Alguma mágoa por, depois de tantos anos a representares Portugal, não teres feito parte das escolhas para o apuramento que houve na Roménia para o Europeu da Sérvia em 2016?

Claro que queria estar presente, mas a opção do selecionador não foi essa e só tenho que respeitar e ficar a torcer por fora.

Trabalhas no teu clube para voltares a fazer parte do lote dos convocados, ou achas que a dita renovação da Seleção te irá retirar dos futuros eventos internacionais?

Como sempre, eu trabalho no meu clube para merecer a confiança do meu treinador. Se depois o Selecionador achar que somos uma mais-valia ótimo.

Para mim, opinião pessoal, irias fazer sempre parte dos escolhidos, enquanto te sentisses em condições de o fazer. A tua inegável qualidade, técnica, tática e humana e a tua veia goleadora, fazem falta à nossa Seleção. Espero ver-te novamente e depois de tudo que tens dado ao teu novo clube na Rússia, quando muitos já diziam que irias para a tua reforma dourada, a fazer parte do lote dos escolhidos, porque mereces.

Obrigado pelas palavras! Se aos 32 anos os jogadores têm que se reformar, as grandes equipas ficavam sem jogadores… Como a resposta se dá dentro do campo, o que temos feito e o respeito que as equipas mostram pelos 3 portugueses justifica tudo.

Agora uma questão em relação a um clube que muito deu à modalidade, mas que também acabou. Travaste alguns duelos com a extinta AAUTAD, que recordações, guardas dos mesmos?

É verdade, a AAUTAD deu muito ao futsal e recordo sempre grandes jogos e competitivos.

Uma pergunta que todo o universo do futsal pretende saber. Nova Geração, uma aposta para manter ou aspiras a outros voos?

Sim, tenho mais 1 ano de contrato.

Amigo Joel Queirós, deixas-te algo por dizer que não tenhas referido nas questões anteriores?

Acho que consegui falar em todos os momentos mais importantes da minha vida no futsal. Agradeço a oportunidade que me deram e que continuem com o excelente trabalho para o bem do futsal.

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